<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423</id><updated>2012-01-31T19:33:22.513-08:00</updated><title type='text'>viagem ao fim da noite</title><subtitle type='html'>nivaldo tenório</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>77</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-4208030539097235886</id><published>2012-01-31T11:31:00.000-08:00</published><updated>2012-01-31T19:33:22.526-08:00</updated><title type='text'>Sofrimento, Teodicéia e malogro</title><content type='html'>Como acreditar numa verdade que não resiste ao tempo? Ainda mais uma verdade com pretensão universal? Mas o fato é que não resiste e à medida que o resultado do trabalho de pensadores e cientistas se impõe e aparece um novo espírito de época vai ocorrendo por parte dos conservadores uma tentativa desesperada de acomodar as coisas. E vão aparecendo as justificativas (a teodicéia é uma delas) surgem argumentos do tipo: “é preciso contextualizar” e alguns jargões são logo construídos e repetidos de boca em boca de padres e pastores evangélicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma questão interessante a esse respeito é a idéia de sofrimento e como ela foi tratada pelos autores da bíblia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os profetas como Amós, Jeremias ou Isaias tentaram justificar o sofrimento pelo qual passava seu povo, o povo escolhido, falando de desobediência – e é interessante notar que é desobediência e não pecado, algo sobre o que tratarei mais adiante. Sofria o povo porque insistia em desobedecer e por isso recaia sobre ele a fúria de deus. Deus é bom e tudo pode, mas mesmo sua paciência tem limite. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o Pentateuco ou Torá, composto pelos primeiros cinco livros, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, ficamos sabendo da origem do mundo e da vida e depois acompanhamos o povo escolhido de deus, os judeus, a aliança, ida para o Egito acossado pela fome, uma relativa prosperidade naquela terra estrangeira e sua escravização pelo faraó duas gerações depois de Abraão. Depois disso é preciso que um líder apareça para libertar o povo e é o que faz Moisés depois de ser arauto das pragas de Javé contra os egípcios. Ele conduz mar vermelho adentro seu povo para o grande malogro que é a terra prometida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma coisa curiosa e que passa despercebida é que a tal terra prometida (Canaã) já era habitada por povos ferozes e que para obter a posse da terra se fazia necessário lutar. Deus não estava familiarizado com a burocracia dos cartórios. Não conhecia os tramites legais, é por isso que os portugueses que são sábios e aprendem com a experiência alheia, logo que atracaram no paraíso abaixo da linha do equador lavraram a escritura e garantiram a posse legal das novas terras descobertas (os índios, como deus, também não manjavam esse negócio de cartório). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Era preciso lutar e o povo reluta, coisa que não é bem recebida por Javé. Não interessava que o povo estivesse extenuado, afinal fora liberto fazia pouco do trabalho escravo, é de se supor, portanto, que não esbanjasse saúde, mas Javé não se interessa por detalhes, seu povo desobedecia fazendo corpo mole e isso não era coisa que ele pudesse tolerar. Não Javé. E o que acontece em seguida todo mundo sabe e faz vista grossa; o povo amargou 40 anos no deserto, andando para lugar nenhum até que toda aquela geração de homens podres do trabalho egípcio morresse.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se vê, nunca foi fácil ser judeu, a tal terra prometida quase nunca lhes pertenceu de verdade, Israel (a Palestina para ser mais exato) por séculos foi sempre uma terra ocupada por estrangeiros; centenas de gerações de judeus viveram e morreram sob o jugo de outros povos: Assírios, babilônios, persas, gregos e romanos, entre outros, durante muito tempo foram os verdadeiros donos da terra prometida por deus. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Numa época muito anterior ao holocausto, certamente os judeus já se perguntavam por que, sendo eles o povo escolhido e apadrinhado por deus, sofriam tantos reveses. A resposta estava na ponta da língua dos profetas: sofria porque merecia já que é tão teimoso em desobedecer. Tudo bem, o argumento parece que convencia – a pelo menos uma boa parcela deles – mas aconteceu algo que os profetas não previram. Quando Antíoco IV assumiu o trono em 175 a.C. ( 1 Macabeus) e perseguiu os judeus forçando-os a abandonar suas crenças, proibindo o culto a Javé e sentenciando à morte os pais que fizessem circuncidar seus filhos entre outras coisas, a explicação dos profetas já não convencia nem os mais abnegados religiosos. Antes o povo sofria porque desobedecia a Lei de Javé e agora estava sofrendo justamente porque obedecia ou queria obedecer. E então? Como explicar o sofrimento?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fácil. Uma nova estratégia foi montada e passaram a surgir os autores apocalípticos. Daniel foi o primeiro. Sobre essa questão eu recomendo ao leitor interessado por mais informação o muito bom O Problema com Deus, de Bart D. Ehrman, ex-pastor batista que recobrou a razão quando perdeu a fé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de agora é preciso criar novos conceitos e o mais importante deles é a Dualidade. Ehrman ainda cita Pessimismo (o mundo é governado pelo mal – com a aquiescência de deus – e nada que possamos fazer pode mudar isso); Castigo (foi deus quem criou este mundo e é ele quem vai redimi-lo castigando com o inferno aqueles que merecem) e Iminência (em breve deus retornará, o diabo vai se recolher à sua insignificância e os bons e justos viverão sob os auspícios de deus todo poderoso que vai governar como um rei).   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante notar que nos primeiros livros da bíblia como o Pentateuco, por exemplo, não existe a figura de satanás como nós o conhecemos hoje. A serpente que tenta Eva não passa de uma serpente com a diferença que se expressava na mesma língua da primeira mulher e possuía a incrível habilidade de andar sobre duas pernas. Quando sofre a punição de Javé, perde as pernas e passa a rastejar sobre o próprio ventre. Não é ao demônio a quem deus se dirige, mas à serpente. Ainda não existe o conceito universal de dualidade que trouxe com ele a idéia de pecado. O universo não é dividido entre duas forças que se opõem; de um lado deus pesando muitos quilos que representa o bem e do outro o famigerado e magricela satanás representando o mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso é tão certo que num dos livros poéticos e sapienciais, Jó, satanás aparece como um conselheiro de deus, um de seus filhos que tem livre acesso ao céu onde é recebido com honra e ocupa uma determinada função.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E agora cito o interessante questionamento de Epicuro:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Deus está disposto a evitar o mal, mas não é capaz? Então ele é impotente.&lt;br /&gt;
Ele é capaz, mas não está disposto? Então ele é malévolo.&lt;br /&gt;
Ele é igualmente capaz e disposto? Por que, então, há mal no mundo?"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendendo o mal como causa do sofrimento, percebemos que teve deus dois advogados, ou tipos de advogados para sua defesa. Primeiro os profetas que entendiam o sofrimento como forma escolhida por deus de castigar a desobediência à sua Lei. Quando essa justificativa ou “verdade” se esgotou, outros profetas com novos conceitos apareceram para justificar a impotência de deus e garantir a fé dos fieis. O Apocalipse é aquela que se mantém até hoje. Há sofrimento porque outra força se opera na terra e esta força se opõe a deus, no meio está o homem e o livre arbítrio. Por causa do livre arbítrio deus não pode fazer nada enquanto se endurece ainda mais as forças do mal. Mas um dia (e todos os profetas do apocalipse são unânimes em dizer que em breve, desde Daniel a Paulo passando por Jesus e o Batista) o reino de deus será estabelecido entre os homens, os maus serão punidos e os justos recompensados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há nenhuma dúvida de que os profetas da bíblia falavam para seus contemporâneos quando previam o Apocalipse e mesmo Jesus deixa isso muito claro em Marcos 9,1  “em verdade vos digo que estão aqui presentes alguns que não provarão a morte até que vejam o reino de deus, chegando com poder.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante disso só nos resta duas alternativas quanto ao sofrimento, ou esperamos sentados o apocalipse ou pusemos mãos à obra e tentamos fazer alguma coisa para tornar o mundo melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-4208030539097235886?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/4208030539097235886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/4208030539097235886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2012/01/sofrimento-teodiceia-e-malogro.html' title='Sofrimento, Teodicéia e malogro'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-79413482167234392</id><published>2011-11-22T12:53:00.000-08:00</published><updated>2011-11-22T14:00:36.658-08:00</updated><title type='text'>Narciso, todo poderoso</title><content type='html'>Entre os religiosos do islã, não há uma separação entre o Deus prescrito no livro sagrado – Corão – e aquele que de fato povoa o imaginário dos fieis. Entre os cristãos o Deus que povoa o imaginário dos crentes se distancia daquele previsto na bíblia todas as vezes que o espírito da época exige. Isso ocorre, provavelmente, porque o cristianismo sofreu reformas e aproximações históricas que o islã não permitiu. É por isso que se diz que as bases de uma religião estão na manutenção da tradição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, hoje em dia, a Igreja Católica considera boa parte das escrituras como alegorias, portadoras de verdades teológicas (se é que isso quer dizer alguma coisa), mas que não possuem necessariamente verdade histórica. É claro que nem todo mundo está de acordo, principalmente entre os sectários fundamentalistas de certas seitas evangélicas. Mas o fato é que muito do que a bíblia preconiza, quer seja histórico quer seja verdade moral, não pode ser entendido literalmente, senão a gente vai sair por aí matando homossexuais ou os filhos que nos desobedecerem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para a sobrevivência da religião anacrônica – como são todos os monoteísmos – se faz necessário todo tipo de contorcionismo. Nietzsche chamava a isso de improbidade intelectual. Muitos acham que ela precisa acompanhar os novos tempos, coisa muito estranha, se imaginarmos que ela é a palavra de Deus, e como tal imutável. Mas o fato é que muitos ainda, apesar de todos os avanços e descobertas, seja no campo da paleontologia, seja na física, não deseja abrir mão da idéia consoladora de um pai. Sobre isso nada posso acrescentar que já não esteja esmiuçado em O Futuro de uma ilusão, de Freud.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então acontece uma coisa; de repente não concordamos mais com o livro e passamos a considerá-lo ultrapassado. Mas isso acontece num nível do inconsciente, ainda é a Palavra, mas a Palavra que precisa ser decifrada, que guarda um grande segredo. Então as pessoas se recusam a ler com medo de ter de se deparar com tais verdades porque no fundo parecem vulgares e despropositadas. É preferível não ler, então as pessoas – aquelas que não querem abdicar da idéia de que há um pai – passam a nutrir muito receio do Livro, conservando-o na estante. É por isso que algumas pessoas pagam verdadeiras fortunas em bíblias enormes, quase impossíveis de manusear, com lombada dourada e contendo todas as ilustrações de Doré. É para não ter que ler, afinal fica muito pesada. Impossível de manusear. Lá dentro, consigo mesmo, o sujeito quebra a cabeça: Não é possível que alguém quer que eu leve à sério isso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou dar um exemplo, aquilo que Deus diz à mulher, depois que os dois comem da fruta do bem e do mal. Já leram? Pois então vamos lá para o Livro de Gênesis 3,16: “com dor terás filho e tua vontade será para sempre a do teu marido e ele te dominará.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Qual é a mulher, no mundo ocidental e em nossos dias, que está disposta a encarar esse absurdo como uma verdade inquestionável? Qual é a mulher, depois de toda a luta que travaram no fatídico século XX – que ainda travam nesse começo de século – que não se sente ofendida diante de tais palavras, tal castigo, tal maldição?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na última festa literária de Olinda encontrei a Maria Paula, aquela do Casseta e Planeta, numa das mesas alternativas do evento. Ela e mais duas mulheres desenvolviam um trabalho com o público que tinha como tema o papel da mulher na história ou qualquer coisa do gênero. A intenção era fazer justiça à mulher que sempre sofreu descriminação e a quem foi dado um lugar de subordinação. Então a partir de islaides e comentários quase sempre bem humorados elas passaram a descrever como as mulheres atuaram nos diversos momentos históricos. Na Idade Média elas não deixaram de culpar a Igreja e seus clérigos por terem sido demonizadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando a conversa acabou eu levantei a mão e fiz uma pergunta: Por que a mulher, perguntei, apesar de ter sofrido e ainda sofrer tirania por parte da religião, continua sendo sua maior defensora?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria olhou para as amigas e saiu-se com uma resposta que é o mais puro reflexo desse contorcionismo de que falei. Ela disse que a mulher tem predisposição à fé, algo que faz parte da sua natureza, daí porque sua defesa da religião. É claro que essa resposta tem mais de romantismo ou idealismo do que argumentação e propriedade, ela não considerou o fato do condicionamento sofrido pela mulher, algo indelével que decerto deixou marcas profundas. Mas não foi essa resposta aquilo que me chamou a atenção na sua fala, mas o que ela disse um pouco antes, referindo-se à bíblia; disse que era um livro escrito por homens, cheio de idéias masculinas e, portanto sem importância para os dias de hoje. Chamou o livro de anacrônico e descontextualizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E aí eu volto para o que disse no início; as pessoas estão fazendo uma separação ou distinção, Maria Paula não disse nenhuma novidade; uma coisa é a bíblia e o Deus ali prescrito, outra coisa é o Deus que cada um imagina e idealiza de acordo com seus interesses. É a confirmação do axioma: Deus é feito à imagem e semelhança do homem. Mas agora deixa de ser aplicado à coletividade. Não mais a um grupo social e cultural que compartilham a mesma idéia de divindade. Deus fragmentou-se e está subordinado ao reflexo do indivíduo. Narciso elevado à mais alta hierarquia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem dúvida alguma coisa se quebrou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-79413482167234392?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/79413482167234392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/11/narciso-todo-poderoso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/79413482167234392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/79413482167234392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/11/narciso-todo-poderoso.html' title='Narciso, todo poderoso'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-8454711345397482065</id><published>2011-10-26T19:50:00.001-07:00</published><updated>2011-10-26T19:53:15.200-07:00</updated><title type='text'>amor sem fim</title><content type='html'>Amor sem Fim, último romance do muito talentoso McEwan é um Thriller psicológico baseado na obsessão de um louco que se coloca na vida de Joe Rose, um escritor de divulgação científica, e começa a persegui-lo, motivado por uma idéia fixa: o amor. &lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
A fixação de Jed por Joe provoca a desarrumação na vida deste e um sentimento de sufocação e desconforto acabarão por prejudicar suas relações com a esposa. Clarissa não desconfia que o marido pudesse cometer adultério, na verdade ela não leva a sério as queixas dele quando diz estar sendo perseguido por um homossexual evangélico que se diz apaixonado por ele. Ela simplesmente não leva a sério, e atribui a outros fatores os receios de Joe. Mais tarde, com a insistência dele e mudança de humor ela vai nutrir uma suspeita também compartilhada pelo inspetor de polícia que toda aquela história não passa de invenção de Joe por causa do estresse, da frustração em não ter seguido a carreira acadêmica ou porque entrara num processo de loucura. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
McEwan baseia-se num caso clínico estudado por De Clerambault. Uma francesa de 53 anos estava certa de que era amada pelo Rei Jorge V e por isso passou a persegui-lo fazendo diversas viagens à Inglaterra e se postando diante do palácio de Buckingham. É o achado de que o autor precisava para estruturar sua história. Nela Jed insiste que Joe o ama e como o amor é correspondido eles precisam ficar juntos. Mas não acho que ele quisesse apenas escrever mais um capítulo sobre a síndrome de De Clérambault. Vi no livro outra intenção que decerto causará despeito no religioso fundamentalista nem um pouco satisfeito com o fato de encontrar seu reflexo na figura esquizofrênica de Jed.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De uma boa obra literária pode-se fazer várias leituras, quantas leituras não há de Hamlet ou Dom Quixote?, ninguém portanto pode me acusar de nada quando faço a minha leitura de McEwan. Embora algo me diz que não estou tão longe do que quisera dizer o autor com o seu Amor sem fim. Algumas pistas me deixam seguro disso, por exemplo, McEvan é ateu, seu entusiasmo demonstrado por “Deus um delírio”, de Dawkins certamente não é compartilhado por nenhum fundamentalista, entre outros adjetivos ele se refere ao livro como lúcido, magnífico e sagaz. O personagem do livro, um escritor de livros e artigos científicos, um entusiasta da ciência com predileção justamente na área da evolução tem muito do autor com quem compartilha algumas opiniões, principalmente aquelas relativas a ciência e religião. Outro fato relevante é que não há histórico de doentes da síndrome que o sentimento religioso apareça como motivador, sendo o único (fictício) o caso de Jed. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jed é um cristão fanático, mas não está associado a nenhuma religião em particular, McEvan é cuidadoso e certamente procura evitar a sanha de alguma seita cristã, detendo-se no fato de que Jed é cristão e vê a Deus de um modo pessoal. O deus de Jed é o cristo, aquele que fora pregado na cruz e ressuscitou, mas ao mesmo tempo é o cristo inventado por ele, seu deus pessoal. A verdade de Jed não é a verdade de Joe, mas Jed não está interessado nisso porque a única verdade – aquela que salva – é a verdade representada pelo cristo de Jed que precisa ser compartilhada. O outro não tem opção, deve aceitar aquela verdade como única e indiscutível sob pena de sofrer as conseqüências. A insistência dele em dizer que a vida de Joe esta errada – numa clara referência à Clarissa – que Joe não é feliz, não é a insistência de um louco – não nos termos patológicos em que Jed se enquadra – são na verdade as palavras de um religioso (é só ligar a televisão na madrugada, entre os muitos anunciantes e seus produtos vendidos estão os padres e pastores evangélicos vendendo o patético cristo pregado na cruz) o que Jed diz é o mesmo o que diz tais clérigos; que não podemos ser felizes sem Jesus, que a sua vida, a de Joe, não pode ter sentido sem Jesus, porque uma pessoa sem Jesus experimenta um grande vazio existencial. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É engraçada a indignação que Jed experimenta quando lê os artigos escritos por Joe e nota que ali o escritor compara Jesus com personagens literários. Fica indignado, e é a mesma indignação que muitos religiosos demonstram quando lêem em textos de blogs, por exemplo, comentários onde Jesus aparece comparado com personagem de literatura. Comparar Jesus com James Bond, diz Jed, ou com Sherlocky, faça-me mil favores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem se declara ateu ou agnóstico – uma péssima idéia mesmo nos dias de hoje – sempre recebe do religioso a mesma acusação: arrogante. Então é arrogância dizer que Deus não existe e admitir a idéia de que somos finitos e que um dia vamos morrer. Mas os religiosos não são arrogantes quando dizem que são filhos de Deus – o todo poderoso criador do céu e da terra – também não é arrogância se achar parecido com Deus (imagem e semelhança) que nos fez para um propósito divino – somos protagonistas no universo – por isso subjugamos a morte – quem é o Railander do pedaço? – e não bastasse tanta megalomania ainda vamos no sentar no trono à direita de Deus Pai, Todo Poderoso – pense num trono grande – porque pagamos o dízimo e observamos o decálogo, principalmente o último de grande sabedoria e valor moral: “Não cobiçarás a casa do teu próximo nem sua mulher, nem seu escravo, sua escrava, seu boi, seu jumento etc...”. É preciso, portanto, aprender a ser humilde para nos acostumar com a vida futura, sem nenhuma preocupação ou necessidade, sem nenhum padecer e dispondo de toda sabedoria partilhada nos mínimos detalhes com o Arquiteto do Universo. &lt;br /&gt;
Quando Jed lê os artigos de Joe não deixará de atirar em sua cara a acusação de arrogante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando Jed diz: aceite-me Joe, na verdade ele está dizendo: aceite Jesus em sua vida, aceite a religião. Esqueça suas idéias a respeito da evolução, esqueça aquilo em que você acredita, renuncie a ciência. A ciência distorce a verdade, inventa verdades para nos ludibriar e nos afastar de Deus, para nos tirar do caminho, o caminho correto, único e possível. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Falando de “Sábado”, outro romance de McEwan, eu disse numa ocasião que diferente de Borges ou de Machado de Assis que optam por uma espécie de narrador escorregadio em quem não se pode confiar, o autor de “Sábado” se concentrava num tipo de escritura que eu relacionei com Eça de Queiros e os realistas do século XIX; o narrador em terceira pessoa, onisciente que tudo vê, que tudo sabe. Em “Amor sem Fim”, por outro lado, McEwan se mostra um escritor que teria a aprovação de Machado de Assis e Borges. A perseguição de Jed só pode ser coisa de um louco, Joe está certo disso, mas a habilidade do autor nos faz desconfiar de Joe; e se tudo não passa da imaginação de Joe? E se Jed for apenas fruto de sua imaginação de homem que chegou à metade da vida com algumas frustrações e o casamento que parece desmoronar? Clarissa desconfia e sua desconfiança nos contamina. Mas no final tudo é esclarecido, desaparece a ambigüidade e a loucura de Jed se revela para todos. Devemos desculpas a Joe por desconfiar dele. Clarissa mais que todos nós. Mas não poderia ser diferente – e aqui faço minha leitura – não poderia haver ambigüidade, Joe é McEwan e sua sanidade não poderia ser questionada, não num assunto que trata de evolucionistas versus religiosos. Acho que não é por acaso que Christopher Hitchens dedica seu “deus não é Grande” a Ian McEwan. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesses tempos de terrorismo quase sempre associado à religião, de republicanos americanos que declaram guerra em nome de Deus – como, aliás sempre fizeram aqueles que se apresentam do lado do bem e da boa moral – , tempos de Osama Bin Laden, de judeus contra muçulmanos, de sérvios ortodoxos contra croatas católicos, sérvios ortodoxos contra muçulmanos bósnios e albaneses, protestantes contra católicos, muçulmanos contra hindus como acontece no Sudão, russos ortodoxos contra muçulmanos chechenos etc, McEwan nos presenteia com uma história que é a perfeita representação dessa histeria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-8454711345397482065?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/8454711345397482065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/10/amor-sem-fim.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8454711345397482065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8454711345397482065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/10/amor-sem-fim.html' title='amor sem fim'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-1610993156219134564</id><published>2011-04-24T18:15:00.000-07:00</published><updated>2011-04-24T18:51:36.059-07:00</updated><title type='text'>Thor e outras mitologias</title><content type='html'>Sempre gostei de gibis, às vezes acho que aprendi a ler com eles, talvez mais do que isso, aprendi a gostar de ler, principalmente a ler histórias. É por isso que as primeiras personagens que povoam meu imaginário de criança são os heróis da Marvel como o Homem Aranha, Capitão América e Thor. É verdade que depois eu conheci o deus nórdico; li mitologia e me inteirei da história, mas isso só mais tarde, na minha adolescência Thor foi para mim um dos Vingadores com sua armadura inspirada nos romanos e seu elmo com asas. Mas Thor foi um dia cultuado pelos pagãos germânicos. Um dia foi um deus dos mais valentes e queridos, aquele que representava a força da natureza, filho de Odin e esposo de Sif, deusa da colheita. Também descobri que Thor é identificado com Júpiter porque dividem a mesma maternidade da Mãe - Terra e como protetores da comunidade têm o carvalho como símbolo. Tácito o identifica com Hércules.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fico imaginando o que pensariam aqueles que um dia cultuaram o deus do trovão – refiro-me aos antigos alemães, noruegueses, dinamarqueses, irlandeses e anglo-saxões, muito antes da sanha cristã – se pudessem ler o futuro e descobrir que seu deus um dia seria reduzido a herói de histórias em quadrinhos, coisa de criança, mero entretenimento. Sandice. Mais do isso: blasfêmia. Mas o fato é que Thor, que já não bastava ser morto por Jormungandr, a grande serpente, não passa hoje de mitologia, e por isso não é desrespeitoso integrá-lo a equipe dos Vingadores, ao lado de Vespa, Homem formiga e Visão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Thor, o personagem dos quadrinhos, foi criado por Stan Lee, Larry Lieber e Jack kirby, e sua primeira aparição deu-se em 1962, na número 83 da Journey into Mystery, nos Estados Unidos. Confesso que não leio mais as histórias do deus do trovão com o mesmo entusiasmo que fazia nos meus 13 anos, mas continuo gostando de quadrinhos, a maioria com uma proposta voltada para a arte – hoje reconhecida – e temáticas adultas como são os gibis de Robert Crumb, Crepax e Art Spiegelman. Mas ainda gosto de quadrinhos de aventura. No final dos anos 90 descobri o Selo Vertigo e desde então compro e leio as histórias do John Constantine e Jesse Custer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que tem essas personagens que ver com Thor? É fácil responder, assim também como este aqueles também se valem da exploração de uma mitologia. Enquanto para os criadores de Thor a mitologia nórdica ofereceu os elementos necessários para a criação ou recriação do universo da personagem do gibi da Marvel, para Constantine e Jesse Custer, a mitologia é outra, uma mitologia ainda em voga, na qual os homens de boa fé depositam credibilidade e alimentam esperanças. Uma mitologia que até então só era vista como mitologia pelos desapaixonados, materialistas e subversivos do senso comum. Uma fabulação inverossímil que vinha sobrevivendo como ideal platônico finalmente desmistificado por Diógenes.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Constantine é uma espécie de bruxo, versado nas artes da magia, capaz de conjurar o demônio ou exorcizá-lo, sempre às voltas com o deus dos cristãos e Lúcifer que deseja ardentemente sua alma. Jesse Custer, por sua vez, é um pastor em crise de fé, que acaba possuído por Gênesis, uma entidade poderosa, filho de um anjo e um demônio. Ao lado de Tulipa, sua namorada e o vampiro irlandês chamado Cassidy, Jesse empreende uma verdadeira cruzada para encontrar Deus (ele mesmo, Javé) que abandonou o céu e ninguém sabe seu paradeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Num texto que li no Google, alguém comenta que “os tenazes e engenhosos missionários do cristianismo persuadiram os homens do Norte a adotar a religião mais branda.” Referindo-se aos pagãos que substituíram Thor por Cristo. Não sei quem foi que escreveu tamanho disparate nem quero saber, mas a tal persuasão foram quatro séculos de perseguição, morte e tortura provocada pelos tais tenazes e engenhosos missionários contra os “bárbaros”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos nossos tempos o deus atual parece que também se encaminha para seu lugar que é a mitologia. Uma prova disso está na exploração dele como produto de mercado do entretenimento. Filmes e gibis que são comercializados para deleite de um público que representa a grande massa de consumidores. Todo mundo agora partilha da mesma opinião de que não é desrespeitoso integrar Thor ou qualquer outra divindade a equipe dos Vingadores. O deus de Constantine é o mesmo de Jó que apostou com o diabo a cabeça do homem e Jesse Custer, em sua procura por Deus, é como aquele homem que vai à missa ou ao culto, são personagens de ficção ou fabulação do tipo usada para entreter as crianças enquanto aguardam o sono. Personagens que nos divertem porque nos transportam da realidade para um mundo de pura magia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-1610993156219134564?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/1610993156219134564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/04/thor-e-outras-mitologias.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1610993156219134564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1610993156219134564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/04/thor-e-outras-mitologias.html' title='Thor e outras mitologias'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-2891749497901647901</id><published>2011-03-22T06:50:00.000-07:00</published><updated>2011-03-22T06:50:03.898-07:00</updated><title type='text'>Uma provocação às mulheres</title><content type='html'>Há um livrinho de Diderot de que eu gosto muito, ali já encontramos os fundamentos que resultarão mais tarde na obra que o notabilizou como ateu. O passeio do Cético é de fato um delicioso convite à leitura. São diálogos de Diderot consigo mesmo a respeito de questões de sua época, principalmente religião e política. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na primeira parte ou primeira alameda, Cleóbolo, amigo de Aristo (não confundir com Aristóteles, o arquiteto), discorre sobre o Cristianismo e o faz a partir de metáforas militares. O deus dos cristãos é um príncipe, o papa é vice-rei e os governadores bispos etc. É impiedoso na sua analise da Igreja e nela não escapa ninguém que não seja orgulhoso, avarento, hipócrita, velhaco ou vingativo. Refere-se a alma como roupa que segundo os preceitos preconizados pelos sacerdotes deve estar sempre limpa de máculas, muito embora a deles, dos párocos e toda a hierarquia eclesiástica está encharcada da lama mais abjeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o povo judeu e Moisés é sarcástico quando reconta a história “sagrada” do povo “eleito”. Os crédulos não são poupados; para Diderot não passam de imbecis por acreditarem em disparates como a fuga do Egito, Canaã, o dilúvio e demais episódios descritos no Velho Testamento .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muitos contestadores dos dogmas religiosos. Encontram-se no passado e no presente. De Jean Meslier a Richard Dawkins a lista é enorme, mas curiosamente não encontramos mulheres entre tais iconoclastas. É claro que eu posso estar enganado, mas uma coisa, pelo menos, posso afirmar com convicção: tais mulheres atéias ou agnósticas são decerto insignificantes numericamente se comparadas aos homens.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É comum que as mulheres apóiem seus maridos em projetos ou empresas, mas não foi o que aconteceu com Emma Wedgwood, a esposa de Darwin.  Alguém vai dizer que esta senhora era uma típica mulher de seu tempo, educada por seus pais para ser temente ao deus cristão. Sem dúvida. Como muitas de suas contemporâneas, certamente Emma também se enquadrava na regra. Mas não é necessário um salto tão grande no tempo. Nesse particular – o da fé das mulheres – sou capaz de arriscar dizer que as coisas não mudaram muito. Uma prova disso eu obtive outro dia, assistindo a um dos programas Roda-Viva, apresentado por Marília Gabriela. A entrevistada da vez era uma geneticista. Não me lembro seu nome, mas nos dias de hoje é, ao que tudo indica, alguém respeitado na comunidade científica do Brasil, por seu trabalho no campo da pesquisa com células-tronco. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A conversa fluiu, surgiram perguntas e respostas. A pesquisa com células-tronco embrionárias ainda está em fase de experiência e esse negócio de manipular e sacrificar embriões causa polêmica. Nenhum religioso fundamentalista que se preze pode concordar com tal insulto ao Senhor. Certamente causaria pesadelos à puritana Senhora Darwin. Termos como clonagem terapêutica, doenças degenerativas, cordão e sangue umbilical me fizeram lembrar o laboratório do Dr. Moreau. Mas o mais delicado ainda estava por vir, e a pergunta que todos aguardavam finalmente foi feita: e Deus, perguntaram, como é que fica?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois é, a resposta dela não me surpreendeu, ela disse que apesar de acreditar na evolução, também acredita no deus católico. Gosta da idéia de um deus que é pai, misericordioso e que tem como único propósito amar e perdoar, além de reservar para o filho – no caso dela, a filha – algumas bonificações que incluem proteção e vida eterna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Toco nesse assunto porque me chamou a atenção uma passagem do livro de Diderot quando diz que “há poucos homens que saibam usar a venda nos olhos (referindo-se a alienação religiosa) tão bem quanto as mulheres.”  O caso, claro, exige atenção, não entrevistei mais do que algumas dezenas de alunas, meia dúzia de amigas e colegas de trabalho e devo dizer que não consultei nenhuma literatura sobre o assunto, mas o fato é que a impressão que carrego é a de que as mulheres parecem sentir uma premente necessidade de fé, de acreditar nos postulados das religiões, e essa necessidade – parece-me – é maior nelas do que nos homens.&lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
Em que podemos nos basear para chegar a algum consenso? Seria a mulher um ser em sua natureza mais propenso ao misticismo do que o homem? É justo o julgamento que fizeram os inquisidores quando queimaram milhares de bruxas na Europa da Idade Média? Ou a mulher não é nada mais nada menos do que a maior vítima de condicionamento cultural sofrido ao longo dos séculos? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma última hipótese, talvez a mais delicada, considerando o enorme salto que as mulheres deram no último século. Delicada porque pode enfurecer alguma feminista de plantão, mas vou registrar assim mesmo em nome da tal provocação. Se de fato fosse provado que a mulher, mais do que o homem, sente necessidade de relacionar-se com um pai eterno, esperando dele conforto e segurança, não seria essa nostalgia do Pai um indício de que o posto avançado da liberdade – no sentido filosófico, se preferirem – ainda não foi conquistado por elas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-2891749497901647901?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/2891749497901647901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/03/uma-provocacao-as-mulheres.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2891749497901647901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2891749497901647901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/03/uma-provocacao-as-mulheres.html' title='Uma provocação às mulheres'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-9102865953292511806</id><published>2011-02-07T15:07:00.000-08:00</published><updated>2011-02-07T15:07:08.222-08:00</updated><title type='text'>Da arte de não ler</title><content type='html'>Schopenhauer temia que o estudo dos clássicos estivesse ameaçado já no seu tempo. Com efeito, tal risco se evidenciava na sanha ignorante dos leitores contemporâneos do filósofo que – segundo o próprio – pareciam mais interessados nas publicações da moda, livros ruins, segundo ele, escritos por escritores que não viviam para a ciência ou para a poesia, mas da ciência ou da poesia. O pessimista, com boas razões para sê-lo, e que não foi lido em vida, tendo seu valor só reconhecido postumamente, lamentava profundamente a indiferença de seus contemporâneos preocupados com o livro como mero entretenimento – os romances de Eugênio Sue, por exemplo – ou aqueles de abordagens superficiais e não raro equivocadas dos filósofos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Engraçado como nós às vezes achamos que certos males de nosso tempo são exclusivos de nosso tempo e não um fenômeno também verificado em épocas que consideramos de ouro. Schopenhauer denuncia a futilidade dos leitores de seu tempo e o faz de tal modo que nós – fossemos seus contemporâneos – poderíamos arriscar dizer que era o despeito e não uma análise impessoal aquilo que o movia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O livro de que trato é o seu: Sobre o ofício do escritor, por sua vez dividido em três partes. Estas impressões são Da leitura e dos livros, o capítulo considerado por mim mais curioso, tão contemporâneas me parecem as preocupações ali manifestadas pelo autor.  Curioso é sem dúvida o lamento do escritor num tempo em que o livro figurava como protagonista; constituindo quase sempre entretenimento e fonte de saber dos homens de letras de um tempo e de uma Europa que posava de paradigma cultural do mundo ocidental.  &lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Acho que Harold Bloom estava pensando em Schopenhauer quando afirmou numa entrevista que não acreditava numa criança como leitora de futuro que tivesse sua iniciação com livros comerciais como Harry Potter, por exemplo. Segundo o crítico americano, o estrago seria tão alarmante que a criança, uma vez adulto, continuaria refém de um intelecto atrofiado, e permaneceria lendo e relendo o livro do bruxinho por toda a vida sem jamais (nevermore) permitir-se leituras mais ousadas e desafiadoras. Feitiçaria ou não, o fato é que as palavras de Bloom encontram correspondência numa das máximas do livro do filósofo que diz: “Livros ruins são um veneno intelectual: estragam o espírito”.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
E por isso, aos leitores que se reconhecerem nessa categoria, o filósofo aconselha mui sabiamente que “não ler é de máxima importância”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-9102865953292511806?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/9102865953292511806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/02/da-arte-de-nao-ler.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/9102865953292511806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/9102865953292511806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/02/da-arte-de-nao-ler.html' title='Da arte de não ler'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-822370214994654662</id><published>2011-01-31T08:04:00.000-08:00</published><updated>2011-01-31T08:04:52.342-08:00</updated><title type='text'>um homem sério</title><content type='html'>Num de seus ensaios: De como julgar a morte, Montaigne nos adverte sobre nossa tolice, arrogância ou ilusão com que encaramos nossa morte, algo como se “tudo sofresse, de algum modo com o nosso desaparecimento.” De fato, não é possível encarar o fim, o nosso em particular, senão com perplexidade, mas isso não quer dizer que o que experimentamos possa ser alguma coisa diferente de ilusão. A mais pura e simples. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rejeitamos a hipótese de Sísifo, e em tudo o que fazemos tratamos o mais convictamente possível de pôr ordem e significado. Se excetuarmos a natureza tudo o mais é o resultado desse esforço. A obra que construímos – família, sociedade, democracia, religião etc – é o que nos mantém centrados, estamos no caminho certo, diz o homem sisudo, para tudo há um propósito, repete para si mesmo o homem sério em sua oração matinal, e assim salmodiando convencemos a nós mesmos de que somos especiais, talvez até filhos de deus, quiçá feitos à sua imagem e semelhança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desse modo encontramos respostas para tudo, até para as desgraças nas quais nos flagramos vítimas; nossos infortúnios não são obra do acaso, são provações. Nesses momentos encontramos consolo no inconsolável Jó, somos seu irmão, desfrutamos o privilégio da preferência de deus. É como entendemos a vida se queremos emprestar-lhe sentido, e isso nos basta, mais que isso: nos fortalece, nos faz sentir especiais – alguns judeus desacreditaram de deus depois do holocausto, outros passaram a se sentir especiais, o mesmo ocorre com os argentinos depois que amargaram as ditaduras – o sofrimento nos eleva porque nele há um propósito divino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somos eternos. Cada ato ou pensamento dos quais somos ator e autor é aquilo que mais interessa ao responsável pelos buracos negros no espaço infinito. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas num dado momento, provocado por uma coisa ou outra, num sonho ou delírio, sentimos que cai a ficha e tudo ao nosso redor, tudo o que o homem construiu e se orgulha; a ordem a qual nos julgávamos pertencer, tudo não passa da obra de um sátiro e nossa verdadeira herança é o malogro. Foi essa a sensação que experimentei na última cena do filme: Um homem sério, dos irmãos Coen.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-822370214994654662?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/822370214994654662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/01/um-homem-serio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/822370214994654662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/822370214994654662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/01/um-homem-serio.html' title='um homem sério'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-2018798453605928731</id><published>2011-01-28T18:41:00.000-08:00</published><updated>2011-01-28T18:41:44.066-08:00</updated><title type='text'>um olhar equivocado</title><content type='html'>Às vezes uma pessoa se relaciona com um objeto: cidade, povo, língua ou outro alguém, a partir de um viés. Um olhar que apesar de exíguo, pouco fundamentado ou carente de experiência, torna-se a base em torno da qual é formulada uma idéia, impressão ou coisa outra fugidia que na falta de um termo melhor chamamos preconceito. A pessoa não sabe que é preconceito, na sua ingenuidade ou burrice está convicta daquilo que chama: opinião.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tal idéia ou impressão – preconceito – nasce do equívoco, da precipitação, da incapacidade de interpretar a realidade ao seu redor ou nasce do ódio, do despeito, da inveja. Uma pessoa presa de tal sentimento é normalmente alguém com forte propensão ao fanatismo. Nem precisaria dizer isso, já que me referi ao ódio. Mas o ódio tanto nasce de um grande conflito como entre Israel e a Palestina em que todos estão certos e errados ao mesmo tempo, um conflito que passa de geração para geração e encontra correspondência no mito da Torre de Babel e sua metáfora da complexidade que resulta em morte e sofrimento como pode ser um conflito entre torcidas diferentes por times de futebol. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há entre brasileiros (não todos) e argentinos (idem) algo assim. Conheço pessoas que detestam a Argentina embora nunca tenham viajado até lá nem lido nada sobre o país tampouco conhece sua música ou literatura. Alguns nem sabem que na Argentina se fala espanhol, mas detestam a Argentina e os argentinos e tudo o que ali possa ser identificado com a natureza ou cultura e o fogo que alimenta tanto ódio e estupidez se chama futebol.  Não gosto da Argentina, diz o imbecil, porque somos rivais no gramado. Uma pessoa assim devia comer de vez em quando o gramado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma coisa bem parecida acontece com algumas pessoas e seu olhar sobre os judeus. Não falo necessariamente dos palestinos porque é uma questão complicada, mais do que muita gente pensa, mas de tipos como os nazistas que odiaram um povo com base em teorias disparatadas que apontavam para superioridade e inferioridade de raças ou alguns cristãos que vêem nos judeus os assassinos de Cristo ou pessoas outras que não gostam de judeus por considerá-los arrogantes quando se auto intitulam os legítimos filhos de deus. Motivos não faltam, todo mundo conhece a história dos protocolos dos sábios de Sião, o documento que apresenta os judeus como conspiradores para dominar o mundo. Os protocolos são uma farsa, sobre isso não pode restar dúvida nenhuma; é inconteste sua fraudulência, há provas e mais provas. Muita gente, judeu ou não, já vasculhou todos os cacos no porão. Entre outras evidências, é sabido que a farsa se inspirou nos romances de Eugène Sue e O diálogo no inferno entre Maquiavel e Montesquieu de Maurice Joly, um satirista francês do século XIX, mas apesar disso muita gente ainda acredita – Ahmadinejad acredita – na legitimidade dos protocolos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A visão estreita é ditada pela ignorância. Eu confesso que não gosto do fundamentalista judeu como não gosto do fundamentalista de qualquer outra religião. Acho que a religião mais afasta do que aproxima e sem dúvida concordo com certo músico de Liverpool – assassinado por um fanático. Mas talvez ainda não estejamos – nem todos estão – preparados para um mundo sem religião. Um mundo assim ainda é uma utopia como é utópica uma sociedade anarquista. Já imaginou uma sociedade que não precisasse de polícia?, mas é inegável que o homem caminha e grandes passos foram dados. Na Europa do século XII seria impensável um Estado Laico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não consigo evitar minha admiração pelos judeus, não necessariamente pelo sionista ou judeu que apóia a política de Israel quando o assunto é a Palestina tampouco por aqueles que se julgam os escolhidos. Escolhidos para quê? Para o extermínio nos campos de concentração? Para o exílio? Se deus existe e é pai de alguém, certamente não é dos judeus; para os judeus ele tem sido um padrasto e um padrasto muito severo. Quando penso nos judeus não é para o religioso que devoto minha admiração, mas para o homem ou mulher capazes de transformar sofrimento em vitória senão em arte. Penso em Kafka (que nem sabia que era judeu), em Primo Levi (sobrevivente de Auschwitz), Singer que fazia questão de escrever em iídiche) ou Philip Roth (ateu convicto), além de John Updike e Isaac Bábel (assassinado por Stálin)e Art Spiegelman e seu gibi sobre o holocausto ganhador do Pulitzer e Will Eisner, por que não? e os irmãos Coen e Woody Allen e muitos outros que a lista é extensa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma vez eu segurava um livro e esperava minha vez numa fila para o autógrafo do autor. O livro é O último cabalista de Lisboa, e o autor, o judeu Richard Zimler, um tipo engraçado, alto, magro e de nariz incrivelmente longo. Uma pessoa na fila olhou para mim e disse o que pensava dos judeus: um povo incrível, ele disse, você sabia que proporcionalmente ninguém ganhou mais Nobel do que os judeus? Não, eu não sabia, mas não fiquei surpreso. Juro que não fiquei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-2018798453605928731?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/2018798453605928731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/01/um-olhar-equivocado.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2018798453605928731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2018798453605928731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2011/01/um-olhar-equivocado.html' title='um olhar equivocado'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-1789162987991746201</id><published>2010-12-12T06:36:00.000-08:00</published><updated>2010-12-12T06:53:10.922-08:00</updated><title type='text'>A Confraria</title><content type='html'>Eu vi na televisão – só podia ser – que cresce no Brasil o número de leitores. Será?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos: você é um escritor, e do tipo pretensioso; quer escrever boa literatura mesmo que isso represente fracasso financeiro e na melhor das hipóteses, depois de uma labuta tremenda – porque o esforço recompensa o gênio –, depois de anos e uma pilha enorme de páginas produzidas – algumas ganhadoras de prêmios importantes que não serão notícias no Jornal Nacional –, depois de tudo isso, talvez dois ou três casamentos e uma úlcera, você vai ser um ilustre desconhecido e vai ter de fazer vista grossa quando seu editor não conseguir disfarçar desagrado porque nem se passou dois anos e você já está com um livro novo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato não é muito diferente o universo de um escritor que conquistou boa editora e é distribuído nacionalmente e um escritor ainda não reconhecido, inédito (admitindo o fato que também seja um bom escritor). O primeiro não precisa pagar pela edição do livro, embora não receba um tostão por ela. O segundo paga do próprio bolso, às vezes consegue incentivo do governo ou é promovido pelos amigos. Tanto um como o outro terão tiragens muito próximas e insignificantes: o primeiro três mil exemplares, o segundo mil. Nenhum dos dois espera uma segunda edição. (no campo das improbabilidades, a segunda edição de um livro vem logo após a segunda vinda de Cristo)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro terá seu livro exposto na vitrine das principais livrarias durante uma semana inteira, depois os livros serão recolhidos para as estantes secundárias e passado um mês são despachados para o depósito e em seguida devolvidos à editora que vai tentar uma parceria com o governo num desses projetos de incentivo à leitura e se tudo der certo aquele livro de contos que dialoga com Cortázar e Osman Lins, leitura densa e difícil, vai ser adquirido pela metade do preço e depois de vencer toda a burocracia vai parar numa prateleira bonitinha, pintada de verde e recostada numa parede cheia de desenhos de uma escolinha de primeira a quarta série. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo vai fazer um lançamento para o qual serão convidados os amigos que vão comprar o livro para ajudar (não confundir com ler) estamos falando de filantropia, as pessoas estão imbuídas de um propósito mais nobre e sem falar que não lendo o livro a gente conserva o mito de que o autor fez por onde merecer seu nome indelével, com letras garrafais, na capa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que acontece hoje em dia é uma troca de figurinhas, foi o Marçal Aquino quem disse, e ele tem toda a razão. Quem ler literatura, boa literatura, é escritor. O aumento de leitores de que falam – o governo, que não é besta, e precisa vender seu peixe sobre os projetos nas áreas de educação e cultura – é mentira, conversa pra boi dormir. A tiragem de um escritor importante no Brasil não passa de três mil exemplares. Que história é essa de leitores? Que leitores? Do Paulo Coelho? Da Zibia Gasparetto? De auto-ajuda? Do livro que virou superprodução hollywoodiana? Não vale. É lixo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autofagia é o que existe de fato. Quer um exemplo? Pois bem, vou dar o exemplo: um grupo de escritores locais criaram um jornal literário que só teve cinco edições porque ninguém agüentava mais correr atrás de patrocínio. O jornal é bonito – alguns o consideram pretensioso. Um dos editores do jornal conheceu um escritor importante de São Paulo por ocasião de uma dessas festas literárias. Como esse tal escritor fosse muito simpático, o tal editor do jornal perguntou se ele não estaria interessado em colaborar com seu jornal. De fato é muito simpático o escritor, pois não apenas aceita como se sente (ou ao editor pareceu) lisonjeado. O conto foi mandado via e-mail e quando os editores – são três – venceram as dificuldades de praxe e pagaram à gráfica, o conto do escritor importante foi publicado numa das páginas principais. Todo mundo ficou orgulhoso. Como era de se esperar, alguns exemplares foram mandados para São Paulo, no endereço da residência do escritor importante que de fato é muito simpático.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Perceberam?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O texto do escritor de renome foi lido pelos escritores locais que tiveram seus textos lidos pelo escritor de renome. Escritor ler escritor que ler escritor. Está formada a Confraria, o resto é conversa, enganação do governo, manipulação de dados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-1789162987991746201?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/1789162987991746201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/12/confraria.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1789162987991746201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1789162987991746201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/12/confraria.html' title='A Confraria'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-7589676787497536401</id><published>2010-10-25T07:38:00.000-07:00</published><updated>2010-10-28T06:18:18.841-07:00</updated><title type='text'>medo</title><content type='html'>Medo. Todo mundo tem medo de alguma coisa. Às vezes o medo não é justificado como no caso daquela menina e seu horror pelas borboletas. As asas da borboleta, o pó que se desprende das asas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há quem tenha medo de lagartixas, a pele fria do pequeno réptil na pele da gente causa alguma coisa. Gastura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há pessoa que é razoável até no medo que cultiva. De escuro não nem assombração que isso é medo que tem as crianças depois de assistirem a filmes de horror. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um medo razoável é o medo que padecem as pessoas pragmáticas que no seu pragmatismo consideram a maioria dos medos pura frescura e invenção de analistas. Para elas o medo não é mistério e se explica (justifica) nos efeitos da desvalorização da moeda ou inflação, que é a mesma coisa ou na perda do emprego ou descoberta que o filho é gay.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o fato é que o medo nem sempre é lógico. Por exemplo, quem tem medo do inferno é gente de bem, que vai à igreja e paga os impostos. Há o medo das alturas vertiginosas. E o medo é maior – das alturas – naquelas pessoas presas de uma vontade louca de pular. Os suicidas que encontraram a morte no beijo com o asfalto decerto morriam de medo de lugares altos; consumaram o projeto quando se tornou irresistível pular. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os medos se inventaram nomes. Estrambóticos, alguns. E ficam lá, no dicionário. Acrofobia é o nome da doença daqueles que se sentem atraídos pelo precipício. De claustrofobia sofrem aqueles que temem acordar na sepultura, ludibriados pela morte que os fazem morrer duas vezes. Uma doença também chamada de Lázaro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu, por exemplo, morro de medo que meus sentidos não estejam funcionando direito, e fique comprometida minha apreensão da realidade. Foi assim que me senti esta semana, depois de assistir Tropa de Elite. Há filmes que nos deixam atônitos enquanto outros só servem para nos distrair enquanto comemos pipocas. Tropa de Elite além de ser um bom filme enquanto realização cinematográfica, é também do tipo que nos pega pela beca e nos sacode. Por isso, quando saí do cinema, fiquei meio aéreo e seriamente desconfiado de meu senso crítico, talvez embaçado e satisfeito demais com a normalidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-7589676787497536401?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/7589676787497536401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/10/medo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/7589676787497536401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/7589676787497536401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/10/medo.html' title='medo'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-3267390744072672835</id><published>2010-10-20T09:39:00.000-07:00</published><updated>2010-10-21T04:53:34.734-07:00</updated><title type='text'>Carrero está bem</title><content type='html'>Entre os escritores do Brasil, e eu estou falando daqueles que são bem editados e já podem contar entre suas conquistas com prêmios literários etc, noto que há muito diletantismo. Talvez porque aqui literatura nunca foi encarada com seriedade, porque só é encarado com seriedade aquilo que gera lucro. Literatura não é pragmatismo, é coisa do espírito, e num mundo onde mesmo as coisas do espírito precisam gerar lucro – a doutrina da prosperidade que o diga – a literatura passa por excentricidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez por isso e o fato de que a classe média brasileira não lê; os professore não lêem, nem os advogados que às vezes passam dez, vinte anos tentando passar no exame da ordem, tampouco os médicos, coitados, sem tempo para as coisas do espírito, ocupados que ficam a vida inteira com o ambicioso projeto de trabalhar muito para ficarem ricos, e a elite burra. Aliás, não se diz que o Brasil tem uma elite burra, pode-se incorrer em redundância. Já o povo, de todas as classes – o povo é uma classe? – faz um juízo diferente da literatura; pra ele literatura não é excentricidade ou perda de tempo, não é o mesmo juízo que faz a classe média ou elite. O povo não despreza a literatura, pelo contrário, sente por ela o mesmo que sentiam os católicos pela missa rezada em latim: não entendiam nada, mas por isso mesmo adivinhavam ali algo misterioso. O povo não lê não é porque o livro é caro. O livro é caro, decerto, mas existem espalhadas pelo país milhares de bibliotecas e salas de leitura que o presidente analfabeto criou. O povo não lê, na verdade, por duas razões: primeiro porque considera o livro algo misterioso e, como todos sabem, o povo é supersticioso, e segundo porque perdeu a inocência de tanto assistir televisão. A televisão é o veículo pelo qual o povo acompanha as modas inventadas pela classe média e a elite (em quem o povo se espelha), e entre tantas modas – algumas bem ousadas – não há nenhuma sobre o livro e seus mistérios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas eu dizia que entre os escritores do Brasil há muito diletantismo, talvez pelas razões demonstradas, e outras, sem dúvida. Ser escritor no Brasil não é fácil. De todas as profissões, é, sem dúvida nenhuma, aquela que melhor representa o Mito de Sísifo. Por isso os escritores – desmotivados – não levam muito a sério o que fazem. Mas há exceções – sempre há exceções – no caso da literatura eu citaria Raimundo Carrero que neste momento, enquanto escrevo essas linhas, está na UTI, se recuperando de um AVC. Carrero é incansável, é um monstro e vem demonstrando nos últimos anos um ritmo de trabalho atípico, tão diferente da produção da maioria de seus colegas diletantes. Num país em que as editoras não estão nem aí se o escritor está ou não com um livro novo, num país que não existe a figura do agente literário, num país em que as editoras abandonam o escritor pelo caminho e mesmo o escritor importante, ganhador de prêmios e reconhecimento da crítica precisa implorar para seu livro ser editado e esperar um ano inteiro, às vezes mais, que o editor se resolva. Num país como este Carrero faz a diferença. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele começou no Movimento Armorial, mas abandonou aquele universo, sua inquietação é a daquele escritor em permanente busca por outras possibilidades. Ele costuma dizer que ainda não escreveu a obra pela qual deseja ser lembrado, talvez não, mas sua produção já conta com algumas obras primas. Mas não é o suficiente, não está satisfeito e quem ganha somos nós, seus leitores, vivendo todos os anos a felicidade antecipada de encontrar nas livrarias o livro que deixará satisfeito seu criador. Deus não está satisfeito com sua obra, Carrero compartilha dessa opinião. É preciso melhorar, é possível melhorar um parágrafo, uma página. Sempre. Ele sabe o que diz, disse a mim mais de uma vez sobre meus contos. Precisam melhorar! Sem dúvida. Carrero é obcecado pelo que faz, e dizer isso é dizer pouco, ele é o nosso Flaubert lá de Salgueiro para o Brasil, um dos pioneiros das oficinas de criação literária desmistificando o mito besta e romântico da inspiração como única prerrogativa do fazer literário. Viva o trabalho, diria Carrero, a labuta, o esforço que possibilita a transformação. Sem fanatismo não há boa literatura. Carrero é um fanático e é também um dos caras mais gentis que conheço, é daquele tipo de gente capaz de ligar pra você no meio da noite só pra perguntar se está tudo bem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Está tudo bem sim. Estamos rezando por você, meu amigo, pedindo a Kafka que o proteja, a Henry Miller que não o desampare, a Zé Lins que não o deixe sozinho, pensando besteiras. Tudo vai correr bem, amanha vamos tomar aquela cerveja e dizer muita pilhéria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-3267390744072672835?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/3267390744072672835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/10/carrero-esta-bem.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3267390744072672835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3267390744072672835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/10/carrero-esta-bem.html' title='Carrero está bem'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-6720209944289232439</id><published>2010-10-13T10:51:00.000-07:00</published><updated>2010-10-13T15:59:48.691-07:00</updated><title type='text'>queixumes do carrasco</title><content type='html'>Louise Brouwn nasceu em 1978, foi o primeiro bebê proveta, depois nasceram muitos, fala-se em milhares. Este ano o Nobel de Medicina foi entregue a um dos responsáveis pela fertilização in vitro, o britânico Robert Edwards, de 85 anos. O Vaticano não gostou e quem nos deu a notícia de desagrado foi Ignácio Carrasco de Paula, presidente da Pontifícia Academia para a vida do Vaticano. Monsenhor Carrasco é porta-voz do Papa para assuntos relacionados à bioética, e disse que ficou perplexo com a escolha – que ele julgou fora de tempo – do novo laureado, lamentando o fato do prêmio ignorar as questões éticas levantadas pelo tratamento de fertilidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Monsenhor Carrasco diz que ficou perplexo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Perplexo é como fica alguém quando sente uma forte indignação. Perplexos deveriam ficar todos os católicos – principalmente eles – com o anacronismo de uma Igreja que não se deu conta que a Idade Média ficou pra trás, quando seus representantes mais ilustres preconizavam que questionar a vontade de um soberano era o mesmo que questionar a Deus. Perplexos com uma Igreja e sua insistência em ser sempre o lado na discussão que não tem razão. A história mais clássica é a querela com Galileu, mas houve outras, antes e depois e em todas elas, a representante de Deus perdeu feio. É claro que naquela época o que ela não possuía em argumentos, esbanjava em poder, tanto é que outros opositores, também famosos, como Giordano Bruno, viraram churrasquinho. Mas esse tempo passou. Ninguém agora é queimado e a Igreja, com sua postura anacrônica apenas contribui para deixar ainda mais constrangido o próprio católico, coitado, que já tem de fazer verdadeiros malabarismos mentais – que Nietzsche chamava improbidade intelectual – e buscar na vida dos santos exemplos de cristandade já que muitos sacerdotes não servem de modelo (acho que nunca serviram) e estão envolvidos até o pescoço com a Justiça e o pagamento de indenizações a vítimas de abuso sexual. Mas o Estado é laico, Monsenhor Carrasco pode dizer o que quiser.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estamos todos tranquilos, o carrasco não vai levar ninguém ao patíbulo, no máximo vai encontrar alguns simpáticos à sua causa, mas a maioria vai rir, achar engraçado e no final ninguém vai dar a menor atenção ao que o porta voz do vaticano tem a dizer sobre fertilização, manipulação genética, células-tronco embrionárias, clonagem ou uso contraceptivo da camisinha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E tudo isso porque no Estado Laico – uma de nossas maiores conquistas – o carrasco não tem vez. Há severas sanções proibitivas sobre o uso indevido de abrir alçapões ou lidar com mecanismos de guilhotina. Também caçaram o porte do machado e lhe arrancaram o capuz da cabeça, é por isso que o encontramos nesse estado: fazendo muchocho e beicinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-6720209944289232439?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/6720209944289232439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/10/queixumes-do-carrasco.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6720209944289232439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6720209944289232439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/10/queixumes-do-carrasco.html' title='queixumes do carrasco'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-3117228745673689369</id><published>2010-10-03T17:39:00.000-07:00</published><updated>2010-10-03T17:39:08.987-07:00</updated><title type='text'>narciso</title><content type='html'>O livro mais importante na vida de um leitor é aquele em que ele se reconhece. Falo de mim, de você. Muito tempo depois lendo e relendo aquele livro somos capazes de afirmar: ora, mas não havia nada ali que eu já não soubesse! De fato, há nessa afirmação uma confissão narcisista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que admiramos alguns livros por aquilo que eles foram capazes de fazer pela literatura, por exemplo, renovando a forma quando ela parecia impossível de comunicar nossas novas experiências. A esses livros devemos o renovado sentido do novo. Para os responsáveis, tiramos o chapéu. Kafka, Joyce ou Guimarães Rosa são ótimos exemplos. Também há os livros que nos despertam das letargias, os livros que causam perplexidades, aqueles que nos fazem desacreditar do gênero humano ou amá-lo incondicionalmente. Acho que todo mundo já se perguntou um dia: estou mais feliz depois da leitura deste livro? Provavelmente não, mas entendemos que foi necessário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não é desses livros – muito embora a química não os exclua – que eu me refiro. Não necessariamente dos renovadores da forma ou revolucionários ou aqueles que nos comunicam uma tristeza iniludível, mas daqueles livros que de cara nos pegam de jeito porque as metafísicas cruciais ali desenvolvidas são as mesmas que nos inquietaram a vida inteira, sutilezas que pensávamos só a nós pertencer, reflexos de nossas idiossincrasias. Refiro-me aos saudosistas – de uma saudade que também é nossa, é minha – que utilizando o recurso insipiente da linguagem e não uma sofisticada máquina do tempo, são capazes de recriar aquela época que foi nossa embora a idade nos desminta (essa contingência tirânica que nos limita e angustia e no final nos livra de todo sofrimento), falo dos bruxos, químicos e sinestésicos livros criadores de atmosferas. Uma atmosfera que eu – leitor – idealizo, mas não tenho consciência disso. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conheci um senhor, alguns anos atrás, dono de uma clínica, em Recife. Naquela altura da vida ele apenas supervisionava o trabalho dos filhos, estava aposentado ou algo assim, dispunha de tempo, portanto, me disse ele, para ler e reler um livro. Fiquei surpreso quando ele me disse o nome, eu julgava aquele livro um dos exemplos de livros lidos apenas por escritores. Em Busca do Tempo Perdido é feito da matéria da minha vida – ele disse. Nenhuma biografia da minha vida poderia ser mais fiel aos meus sentimentos, nenhuma recomporia melhor a atmosfera da minha infância. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claro estar que o mesmo livro, o livro de quem sou devoto leitor, pode não ser o seu, provavelmente não é, mas isso não importa, não estamos julgando méritos, não é tanto o livro, mas o quanto de alma gêmea ele é pra você. Pra mim. Não estamos falando de regras – que sirvam para todos – não é o caso de leis ou subordinações nem verdades absolutas. Provavelmente não há verdades absolutas, não nas coisas grandes, talvez nas pequenas. Na verdade eu estou falando de flerte, namoro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizem os psicólogos de plantão que quando nos apaixonamos, é por nós que o fazemos, o outro é só uma projeção de nós mesmos, um ente que só existe a medida que alimentamos sua natureza feita da essência do ser por trás de nosso olhar. Algo parecido acontece com os livros de que estou falando, aqueles que foram feitos – intencionalmente ou não – da matéria de nosso ser, de meu ser. (É essa minha impressão mais viva) São livros e mais livros adquiridos ao longo de muitos anos e que traduzem o mais ousado projeto de compor uma biblioteca pessoal. Os livros ali distribuídos são iguais num aspecto: parecem tentativas de compreensão da minha alma – a alma do leitor que sou; que é você quando a experiência é sua, são formulações – muitas delas disparatadas – de hipóteses sobre a minha existência, meu lugar no mundo, meu lugar na vida do outro, sobre de que é feito meu sangue ou qual o tamanho do meu coração. Enamoramos-nos desses livros, e eu não sei se eles nos ajudam a enxergar além do nevoeiro ou se contribuem ainda mais com a cerração. Desconfio até que esta questão não tem a menor relevância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-3117228745673689369?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/3117228745673689369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/10/narciso.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3117228745673689369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3117228745673689369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/10/narciso.html' title='narciso'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-5506767515074143846</id><published>2010-09-29T09:51:00.000-07:00</published><updated>2010-09-29T10:02:59.629-07:00</updated><title type='text'>no campo de centeio</title><content type='html'>Se nO Médico e o Monstro Stevenson trata da esquizofrenia quando se refere ao Dr Henry Jekyll e sua personalidade bipartida, Salinger, no seu O Apanhador no Campo de Centeio, trata do stress quando nos apresenta Holden Caulfield, um adolescente sob forte pressão, em sua jornada de volta para casa, depois de ter sido “chutado” da escola, o Internato Pencey, onde seu desinteresse pelo estudo resultou na conseqüente reprovação em quatro matérias. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dezembro, faz um frio desgraçado, mas ele vai se despedir do professor, o velho Spencer que está gripado. Nesse capítulo, o segundo, o que se vê é um professor que tenta justificar para si mesmo – principalmente para si mesmo – que teve de reprovar o aluno porque não havia outro jeito, que o aluno fez por merecer, que o desinteresse dele pela matéria não podia resultar diferente. Lendo o capítulo de novo, notei que tanto interesse em justificar a nota vermelha só podia ser sinal de que alguma coisa estava errada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O velho professor não está feliz, muito pelo contrário, aquela nota o incomodou e ainda incomoda, mas não há nada que possa fazer, é refém do sistema (década de 50). Não importa que Holden seja inteligente e criativo, não importa seu ótimo desempenho em inglês tampouco que mais tarde venha a escrever um livro considerado o porta voz de uma geração, o fato é que ele, Holden, foi reprovado em quatro das cinco matérias parciais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O livro conta a história de um adolescente expulso da escola e que volta pra casa e no caminho sofre a expectativa de enfrentar os pais. Um garoto aloprado e sua viagem, uma odisséia em que o viajante é dispensado de provar seu valor. Não há nenhum valor. A coragem, grandeza ou nobreza são adjetivos que não lhe pertence. Ele não é um cavaleiro, nem Dom Quixote, sequer a paródia de um herói, apenas um adolescente amargurado porque não cumpriu sua parte no jogo. É verdade que ele não escolheu jogar, que aquele jogo não lhe interessava, que considerava uma chateação suas regras. Mas é preciso jogar, todo mundo tem de jogar, é o único meio de provar seu valor, de ser aceito pela sociedade que seus mestres e pais se orgulham em pertencer. Ele é introspectivo e suas digressões denunciam a superficialidade da vida na classe média americana: seres esvaziados de significado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas nada disso importa, não importa sua capacidade de interpretar uma geração, sua sensibilidade em detectar a futilidade dos americanos, novos ricos e entusiastas do que o dinheiro poderia comprar; o consumo desenfreado e a banalidade. O fato é que foi reprovado nas provas, precisa ser expulso, procurar seu lugar entre os fracassados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O professor sofre, no íntimo sabe que o sistema comete uma injustiça em sufocar o menino, em avaliar seu talento tomando como base apenas seu desempenho em matérias escolares. Holden vai sofrer um esgotamento e vai parar numa clínica onde escreve o livro, sua válvula de escape. Outros, antes e depois dele, serão mais radicais: vão atirar nos colegas ou cometer suicídio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O assassino de John Lennon estava com O Apanhador no Campo de Centeio quando cometeu o crime, disse que a leitura do romance “forneceria a explicação de sua relação ambígua com o ídolo.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-5506767515074143846?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/5506767515074143846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/09/no-campo-de-centeio.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5506767515074143846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5506767515074143846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/09/no-campo-de-centeio.html' title='no campo de centeio'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-3873828890260331600</id><published>2010-09-21T04:50:00.000-07:00</published><updated>2010-09-21T05:10:19.476-07:00</updated><title type='text'>o miserável homem de um livro só</title><content type='html'>Não há nenhum problema em se acreditar num Pai – a nostalgia do Pai, como se diz em filosofia – muita gente concorda que isso contribui para melhor viver a vida enquanto dura o fôlego, antes dos acontecimentos – inexoráveis – da velhice e a morte e a certeza de que nosso corpo – com certeza ele, pelo menos – vai virar comida de verme, cinza ou pó. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nenhum mal, portanto; um Pai é sempre bom, ele e sua figura consoladora. O problema está quando resolvem nomear esse Pai, dá um endereço e um Livro onde tim tim por tim tim é apresentado um Código com normas e leis severíssimas sobre como deve proceder o filho. Quando isso acontece, o mal está feito. Cada um reivindica seu Pai como Único e Legítimo e quem não concorda com Ele merece morrer, mesmo quando esse mesmo Pai recomenda o amor e o perdão. Nesse momento o Livro com suas leis, normas e parábolas, perde consistência e adquire tal relativismo que se pode ler guerra onde está escrito paz e morte onde antes se lia amor.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os eventos de intolerância religiosa não pertencem somente ao passado; todos os dias registramos casos, embora não se dê a eles devida importância. Isso que o Pastor Terry Jones disse numa declaração, que queimaria o Alcorão, não são apenas as palavras de um fanático enfurecido, muita gente que se julga decente e candidato mais que provável ao paraíso, no íntimo concorda que se deva queimar mesmo aquele livro ou qualquer outro que conte uma versão diferente dos fatos postulados pelo Livro de seu Pai – partindo do princípio que a assertiva em questão não constitua puro delírio e possa haver concordância entre o que se toma como fato e aquilo que se denomina dogma e por isso não aceita refutação porque toda sabedoria do mundo é loucura para Deus.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que os religiosos – principalmente os cristãos, em particular os que o vulgo convencionou chamar: evangélicos – insistem com a idéia de que todos precisam se salvar? – de quê? – e quase sempre a salvação está subordinada a aceitação de uma determinada religião ou seita e o pagamento mais que justo do dízimo sem o qual estaria comprometida a Obra do Senhor. Parece-me por demais pretensioso achar que justamente aquela seita ou religião é a correta, que todas as outras estão erradas. Algumas dessas seitas cristãs não têm mais do que dez, vinte ou trinta anos, e se julgam os verdadeiros escolhidos quando religiões da Índia ou China são milenares. Estarão todos errados? Gerações e gerações condenadas ao Purgatório de Dante?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta celeuma os espíritos mais evoluídos – religiosos – preferem o diálogo inter – religioso. Mas como conciliar pólos antagônicos e não incorrer em improbidade intelectual?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Deus um delírio, que andei relendo por esses dias, Dawkins nos chama a atenção para algo curioso: um religioso sempre considera absurda a experiência religiosa do outro. Não do mesmo da sua igreja, terreiro ou mesquita, mas do outro, de outro credo, cultura ou tradição. É por isso que o pastor Terry Jones deseja queimar o Alcorão, ele acredita que no fundo no fundo está prestando um serviço a Deus, assim como antes dele, no 11 de setembro, os fundamentalistas islâmicos achavam que prestavam um serviço a Alá, quando destruíram as Torres Gêmeas. Isso me lembra Bertrand Russell, ele que por amar a verdade foi tão perseguido pelos religiosos do seu tempo – século XX. Escreveu num de seus artigos que os fanáticos são fundamentalmente iguais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-3873828890260331600?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/3873828890260331600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/09/o-miseravel-homem-de-um-livro-so.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3873828890260331600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3873828890260331600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/09/o-miseravel-homem-de-um-livro-so.html' title='o miserável homem de um livro só'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-6124133743880810206</id><published>2010-08-03T08:08:00.001-07:00</published><updated>2010-08-16T05:10:18.075-07:00</updated><title type='text'>curso de leitura</title><content type='html'>Acho que falta um curso de leitura. Sim, um curso. Há curso para tudo, até para... Não, não vou dizer. Não quero ofender a ninguém. Todo mundo tem o direito de fazer o curso que quiser. Pois então, por que não há um curso de leitura? Isso mesmo, você ouviu bem: leitura. As pessoas não sabem ler, e isso não é novidade, fala-se em analfabeto funcional, o sujeito que sabe juntar as sílabas, soletrar e formar a palavra que é pronunciada por ele num gesto mecânico. As palavras formam a frase, oração, parágrafo e aí o nosso amigo se embaralha todo e não consegue entender o que acabou de ler. 

Tudo bem, esta é uma discussão, válida, sem dúvida, mas não é desse leitor – sem dúvida nenhuma aquele que mais carece de atenção – de quem desejo falar, mas de outro, um caso, talvez, menos complicado e que tem sua problemática – menos caótica –situada numa outra esfera. Falo do leitor médio. Ele sabe juntar as letras e formar as palavras, frases e orações e, diferente do outro, entende o que lê. Seu ecletismo lhe permite passear pela ficção e não raro a poesia. Comparece a lançamentos de livros de poesia, tem amigos poetas e sabe de cor pelo menos um soneto de Augusto dos Anjos. Gosta de romances, apesar de opiniões como a de um amigo advogado, formado num conceituado curso de direito da capital, que considera esse tipo de leitura uma perda de tempo. Ele – o tal amigo bacharel – não sabe, mas repete com suas palavras um axioma de Oscar Wilde. Pois bem, o leitor, esse sujeito que se senta para ler um livro sem futuro, como são os livros de literatura, normalmente perde tempo mesmo, mas não pelas razões sustentadas pelo senhor pragmático, e sim porque não tem critério, lê o que lhe cai às mãos e não distingue um autor do outro; pra ele livro é livro, as duas capas guardando o miolo de algum modo conferem legitimidade às palavras ali impressas. 

Imagino esse leitor diante de enormes prateleiras de uma grande livraria. Ele vai à livraria e se sente o mais notável dos homens, um sujeito raro, pertencente à fina flor de uma sociedade sob a égide da cultura. Seus confrades são homens e mulheres – uma minoria, certamente – abnegados defensores de certo ideal dos antepassados, hoje vilipendiado pelas gerações mais novas. De fato, ele vai à livraria, cumpri um ritual, pois é um iniciado da tal sociedade, mas quando se vê diante das prateleiras de livros compreende como ninguém o significado da palavra Babel. As lombadas, com nomes de autores e obras não lhe dizem nada, ele se sente confuso, sente uma vertigem e é preciso ser levado às pressas ao banheiro onde vomita por dez ou vinte minutos. Quando se sente recobrado, atribui à indisposição os efeitos de uma intoxicação alimentar. Naquele dia desiste das prateleiras, vai ao mostruário e pega o primeiro livro escrito por bruxos ou espíritos desencarnados que encontra. Paga com o cartão de crédito e sai da livraria aliviado do vômito e da incursão no mundo de babel.  
 
Não há exagero, é mais ou menos esse o perfil do leitor médio brasileiro. Ele não conhece a produção do passado – os clássicos – tampouco a da chamada pós-modernidade ou contemporaneidade. O sujeito afirma que leu uma edição resumida do Dom Quixote – dos tais famigerados paradidáticos – e nem se dá conta do sacrilégio cometido. Os eventos de literatura que se espalham pelo país, como a Flip, reúnem de um lado escritores consagrados que desenvolvem suas falas para aspirantes a escritores, jornalistas culturais, editores ou professores da área de letras que trazem seus alunos – alguns muito bem intencionados, outros nem tanto – como parte integrante de algum projeto pedagógico de incentivo à leitura blá, blá, blá. Nesses eventos, os escritores mais famosos não passam de ilustres desconhecidos. No país inteiro, segundo Marçal Aquino, existe uma média de 1000 leitores potenciais, isto é, aquele que não se enquadra em nenhuma das categorias mencionadas anteriormente, e mesmo assim cultiva o hábito de ir à livraria, onde escolhe um bom livro e o compra com a mais genuína intenção de ler porque isso lhe causa prazer. Ainda estamos naquela de nos comparar com a Argentina e nos espantar com o número de livrarias de Buenos Aires; uma para cada seis mil habitantes, contra uma para cada setenta mil brasileiros. É um saco, muita gente não gosta de tocar nesse assunto, fazer o quê?

O leitor médio devia aprender com aquele cara que gosta de futebol. Ele não joga nada, é perna de pau, mas tem seu time do coração, uma paixão que influenciou a esposa e os filhos _ às vezes a esposa é quem influencia o marido – pois bem, o cara não joga nada, não é jogador, treinador ou cartola, mas está por dentro de tudo, é capaz de fazer um diagnóstico da situação de seu time bem como dos adversários. Acompanha os campeonatos estaduais, nacionais e internacionais, sabe a escalação do time e se amarra nos programas de televisão especializados em comentar lances, além do caderno de esporte, o melhor caderno do jornal, o único lido do começo ao fim. 

Coisa muito diversa acontece com o leitor médio. Ele não assiste a nenhum programa de televisão que entreviste o escritor, não lê o jornal que traz resenhas de livros, não compra nem lê revista especializada no assunto nem pertence ao clube do livro, por isso não conhece nenhum escritor. Muitas vezes acontece de estar lendo um livro e quando lhe perguntam o autor ele não sabe responder, diz que não se liga nessas coisas. Nunca compra livro; compartilha a opinião de que o livro é caro, não importa quanto sejam seus rendimentos, se de um salário mínimo ou cinqüenta. Desconhece as edições de bolso ou aquelas que contam com a participação de algum fundo de apóio à cultura, como foi o caso da belíssima coleção de Grandes Escritores da Atualidade, da Planeta DeAgostini; nomes como Saramago, Ian McEwan, Ernesto Sabato, Ítalo Calvino, Rubem Fonseca, entre outros, editados no melhor papel, capa dura e de excelentes traduções ao preço módico de dezesseis reais, adquiridos na banca de revista. Esse leitor lê o que lhe cai às mãos – já que não compra. Não estabelece um padrão, não distingue Stephen King de Philip Roth, seu nível de leitura não progride, de vez em quando – quando alguém lhe empresta – lê reportagens ou biografias de famosos, mas sua paixão mesmo são os livros de auto-ajuda. 
 
É por isso que eu sugiro um curso. Um curso de iniciação à leitura, uma coisa que já acontece nas oficinas de criação literária, Carrero que o diga. Mas não falo de um curso para quem deseja escrever, mas para quem deseja lê, que a leitura é uma arte tão importante – decerto mais prazerosa – quanto a escrita. Uma vez eu li uma frase escrita numa dessas revistas de divulgação de literatura, a frase é curiosa e se aplica aqui: &lt;em&gt;não devemos ler os bons livros&lt;/em&gt;, dizia a frase, &lt;em&gt;mas os ótimos&lt;/em&gt;. É isso o que quero dizer com curso de leitura; os leitores precisam entender que há muita coisa boa a ser lida, mas a vida da gente não ajuda, é curta. E aí, paciência, não adianta culpar Adão, o tempo é finito, sejamos criteriosos em nossas escolhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-6124133743880810206?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/6124133743880810206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/08/curso-de-leitura.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6124133743880810206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6124133743880810206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/08/curso-de-leitura.html' title='curso de leitura'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-813848814254579234</id><published>2010-07-04T12:20:00.000-07:00</published><updated>2010-07-04T12:24:07.793-07:00</updated><title type='text'>José Saramago</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Foram diferentes minhas reações diante de duas notícias acerca de José Saramago. A primeira quando o escritor ganhou o Nobel e a segunda quando o homem foi surpreendido – porque sempre somos surpreendidos, jovens ou velhos, saudáveis ou doentes – pela morte.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Foi em 1998, eu já conhecia o escritor fazia uns dois anos. Nesse período li pelo menos três livros dele: Levantado do chão, O Evangelho segundo Jesus Cristo e Memorial do Convento. Recebi a notícia e desejei comemorar, mas naquele tempo – nem faz tanto tempo assim – não havia mais ninguém, dos meus conhecidos, que conhecesse Saramago, alguns já haviam ouvido falar, mas não tinham lido nada. Meu entusiasmo esbarrava sempre numa quase indiferença do outro. Mas eu estava animado, era um escritor que eu gostava e escrevia seus livros na minha língua. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Sexta feira, dia 18, entretanto, recebi a notícia da morte dele sem nenhuma reação. Eu queria sofrer, mas não sofria. Não tinha jeito, e durante o resto do dia e no dia seguinte também. De vez em quando me acontecia de encontrar pessoas– isso sem mencionar as ligações para meu celular – que me perguntavam sobre a morte, se eu já sabia...  Eu sentia vontade de responder – talvez tenha respondido para alguns – que não sabia, e de novo tentava sofrer em vão. Nada de sofrimento. Nenhuma lágrima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;José Saramago se fez escritor – é pelo menos essa a idéia que faço dele – para ser útil. Parece uma contradição. Numa certa medida não deixa de ser, principalmente quando voltamos nossa atenção para o esteta. Não é por acaso que tenha publicado tão tarde, nele havia uma preocupação com o como escrever. É claro que para ele havia muito a dizer, berrar, gritar e denunciar as injustiças do mundo, o sofrimento do homem explorado pelo homem e a miséria do fanatismo, mas não é panfleto o que o escritor deseja produzir, não é um mero discurso, é arte, é literatura e aí reside a questão. De fato. Poucos escritores conseguiram a proeza de escrever uma obra engajada, pragmática, um romance, conto ou poema que fosse também, além do que sua natureza exigisse, um veículo de propagação de uma idéia. Essa subordinação da arte é perigosa e José Saramago sabia disso. Além do mais, as idéias ou verdades – mesmo as verdades ou aquilo que entendemos como tal – correm o risco de envelhecer.   &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Foram dois livros, lidos um depois do outro, que me apresentaram o universo romanesco de Saramago. Depois, claro, vieram outros que li com o mesmo deleite, alguns mais do que outros como O Ano da Morte de Ricardo Reis, mas os dois livros, apresentados nesta ordem, me chamaram a atenção para dois aspectos fundamentais: o escritor e sua preocupação com o tratamento dado à linguagem e o escritor e aquilo que desejava comunicar ao mundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Em Levantado do chão, a história da família mau-tempo, lavradores do Alentejo, desde tempos muito remotos até a Revolução de 1974, eu me encantei com a oralidade inventada de José Saramago. Era o tipo de texto que nos prende porque exige toda a nossa capacidade de leitor, do outro que também é autor, numa certa medida, e participa efetivamente do processo de criação. Depois foi a vez do Evangelho Segundo Jesus Cristo. Também a prosa – aquela oralidade – e agora a história, uma de minhas preferidas. Mas não como é apresentada no livro sagrado que não suporta refutação, mas a história recontada – como antes já fora por Kazantzákis – do Crucificado que incorpora os elementos do humano e se faz humano. Nesse livro, profanar o sagrado não é desrespeitar, mas inquirir até onde nos bastam as verdades, até onde vai o mito e nos arrasta juntos e se ainda nos serve de modelo. José Saramago foi nosso Voltaire contemporâneo, talvez menos galhofeiro, mais sisudo, e quase sempre melancólico porque pessimista. Não o tipo de pessimismo que não acredita em nada, negativo, mas aquele que desconfia da normalidade, que conserva sua capacidade de se indignar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Não gosto da morte. Aliás, na minha família, é uma tradição ninguém gostar da morte. Meu avô sofria de melancolia sempre que alguém o lembrava da morte. Ele já morreu, deixou de sofrer. Papai ainda sofre, e eu espero que continue sofrendo durante muitos anos. Eu idem. Mas não tem jeito, um dia, mais cedo ou mais cedo – porque é sempre cedo – eu e todo mundo vai se encontrar com a indesejada das gentes. Fazer o quê? Saramago parece que não gostava também. Para nós que nos pusemos em contato com o eterno – a literatura é uma das responsáveis por isso – fica difícil engolir a morte. Diante dela só a revolta. Mas não há o que fazer, além de se revoltar. No caso de Saramago, pelo menos, a morte adiou sua vinda e deixou que o homem completasse alguns de seus projetos – quase todos livros. É verdade que faltaram outros, sempre falta, mas acho que ele morreu consciente de que fez o melhor que podia fazer. E sua dignidade para com o fim sem nunca se sujeitar às idéias consoladoras da religião é a impressão mais forte que guardo dele e, talvez por isso, não sofri, o homem voltou ao nada, sua obra, entretanto, continuará conosco ainda por algum tempo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-813848814254579234?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/813848814254579234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/07/jose-saramago.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/813848814254579234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/813848814254579234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/07/jose-saramago.html' title='José Saramago'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-568746031528864246</id><published>2010-06-23T05:03:00.000-07:00</published><updated>2010-06-23T05:18:46.050-07:00</updated><title type='text'>Paris é uma festa</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Tenho saudade de meu tempo de jovem adolescente quando lia sem entender nada os teóricos do Comunismo. Tenho saudade de Sandra, uma menina por quem estive apaixonado ali pelos meus 13 anos. Ela era linda, já tinha peitos – o que me rendia certa catarse solitária – e nutria por mim o desprezo característico que as meninas de 13 anos sentem pelos meninos da mesma idade. Sinto saudades de outras coisas que vivenciei e de pessoas que já não são as mesmas ou deixaram de existir. Mas também sinto saudades de lugares por onde nunca andei e de épocas que nunca vivi.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Uma dessas épocas é a década de 20 e um dos lugares – alguns já adivinharam – é a França. Paris, para ser exato. Tal experiência se repete todas as vezes que leio &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Paris é uma festa&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;, do Ernest Hemingway. O testemunho que dá o autor é autobiográfico. O livro não é ficção, é memória e sem dúvida nenhuma se constitui na gênese de outro livro – este sim, de ficção – que eu leio com o mesmo deleite do primeiro. Todos já sabem: &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O Sol também se levanta&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;. A atmosfera – ou a sensação que em mim provoca – que provém de Paris daqueles primeiros vinte anos do século passado povoada de artistas, músicos, poetas e escritores, a maioria pobre, muito antes da fama, vivendo um período de formação, mas sem a rigidez que lhes proibisse o prazer de tomar vinho, uísque e o que mais lhes ajudasse a combater o frio das casas sem calefação. Um período de formação que também incluía frequentar – porque faziam parte do meio – o ateliê de pintores excêntricos que mais tarde se suicidariam de tão excêntricos, acompanhados quase sempre – antes de cortar os pulsos ou morrer de overdose – de mulheres, algumas de vida fácil, mas todas lindas e seduzidas por eles – os artistas – e suas visões de mundo encantadoras, muito embora pessimistas ou niilistas ao ponto de Gertrude Stein taxar aquela geração de perdida. Tal atmosfera, como eu dizia, tem o efeito de me embriagar como o vinho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Ter vivido naquela época – a mim parece – é pertencer a um dos mais interessantes períodos da história, e é claro que quando digo isto estou ajudando a construir o mito. Mas quem começou foi Hemingway. Foi ele quem disse que era pobre e feliz. Os poetas neoclássicos nos falam da vida campestre e de homens simples e rudes e, por isso mesmo, felizes. Hemingway nos dá conta de homens urbanos, sofisticados, excêntricos e exigentes, porém felizes. Parece uma contradição de termos. Mas, mais do que isso, é a sua experiência. Ele era jovem, estava apaixonado e entusiasmado com sua carreira de escritor. A gente não pode esquecer que o livro foi escrito muitos anos depois, um ano antes de sua morte. Hemingway estava saudosista daquele tempo e por certo idealizou muito, assim como eu faço – muitos fazem – quando lêem o livro e se deixam seduzir por ele.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Andar nas ruas de Paris. Nas ruas não, nas calçadas. Frequentar os cafés e quando não encontrar ninguém para conversar sobre o nosso mais novo projeto literário, sentar a uma mesa, e beber uma taça de vinho olhando para quem passa. Caminhar com eles, homens e mulheres – muitos dos quais morrerão na guerra – e despercebido do perigo que nos ronda, sentindo-se mesmo pleno de felicidade e desfrutando de uma inocência da qual sentiremos saudade mais tarde, imaginar personagens e poder traçar – um minuto antes do clímax alcoólico – alguns perfis de personagens.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Alguém sensato dirá que esta Paris não existe. Jamais existiu senão para Hemingway. Talvez. Não me interessa pensar assim. Só sei que todas as vezes que abro as páginas de &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Paris é uma festa&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; sinto-me como se tivesse sido minha a experiência – e não a de Hemingway – de viver em Paris nos anos vinte, ao lado de minha esposa que me ama e me admira. Antes do fim da inocência. Mas não é apenas uma lembrança – e aqui me mostro mais poderoso do que o autor. Eu, o simples leitor – parece que ainda estou lá, sou o usurpador da experiência do outro, vivendo todos os dias aqueles dias felizes. Só preciso abrir as páginas. Durante o tempo da leitura dura em mim a sensação de eternidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-568746031528864246?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/568746031528864246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/06/paris-e-uma-festa.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/568746031528864246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/568746031528864246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/06/paris-e-uma-festa.html' title='Paris é uma festa'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-8932395416466789871</id><published>2010-06-09T20:25:00.000-07:00</published><updated>2010-06-10T08:44:24.624-07:00</updated><title type='text'>Indignação</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Tenho lido tudo o que vem sendo publicado do Philip Roth aqui no Brasil, nos últimos anos, e venho fazendo isso desde quando descobri o autor, a coisa de uns dez anos e por puro acaso. O livro que veio parar nas minhas mãos, por força do destino, foi O Teatro de Sabath. Encontrei-o na prateleira da livraria – pequena livraria que, me parece, ainda funciona num quartinho – minúsculo quartinho – na faculdade onde cursei letras no final dos anos 90. Carlos, o dono da bodega de livros, disse que o romance veio parar ali por engano – nas prateleiras só havia livros técnicos, muita coisa de biologia e história e também pedagogia e outros livros que propunham conhecimento e pragmatismo – os clientes do Carlos não perderiam tempo com livros inúteis – e por isso o Teatro estava sendo vendido por um preço realmente ridículo, só pra desocupar espaço na prateleira, disse-me o Carlos. Li o comentário na orelha do livro e o comprei. Mas não foi o enredo ou a informação de que o autor havia conquistado o pulitzer aquilo que me fizeram comprar. Minha maior motivação, devo dizer, foi mesmo o preço, uma ninharia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Li o livro alguns dias depois e aí não parei mais, vieram depois dele Pastoral Americana, A Marca Humana, Homem Comum e muitos outros como o impagável Complexo de Portnoy. Todos publicados no Brasil. Gostei de cada um deles, uns mais que outros, mas gostei de todos e hoje, dez anos depois do Teatro de Sabath, posso dizer que sou um fã. Sem carteirinha nem gritinho. Apenas fã. O que o Philip Roth escreve eu compro e leio imediatamente, mesmo quando estou interrado até o pescoço noutros projetos de leitura.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Por esses dias li Indignação, seu penúltimo romance – o último já saiu, chama-se A humilhação – nele Roth conta a história de Marcus. Ao contrário de outros personagens que sofrem as pressões da velhice, este é jovem, e nem por isso menos trágico.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Vamos começar do começo, bem simples, não vou dizer tudo, imagino que muita gente ainda não leu e prefere ficar sabendo do desenvolvimento da narrativa pelo próprio Philip Roth, mas é preciso dizer que Marcus, o narrador, conta sua história do mundo dos mortos como o nosso Brás Cubas – isso fica patente na orelha do livro – logo não estou adiantando nada. Pois bem, Marcus, o autor defunto é um menino de 18 anos e estava na faculdade quando tudo começou, o contexto é do início da década de 50 quando seu pai é açougueiro kosher, isto é, vende carne sem sangue para judeus. Os EUA estão em guerra contra a Coréia e Marcus, que perdeu dois primos na Segunda Guerra, morre de medo de ser convocado para ser recruta zero e morrer. E se morrer é uma coisa estúpida e nos desafia os sentidos, morrer na guerra é ainda mais estúpido e sem sentido. Ele é um bom garoto, e de tão bom chega a ser perfeito, sua mãe acha isso, seu pai e todos os vizinhos judeus compradores de carne kosher também concordam. Dedicar-se aos estudos, portanto, que ele já fazia por vocação, pois é menino prodígio, autodidata e leitor dos bons, agora com a guerra e a possibilidade de virar estrume na Coréia, passa a ser, além da única via possível de interromper a tradição de açougueiros da família, a estratégia de que precisa para driblar o Tio Sam e não ser convocado ou pelo menos não ser convocado como soldado raso com todas as chances possíveis de efetiva participação no front.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Vamos lá. Ele sai de casa para fugir do pai porque o senhor açougueiro teve uma coisa, pirou, teve um surto, foi acometido pela síndrome do pânico. De repente ficou desesperado com a idéia – fixa – de que algo de ruim pudesse acontecer com o filho. Único filho. E esse desespero não tinha motivos. Tudo bem que havia a guerra, mas a guerra não convocaria o Marcus, e sobravam motivos pra isso, ele não se enquadrava no perfil de bucha de canhão, estava se graduando, era o melhor da classe. Aluno nota dez. Graduar-se ou se casar valia uma dispensa da guerra. A fixação do pai, portanto, era doença. É a mãe de Marcus quem reconhece isso. Fica claro na conversa entabulada com o filho quando vai visitá-lo no hospital. É ela quem fala do marido, hoje um desconhecido, tão diferente do açougueiro kosher com quem se mantivera casada todos esses anos, alguém que sempre conseguiu se manter na linha, justo, coerente e honesto, um homem de quem ela sempre se orgulhou e agora sentia medo. Tanta é sua convicção de que o marido não é mais o dr. Jekyll, que está disposta a se divorciar dele. Mas não se divorcia, e a isso se deve o acordo que faz com o filho. Ele não devia se encontrar mais com a namorada que cortou os próprios pulsos. Em troca disso desiste do divorcio e volta para Mr. Hide.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Pois é, há a namorada. A garota que faz sexo oral no primeiro encontro e deixa o Marcus meio desorientado. Mas nós estamos na década de 50, estamos nos EUS de maioria cristã e o Marcus, mesmo sendo ateu e dono de bom discernimento, ainda é um homem do seu tempo. Está preso a valores, mesmo àqueles que ele despreza e que, não fosse a precoce interrupção da vida, provavelmente superaria. Nós estamos – insisto – no início dos anos 50, ele só tem 18 anos e há a guerra. A famigerada guerra é a grande causadora do stress.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Pois é, o stress. Marcus não é inconseqüente juvenil como Ícaro, ele não é frágil, impetuoso ou cheio de ódio – talvez um pouco de ódio – mas um ódio por ser incompreendido, por tipos como o diretor e os dois alunos com quem ele divide os dois primeiros quartos. Um deles, o Betram Flusser, que faz barulho e não deixa o colega estudar. Pronto, se muda e quando se muda uma segunda vez o faz por razão diversa, mas ainda assim razão: o Ewleyn Jr. ofende a menina por quem Marcus se julgava apaixonado. Deixa o quarto, procura outro, qual o problema?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O problema é que desta vez tem que se explicar com o diretor da faculdade que o convoca a seu gabinete. Tem de explicar por que em tão pouco tempo mudou-se duas vezes. Marcus explica ou pelo menos tenta. E por mais que se explica não se faz entender. Não adianta dizer que o Betram é um vagabundo, esse sim um inconseqüente, que não deseja estudar nem deixar ninguém estudar. O diretor, que é religioso, e obriga a todos os alunos, cristãos e judeus, além dos ateus, a assistirem ao culto, ministrado por ele próprio, está disposto a não levar em consideração os argumentos de Marcus. Sobre o aluno já formulou seu conceito. E o conceito formulado por ele é de que Marcus está fugindo, do pai, do açougue, dos colegas de quarto, da guerra etc.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Então é a vez de Marcus pirar. É muita pressão, do pai, da guerra, dos colegas de quarto, da mãe e sua chantagem, da namorada que se decepcionou com ele, com sua reação de homem da década de 50 que não consegue encarar numa boa o fato de ser chupado no primeiro encontro e por fim aquele diretor Caudell e seu interrogatório despropositado, um tipo detestável de dono da verdade a quem Marcus considera supersticioso e limitado. É interessante o diálogo dos dois, quando Marcus, cansado de não conseguir se fazer entender na sua enésima tentativa de explicar as razões que o levaram a mudar-se duas vezes, explode e acaba dizendo tudo o que pensa do diretor e da maneira como ele conduz a faculdade obrigando os alunos, independentemente de suas convicções, a freqüentar o culto religioso. Philip Roth, no discurso da personagem, reproduz trechos inteiros de "No que acredito" de Bertrand Russell, livro considerado blasfemo pelos religiosos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Então Marcus perde o controle das coisas e suas &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;ações mais banais&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; resultam no desfecho trágico. Mais do que Ícaro e sua queda provocada pela inconsequencia juvenil, a queda de Marcus não é tão simples, pois carrega consigo uma boa dose das pressões provocadas por quem não quis ou não pôde entender suas razões mais simples de encarar o mundo e levar a vida. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-8932395416466789871?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/8932395416466789871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/06/indignacao.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8932395416466789871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8932395416466789871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/06/indignacao.html' title='Indignação'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-8047621051583726579</id><published>2010-05-31T06:31:00.000-07:00</published><updated>2010-05-31T06:33:50.636-07:00</updated><title type='text'>DEUS um delírio</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Richard Dawkins, no seu brilhante &lt;em&gt;DEUS um delírio&lt;/em&gt;, nos conta que “&lt;em&gt;umas das punições mais rígidas do Antigo Testamento é a imposta à blasfêmia. Ela ainda está em vigor em determinados países. A seção 295-C do código penal do Paquistão prevê a pena de morte para esse “crime”. No dia 18 de agosto de 2001, o dr. Younis Shaikh, médico e palestrante, foi condenado à morte por blasfêmia. Seu crime específico foi dizer aos alunos que o profeta Maomé não era muçulmano antes de inventar a religião, aos quarenta anos. Onze de seus alunos denunciaram-no às autoridades pela ofensa&lt;/em&gt;.”

É interessante quando percebemos que a história não revela muitos casos – para não dizer nenhum – de ataques de ateus ou agnósticos contra religiosos. Os exemplos de violência partem quase sempre dos religiosos em direção àqueles que se arrogam o direito de não professar religião nenhuma ou o de admitir simplesmente seu sentimento de negação para com Deus. Eu conheci um professor de inglês que passou uns dias vivendo em nossa cidade, onde se empregou em algumas escolas. Ele apresenta duas peculiaridades que o distingui do tipo mais comum e normalmente aceito de heterossexual e cristão, é assumidamente gay e ateu. Numa conversa me disse que não enfrentou problemas por causa da opção sexual, pelo menos não o tipo de problema incontornável. Mas, quando em uma escola ficaram sabendo de seu ateísmo, as coisas tomaram outro rumo que resultou na sua demissão. Disse que não apresentaram nenhuma justificativa. Não houve sequer a tentativa em explicar o porquê de estar sendo demitido, apesar do bom trabalho desenvolvido na escola. Apenas apresentaram a demissão e pronto.

Há um capítulo inteiro em DEUS um delírio em que Dawkins trata dessa questão. Ser ateu não implica dizer herege, assassino ou bruxo, termos esses que em épocas bem remotas foram usados como “sinônimos” para ateu. Dawkins vai mais longe quando diz que o Velho Testamento não pode servir de modelo de moralidade, não para os nossos dias, não para o tipo de civilização que construímos. Nosso zeitgeist moral não nos permite mais considerar a mulher como mera propriedade. Hoje em dia ninguém concordaria com a atitude do hospitaleiro em Juízes 19, 25-26. Sentimos alguma dificuldade em entender as razões que levaram Jave a exigir de Abraão o sacrifício de Isaac, tampouco é justificado o genocídio contra os midianitas e a fúria de Moisés contra os soldados que pouparam as crianças e mulheres. Acho que muito provavelmente poucos entre nós concordariam com o procedimento de Josué em Jericó e ninguém que eu conheça está disposto a atender o Levítico que nos recomenda matar qualquer um que trabalhe no sábado ou mantenha relações sexuais com o mesmo sexo. Em outras palavras, o Velho Testamento pode ser uma boa obra de ficção, pode haver valor poético como há na Ilíada ou Odisséia, mas seguramente não há um valor moral que nos possa servir de modelo. Muitos que o consideram assim costumam seqüestrar aviões para bater contra prédios. Só há duas maneiras de entender tal livro como modelo de moral: Ou você é um fanático religioso, pertencente a alguma sociedade teocrática ou simplesmente nunca o leu.

André Comte-Sponville em &lt;em&gt;O Espírito do Ateísmo&lt;/em&gt;, aborda, entre outras questões, a de que é possível viver sem religião e que há de fato espiritualidade no ateísmo. O livro é um convite ao prazer da leitura e seu autor, o filósofo, discorre sobre questões polêmicas com delicadeza e diplomacia. Aponta a ética como a luz do farol que deve guiar a todos nós, ateus ou religiosos, em nossa passagem pela vida. Para ele, esta vida, a vida que temos, é a única possível e diante disso a alternativa viável é viver do melhor modo possível. O ateu, mais do que aquele que espera os préstimos de uma vida pós-tumulo, tem as melhores razões para ser ético e isso faz toda a diferença e nos assegura que ele, muito diferentemente do que pensava certa personagem dostoievskiana, é nossa melhor aposta na construção de uma sociedade que tem na vida, seu mais precioso bem. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-8047621051583726579?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/8047621051583726579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/05/deus-um-delirio.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8047621051583726579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8047621051583726579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/05/deus-um-delirio.html' title='DEUS um delírio'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-4213858306563549142</id><published>2010-05-15T07:44:00.000-07:00</published><updated>2010-05-18T09:57:17.783-07:00</updated><title type='text'>a visita dos mórmons</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;D&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;ois mórmons com forte sotaque americano outro dia bateram à minha porta. Eu estava sozinho e eles perguntaram se podiam entrar para uma conversinha sobre algo que poderia me interessar. Eu sabia que nenhuma conversa de mórmon poderia me interessar, mas como tenho um grave problema de não saber dizer não, nem mesmo a mórmons, deixei que entrassem.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Cada um deles se sentou numa poltrona, gesto esse que foi imitado por mim, que fiquei com a terceira, a do meio. Os dois rapazes, de pele branca e sardas no rosto, ainda não tinham dito nada e eu já brigava com minha compulsão de olhar o relógio, afinal era sábado e aos sábados a gente só deve fazer o que gosta. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Um deles, como que adivinhando minhas considerações mentais a respeito de desperdício do tempo, perguntou-me se poderia contar uma história. Eu disse que foi pra isso que eu os deixei entrar, ele não entendeu minha ironia e prosseguiu retirando de uma pasta o que pareciam três cartas gigantes de baralho. Na primeira um homem de tez confiável entrava num bosque, na outra tinha sua atenção voltada para uma direção de onde emanava forte luminosidade e na terceira, com o semblante que era pura contrição, aparecia ajoelhado diante de um Jesus ariano de quatro metros de altura. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Durante a exposição das ilustrações, feita por um dos rapazes de sardas no rosto, o outro me narrava em seu português, carregado de sotaque, a história de como foi dada a Joseph Smith a revelação de um novo evangelho, apesar de Paulo, o inventor do Cristianismo, nos advertir que é anátema todo evangelho que não trouxer a assinatura de João, Marcos, Lucas e Mateus. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Quando ele terminou sua história, fitou-me por um momento e perguntou o que eu estava sentindo. Ele não me perguntou o que eu achava; o que pra mim devia ser a pergunta mais cabível, mas talvez sua pergunta mais do que uma intenção, refletia sua dificuldade com a língua. No momento não sei se encarei assim, lembro-me apenas que em cima da dele fiz minha própria pergunta, esta sim, cheia de intenção. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Posso ser honesto?, eu perguntei. Eles se entreolharam e não sei se entenderam. Houve qualquer coisa como uma confusão nos olhos deles. Talvez aquela palavra – honestidade –, ainda mais em português, fosse-lhes completamente estranha. Os mórmons ainda esperavam que eu dissesse o que sentia quando usei outra palavra, esta sim, mais do que a outra; completamente estranha no vocabulário mórmon. Eu disse que sentia incredulidade. Disse que não podia acreditar num Jesus de estatura normal, muito menos num de quatro metros, e disse que mais estranho do que aquela altura toda era o fato dele estar na América. Eles continuavam sem entender quando eu completei: Jesus era comunista, o que é que diabo fazia na América do Norte? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Quando foram embora, me restituíram o sábado e me deixaram de presente o Livro dos Mórmons, que eu conservo até hoje, só pra contrariar o Paulo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-4213858306563549142?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/4213858306563549142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/05/visita-dos-mormons.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/4213858306563549142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/4213858306563549142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/05/visita-dos-mormons.html' title='a visita dos mórmons'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-5635863920404060585</id><published>2010-05-05T17:15:00.000-07:00</published><updated>2010-05-05T19:06:59.612-07:00</updated><title type='text'>Wilmot e Meslier</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Clarence Wilmot, ministro presbiteriano, é um personagem interessante do John Updike. No romance, Na Beleza dos Lírios, ele é um religioso que resolve – para poder argumentar a favor de sua fé – ler autores como Nietzsche e Darwin a fim de refutá-los. Acontece, porém, que o tiro sai pela culatra e o ministro, ao invés de refutar os argumentos dos materialistas, descobre-se convencido deles. A implicação é perder a fé e se deparar com o absurdo. Durante algumas páginas acompanhamos o drama da personagem que tem sua vida transformada a partir daquele evento – o da perda da fé – de organizada e coerente em caótica. É interessante o conselho que lhe dá um de seus superiores, de que ele continuasse assim mesmo, sem fé, com a prática religiosa. Wilmot, sem temperamento para tanto, e cativo de uma honestidade latente para consigo mesmo, não empreende a farsa e abandona o ministério. É claro que ele sofre todo tipo de recriminação por parte da família que não consegue entender como alguém pode levar tão a sério uma crise de fé. Desistir do ministério significa perder o emprego e a casa paga pela congregação. O resto de sua vida será consumido vendendo enciclopédias para sustentar os filhos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Eu me lembrei do Wilmot porque acabei de ler Memória, o livro de Jean Meslier, padre ateu que viveu no século XVIII. Diferente da personagem de Updike, o padre que também se descobre sem fé, não abandona o ministério e vive a farsa de ser padre durante quarenta anos. Nesse meio tempo ele vai escrever suas memórias e nelas dizer tudo o que pensa do cristianismo e catolicismo. Sem dúvida nenhuma as memórias o ajudarão a manter a farsa.  Imagino o padre, todas as noites, munido de pena, tinteiro e papel, sob a luz bruxuleante de uma vela, fazendo a sua terapia como uma forma de não perder totalmente o respeito a si mesmo. O livro das memórias é seu testamento. Escrever para ser publicado postumamente não o redime da covardia, já que o morto – principalmente para um ateu – não pode mais ser atingido, mas o redime, em parte, da falsidade. Sua prática noturna, algo para a qual certamente exigia muito de um cura de província, semi-letrado, não deve ter sido fácil, mas foi a alternativa que encontrou para compensar uma vida inteira de mentiras. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Tanto numa personagem quanto na outra, uma tirada da ficção, outra da realidade, uma coisa é comum: a atração pela ética. E acho que nesse sentido os ateus ganham de disparada dos religiosos. Enquanto para estes ser ético constitui uma espécie de salvo conduto para a outra vida, sem a qual o prêmio do paraíso estaria comprometido, para aqueles, os ateus, ser ético é uma necessidade para se viver a única vida possível.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-5635863920404060585?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/5635863920404060585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/05/wilmot-e-meslier.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5635863920404060585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5635863920404060585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/05/wilmot-e-meslier.html' title='Wilmot e Meslier'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-2336352307577331764</id><published>2010-04-26T07:18:00.000-07:00</published><updated>2010-04-28T07:38:25.752-07:00</updated><title type='text'>O livro de eli</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Parece um bom filme, pelo menos no início, sentimos qualquer coisa como uma expectativa, quando acompanhamos o peregrino caminhando dentro de um cenário apocalíptico, alguma coisa que nos faz pensar – fez a mim – n'A Estrada, ótimo livro do Cormac McCarthy, com a diferença de que no livro as personagens reproduzem o humano e, no filme, o personagem representado por Denzel Washington parece mais um herói das histórias em quadrinhos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Desde o início, fica claro que o Livro de Eli é na verdade a bíblia, novo e velho testamentos, e é provavelmente o último exemplar. Uma guerra varreu a terra e o livro, segundo comentário de uma personagem, foi o responsável porque, com a sua “verdade”, dividiu nações e instigou o conflito. No mundo desolado, não sobraram exemplares, tendo sido queimados para se evitar outra guerra. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Faz 30 anos que ocorreu a guerra e desde então a única prerrogativa é sobreviver num mundo caótico onde a antropofagia não causa mais pudicícia em ninguém e ter o controle da pouca água restante faz de um homem o senhor absoluto. Na estrada seguindo para o oeste, está o peregrino, ele acha que uma voz sussurrou àquela direção, é a mesma voz já sussurrada antes nos ouvidos de Moisés, Paulo, ou Joseph Smith. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;A perseguição ao peregrino e o desejo de posse da bíblia traduzem a história da motivação. Tanto o mocinho quanto o bandido estão convictos de sua motivação. Enquanto o primeiro está crente de que obedece a uma ordem e a um propósito, algo maior do que ele, que ele não entende porque é insignificante, mas algo em que deve confiar porque bom e justo, o segundo deseja o livro para fazer dele uma arma para controle social, a mesma coisa que fez a Igreja Católica durante os mais de mil anos, que duraram a Idade Média.&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;O peregrino chega aos destroços de uma cidade dominada por um homem que a conquistou a base da força. É um tipo excêntrico que se espelha nos ditadores do século XX, logo na primeira cena aparece lendo uma biografia de Mussolini. Seu desejo, sua obsessão é conseguir a bíblia e para isto está disposto a tudo como utilizar mercenários selvagens, que matam e pilham a todos na estrada numa desesperada cruzada para encontrar o livro. Quanto ao peregrino ou mocinho, manter-se firme em seu propósito de conduzir o livro até onde deve, até onde a voz ordenou que levasse, não importa a custa do sacrifício que fosse, é aquilo que dá sentido ao homem que sabe que vai morrer, mas a morte não assusta mais, a própria morte deixa de significar desesperança e passa a ocultar outro sentido, o da promessa de eternidade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;O filme peca quando cria uma personagem estereotipada por que pautada no dualismo que divide mocinhos e bandidos. Não há inocência na história do cristianismo e é desrespeitoso – para não dizer pior – esse negócio de um livro, quer seja a bíblia, torá ou alcorão se arrogar o direito de verdade universal. A história do cristianismo não é a história dos justos, há, inclusive, quem faça uma distinção muito clara entre o Cristo e os cristãos. O cristianismo católico serviu aos poderosos, conferiu poder divino a todos os reis que só tiveram esse princípio violado em 1789, depois de considerada uma visão racionalista de mundo. Os peregrinos da vida e sua motivação são os resultados de fanatismo e ignorância, eis tudo. Se alguém quiser chamar isso de fé ou de boa vontade, fique à vontade, mas não muda o fato de que não passam de pobres ignorantes que não se dão conta de que estão servindo à causa do mais forte, como a legião de evangélicos que enriquecem com o dízimo a conta bancária dos Edir Macedos . &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;O filme não convence, a história é fraca, inverossímil, o peregrino é o Demolidor sem máscaras, capaz de lutar com um bando inteiro sem sofrer arranhões, num roteiro bem típico de Hollywood, que também inclui explosões e mensagem politicamente correta, é mais um bom exemplo que agrada ao público que vai ao cinema porque &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;gosta de pipoca.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-2336352307577331764?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/2336352307577331764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/04/o-livro-de-eli.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2336352307577331764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2336352307577331764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/04/o-livro-de-eli.html' title='O livro de eli'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-4588213846457101158</id><published>2010-04-13T05:04:00.000-07:00</published><updated>2010-04-13T05:30:25.014-07:00</updated><title type='text'>leitor de conto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O conto privilegia um texto sutil onde as palavras dizem menos e escondem mais.

Tenho reparado que mesmo bons leitores muitas vezes fazem uma leitura indigente do conto e não percebem nem vinte por cento das sutilezas ali escondidas. Não é uma informação o que se deseja obter no conto, mas uma revelação que exige, muitas vezes, nossa participação efetiva no processo criativo. Leitor de conto não é passivo e para angariar o prazer próprio da leitura lhe é cobrado o preço de certo esforço intelectual. É por isso que nenhum editor no Brasil gosta de livros de contos. Pior do que eles só os de poesia.

Vamos imaginar um conto em que um velho compra a casa onde nasceu e se estabelece nela de posse de seis garrafas de vinho. Uma vez ali estabelecido ele começa a tomar as garrafas e lamentar o fato de ter deixado um livro de poemas do Sá-Carneiro no hotel. Promete a si mesmo pegar o livro na primeira oportunidade que nunca aparece. Os vinhos são mencionados e todos são exemplares de uma adega de um homem ao mesmo tempo de posses e de bom gosto. Nesse meio tempo o leitor começa a suspeitar de que há algo estranho e aquele homem possivelmente veio ao encontro da morte. É interessante notar que o poeta português mencionado foi suicida. A suspeita se confirma quando nos últimos parágrafos ficamos sabendo que antes de comprar aquela casa e fazer sua viagem solitária, aquele homem enterrara a própria mulher. O conto termina quando ele relembra o projeto que se desenhou na mente enquanto faziam descer o caixão de Helena, sua esposa, tal ação narrativa se desenrolaria mais ou menos assim: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“&lt;em&gt;comprar a casa e mudar-se pra lá de posse apenas de um livro, provavelmente o que estivesse lendo, e algumas garrafas de vinho. As melhores de sua adega. O passo seguinte era fácil. Não comer nada, só vinho e quando as garrafas secassem nem isso&lt;/em&gt;.”

O patético suicídio por inanição parece encontrar na morte da mulher o possível motivo e é, certamente, essa a conclusão do leitor apressado.

Pois se não, vejamos. Se ele queria apenas se matar por causa da mulher morta, por que compra a casa onde nasceu?, não haveria nisso nenhum outro propósito?, a casa onde nasceu é provavelmente a metáfora de que o autor precisa para de novo confrontá-lo com seus fantasmas. Essa história, a outra história, que o Ricardo Piglia chama de secreta é aquilo que mantém a tensão do conto e o justifica como obra literária.

O senhor de quase oitenta anos, dono de uma cultura literária e uma adega comprada a custa de uma pequena fortuna foi uma criança quebradiça, debilitada e que por uma estranha razão sobreviveu aos outros, a seu pai morto de câncer aos 37 anos e seu irmão, ainda criança, morto num estúpido acidente automobilístico. Essa é a história que nos é contada nos flashbacks que aparecem entre uma garrafa de vinho e outra. Cada um deles é um pedaço do quebra-cabeça que vai construindo aos olhos do leitor o perfil da personagem.

Basta prestar a atenção, num momento e noutro ele se pergunta por que não morreu no lugar do irmão e lamenta não ter herdado o câncer do pai. Voltar a casa, portanto, é retomar o fio da discussão e continuar a inquirir o absurdo da existência que não nos poupa o sofrimento da perda. Ele deseja se matar porque não suporta a morte. É a história de um homem revoltado com o absurdo de existir e que vê na morte da mulher a gota d’água de que precisava para dar um basta.&lt;/span&gt;



&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-4588213846457101158?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/4588213846457101158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/04/leitor-de-conto.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/4588213846457101158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/4588213846457101158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/04/leitor-de-conto.html' title='leitor de conto'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-6170541784376215492</id><published>2010-03-12T08:49:00.000-08:00</published><updated>2010-03-12T08:54:32.169-08:00</updated><title type='text'>sobre o plágio insosso da realidade</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Num dos contos de &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Detalhes de um Pôr-do-sol, Nabokov – ou &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;a personagem de&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; Passageiro – &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;compara a página de literatura com a vida e entre uma e outra – em termos de complexidade e sucessão de eventos absolutamente não condicionados a uma idéia de ordem e concisão artística – lamenta a subordinação do artista que necessita modificar tais elementos que a realidade fornece para somente assim alcançar “uma espécie de harmonia convencional e concisão artística”.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;No conto, a personagem – um escritor –, narra para outra personagem – um crítico – uma história por ele vivenciada. Nada de mais. Um episódio dos mais simples. Está num trem e faz uma viagem noturna. Numa das paradas ele acorda – pois está deitado na cama beliche – e percebe que há um novo passageiro na cabine. O sujeito está sentado na cama de cima e seus pés balançam enquanto se prepara para dormir. O escritor acorda com o movimento que faz os pés do outro e fita aqueles membros. Na verdade se detém e na descrição que faz enfatiza algumas particularidades como o fato de serem repelentes. Por fim os pés desaparecem debaixo das cobertas e seu dono passa a reproduzir um choro ou grunhido que se estende – com uma pequena interrupção aqui e acolá – durante a noite. O escritor, desperto, não tem alternativa senão acompanhar o lamento do outro, enternecer-se e se angustiar tentando imaginar sua origem. A noite é longa e o choro parece não ter fim, mas num dado momento o escritor é vencido pelo sono. Na manhã seguinte é despertado pelo camareiro. Levanta-se e nota que seu vizinho deixou de chorar – ninguém sabe a que altura da noite – e dorme profundamente enrolado dos pés à cabeça. O escritor, contando a história ao crítico, parece querer alimentar certo mistério em torno da identidade daquele homem que dorme. Mas o deixa para trás e ganha o corredor no momento em que o trem pára numa estação onde um grupo de policiais entra chamando a atenção de todos. Os homens da lei estão procurando por um assassino que matou a mulher adultera e que, ao que tudo indica, se encontra naquele trem. Eles revistam a todos e se dirigem para a cabine onde dorme o homem que passou a noite chorando.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Está tudo esclarecido, portanto, e o leitor esperto já adivinhou: o choro daquele homem durante a noite é o resultado de uma alma que sofre as dores de consciência próprias de quem cometeu um ato ignominioso. Mas o que se segue, entretanto, é o que a vida oferece e não a arte. O homem mostra os documentos e logo fica esclarecido que não se trata do assassino. Decepcionante?, talvez, mas são as tramas da vida, bem mais complexas, caóticas e reticentes do que aquelas oferecidas pelo escritor que usa “truques pessoais para dar sabor a nossos plágios insossos” da realidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Sem dúvida nenhuma é uma crítica aos escritores que na narrativa “punem a virtude no começo e o vício no fim”, e nesse grupo podemos incluir todos os autores de novela e romances campeões de venda feitos para agradar ao público. Nabokov faz a defesa do Realismo. O escritor, personagem do conto, deseja ser o autor de Lolita que nos chocou – não por uma mera questão de pudicícia – mas por nos contar uma história que se desenvolve a partir de anotações do diário de um pedófilo – com todos os truques para parecer real – e seu desejo abjeto por uma menina de 12 anos. Não há uma tentativa de parecer agradável, H.H. é um monstro, sem dúvida, e se simpatizamos com ele é porque sua estranheza não é tanta que o diferencie de nós mesmos. Nisso reside umas das preocupações de Nabokov: a realidade como é e não como gostaríamos que fosse. Em alguns momentos a narrativa de Lolita pode parecer enfadonha para um leitor convencional, mas na verdade ela revela a intenção do autor de impor à prosa um ritmo que imite a própria vida. Não há intenção de agradar – não é para isso que se presta o romance – mas para desconcertar o leitor e fazê-lo enxergar a si mesmo, desnudo do desejo de ilusão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-6170541784376215492?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/6170541784376215492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/03/sobre-o-plagio-insosso-da-realidade.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6170541784376215492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6170541784376215492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/03/sobre-o-plagio-insosso-da-realidade.html' title='sobre o plágio insosso da realidade'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-6051879813035691800</id><published>2010-03-09T17:26:00.000-08:00</published><updated>2010-03-11T03:09:26.537-08:00</updated><title type='text'>Moisés, exemplo de intolerância religiosa</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="WHITE-SPACE: pre"&gt;&lt;/span&gt;Os cristãos destruíram deuses em nome de seu deus soberano. O deus cristão é o único deus, mas os sacerdotes de batina enxergavam nos ídolos pagãos da Grécia ao México uma ameaça, coisa no mínimo curiosa, já que os pobres ídolos nunca passaram disso, de formas inanimadas de barro não transcendental. Quando leio o Velho Testamento noto que os padres tiveram em Moisés um bom exemplo de intolerância religiosa. O episódio é conhecido por todos: Moisés é advertido por Deus que a turma lá em baixo está aprontando. O velho patriarca levando as tábuas dos dez mandamentos – aquilo devia pesar pra burro – se apressa em descer o Monte Sinai e de fato encontra seu povo dançando na maior alegria diante do bezerro de ouro que foi moldado por Aarão – irmão e profeta de Moisés escolhido pelo próprio Iahweh – que usa sua arte para atender as aspirações do povo. Moisés, entretanto, não gosta nem um pouco do que vê; presa de uma fúria que só encontrará precedentes em Átila e no Incrível Hulk, faz pedacinhos do bezerro de ouro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="WHITE-SPACE: pre"&gt;&lt;/span&gt;Nessa passagem bíblica há dois pontos interessantes e dignos de nota. O primeiro reforça minhas desconfianças nos fatos narrados. Não consigo entender como o mesmo povo que presenciou todos os prodígios realizados por Moisés em nome do Deus; vocês devem se lembrar de alguns como a vara transformada em serpente – não confundir com nenhum duplo sentido – , a água transformada em sangue, rios poluídos e peixes mortos e o desespero dos ambientalistas, as pragas de rãs, dos mosquitos e moscas e a peste que matou os animais dos egípcios, inocentes ou não. As úlceras, a chuva de pedras – não confundir com meteoros –, mais pragas de gafanhotos e finalmente o mais prodigioso feito contra os egípcios: a morte de todos os primogênitos. Segundo conta o livro sagrado, ninguém foi poupado, nem o mais pobre egípcio, nem mesmo aquele que morava fora da cidade e era contrário à política do faraó. Este, como todos os outros, sofreu a perda irreparável do filho. Aliás, nem o gado foi poupado, toda vaca e todo boi perdeu seu primeiro filhote – muito tempo depois um romano vai tentar um feito parecido, mas não vai chegar nem perto –, e todos esses prodígios, além do Mar Vermelho que se tornou terra seca para passagem do povo, tudo isso e outros “milagres” não vão surtir efeito sobre a fé dos israelitas em Iahweh. Cansados e impacientes com Moisés – que era péssimo escrivão – e por isso se demorava escrevendo nas tábuas os dez mandamentos, vão se dirigir a Aarão e solicitar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 36pt"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Vamos, faze-nos um deus que vá à nossa frente, porque a esse Moisés, a esse homem que nos fez subir da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu. (Êxodos 32,1)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 36pt"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal;font-family:Georgia, serif;" &gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O segundo ponto é, na minha opinião, a história das religiões que está bem representada na fúria de Moisés quando desce do Monte Sinai e destrói o ídolo de ouro. Acho que as religiões, principalmente as de tradição judaico-cristã e islâmica, não têm feito outra coisa senão dividir os homens. Há uma ética,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="FONT-STYLE: normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; por certo, e dela a religião se aproveita e se sente justificada. De fato o Judaísmo, Cristianismo ou Islamismo não manda ninguém ser mau, e entre as oposições antitéticas, é preferível o bem ao mal, a virtude ao vício, a bondade e não a crueldade. Mas há muita hipocrisia e o convívio é apenas tolerado. É fácil notar isso. Temos desde exemplos os mais radicais como aqueles que nos oferecem judeus e palestinos que não fazem uma distinção muito clara entre as coisas de interesse do Estado e da Religião, e exemplos menos radicais – dependendo do lugar – como nos dão católicos e protestantes que até convivem pacificamente, mas no íntimo estão certos do quanto estão errados os outros em sua interpretação do Cristo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-6051879813035691800?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/6051879813035691800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/03/moises-exemplo-de-intolerancia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6051879813035691800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6051879813035691800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/03/moises-exemplo-de-intolerancia.html' title='Moisés, exemplo de intolerância religiosa'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-5815852407918889465</id><published>2010-03-08T19:39:00.000-08:00</published><updated>2010-03-09T07:56:04.197-08:00</updated><title type='text'>outro pesadelo de Kafka</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Desde quarta feira que tento resolver uma pendência com o Banco Real. Desde quarta e ainda não consegui. O problema é simples: O Banco descontou sem aviso prévio a bagatela de 700 reais da minha conta. Não entendi e como sou desorganizado imaginei que alguma coisa me escapara, talvez um cheque que não anotei ou uma compra irresponsável – que tratei de esquecer – usando o Visa Elétron. Mas não foi nada disso, e tudo se esclareceu: O Banco descontou quatro parcelas de um empréstimo que eu – honrado que sou – já havia quitado como manda um bom acordo entre cavalheiros. Desde então venho tentando resolver o entrave que cada vez mais ganha contornos kafkianos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O gerente me esclareceu tudo, não pediu desculpas e apenas me informou que eu deveria me dirigir ao setor onde meu problema seria resolvido. Não era ali, ele disse. Mas com o pessoal do empréstimo consignado. Acontece que esse tal setor está congestionado já faz dias como provavelmente não esteve nem durante o Bug do Milênio e por isso todos os dias tem sido a mesma penitência: Chego às 13 horas – é o horário que posso chegar –, dirijo-me ao setor de consignado, resignado retiro minha ficha e me sento na cadeira lendo uma coletânea de contos de horror – aliás, bem apropriado – até o momento quando alguém cerimonioso me informa que devo voltar amanhã, já que o sistema – por mais incrível que pareça – saiu do ar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;No primeiro dia peguei uma ficha de atendimento número 49 e fiquei deveras desolado quando comparei com o número na placa luminosa. Faltavam duas horas para se encerrar o expediente bancário e eu tinha 44 pessoas na minha frente. No segundo dia a ficha trazia o número 52 e as coisas só pioraram já que sexta feira o número pulou para 58. Hoje, segunda feira, fiquei quase feliz fitando um simpático 55.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Quando fui informado que o sistema saiu do ar – durante quatro dias consecutivos o destino nunca foi tão repetitivo – faltavam dez minutos para as cinco horas e nisso tudo intui uma simbologia dos números. A moça me deu uma ficha de número 6 e foi a primeira vez que peguei um número contendo apenas um dígito. Naquele meio tempo achei que só existissem dezenas. Amanhã estarei lá com minha ficha número 6. Na numerologia o seis significa liberdade. Não ambiciono outra coisa, finalmente estar livre do pesadelo de Kafka e reembolsado dos meus 700 reais. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-5815852407918889465?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/5815852407918889465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/03/outro-pesadelo-de-kafka.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5815852407918889465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5815852407918889465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/03/outro-pesadelo-de-kafka.html' title='outro pesadelo de Kafka'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-3907042881261997449</id><published>2010-02-22T07:51:00.001-08:00</published><updated>2010-02-22T07:56:41.726-08:00</updated><title type='text'>males da província</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Gostar de boa literatura ou de bons filmes – a música nem tanto – é um sentimento que numa cidade como a nossa quase não temos com quem compartilhar. Sofremos uma espécie de mal que é comum na província. Padecemos de uma atroz mediocridade. Parece que as limitadas dimensões geográficas do lugar (da província) de algum modo influenciam nossa visão de mundo e nossos gostos, mesmo nesses tempos de internet e outras possibilidades de se ir além da linha do bojador. Não se vê ninguém discutindo um bom livro ou um bom filme. Na maioria dos casos, o comentário feito por algum “luminar” recai sempre sobre obras de auto-ajuda ou o novo filme de Hollywood. O luminar de que eu falo não é ninguém saído do povo, mas da classe média. O que é pior. Há exceções, sem dúvida nenhuma, mas a maioria dos profissionais liberais como médicos, advogados ou professores, além de jornalistas, empresários ou funcionários públicos viventes da província levam muito a sério esse negócio de ser provinciano e se limitam a um gosto médio de consumo tão medíocre que faz parecer patético – embora bem intencionado – nosso adjetivo mais antigo de Suíça Pernambucana. Além da altitude e do clima frio o que tem nossa cidade diferente de uma província?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-3907042881261997449?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/3907042881261997449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/02/males-da-provincia.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3907042881261997449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3907042881261997449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/02/males-da-provincia.html' title='males da província'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-1335981974713960326</id><published>2010-01-29T15:53:00.000-08:00</published><updated>2010-01-29T17:49:36.023-08:00</updated><title type='text'>metalinguagem</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Provavelmente eu acabei conhecendo a literatura da Argentina depois de ler Borges. No século XX Jorge Luis Borges é uma figura central na literatura, influenciou escritores, diretores de cinema e artistas dos quadrinhos, como Neil Gaiman, por exemplo. Conhecer Borges, portanto, é o que acontece, mais cedo ou mais tarde, com quem gosta de livros. Há uma coisa, entretanto, entre os argentinos e outros escritores de língua espanhola do século XX que acabaram por me chamar a atenção, a mim que de cara simpatizei com aquele axioma de Borges em que ele se declara mais orgulhoso dos livros que leu do que daqueles que escreveu. E essa coisa não é outra senão fazer da própria literatura o tema central de seus contos e romances.

Ricardo Piglia, autor de Respiração Artificial, romance que conta a história de uma busca que inclui a reconstrução da biografia de um possível traidor e um encontro misterioso entre Kafka e Hitler; o catalão Enrique Vila-Matas que a Cosac vem publicando no Brasil desde 2004, autor de Batlerby e Companhia, espécie de romance-relato sobre escritores que por causa da consciência crítica não escreveram ou escreveram um livro ou dois e depois disso renunciaram à escrita e o chileno Roberto Bolaño, morto em 2003 e que vem, desde a década de 90 se notabilizando no mundo como um grande escritor, autor póstumo que nos deixou entre outros Noturno do Chile, A Pista de Gelo, Os detetives Selvagens e Amuleto, narrativa em primeira pessoa por Auxilio Lacouture, artista rippie e louca que se autodeclara mãe de todos os poetas de México, são alguns dos escritores que se encaixam no perfil predito por mim..

Em todos os livros não raro o protagonista é um escritor, às vezes alter ego, às vezes um romancista ou poeta fictício ou histórico, mas todos considerando a vida direta ou indiretamente por trás de uma máquina de escrever.

Tais escritores são alguns dos melhores em língua espanhola (há outros) e quase todos fizeram da própria literatura e suas implicações que ultrapassam o meramente metalingüístico o tema maior de seus escritos. O que é isto?, uma tendência, algo que mais tarde possa ajudar os pesquisadores a identificar alguma coisa próxima de um estilo de época ou uma reação aos piores prognósticos daqueles que vaticinam o fim da literatura? Alguém dirá que talvez não seja nada disso, que talvez não passe da influência de Borges (leitor). Em todo caso não deixa de ser curioso. E fica aí uma boa dica para aqueles que ainda não conheceram os autores citados, sem dúvida uma boa representação do que se faz hoje com a língua de Cervantes.   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-1335981974713960326?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/1335981974713960326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/01/metalinguagem.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1335981974713960326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1335981974713960326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/01/metalinguagem.html' title='metalinguagem'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-1220719178282883000</id><published>2010-01-20T08:17:00.000-08:00</published><updated>2010-01-20T08:30:55.840-08:00</updated><title type='text'>história do pranto</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Ainda na praia, eu li um cara que tem dado o que falar desde 2003, quando publicou &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O Passado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;, livro que virou filme dirigido por Hector Babenco. História do Pranto só tem 85 páginas, é uma novela e nos revela outros pormenores da história da esquerda na Argentina dos anos 1970. Os fatos não são narrados como registro jornalístico, Alan Pauls – é o nome do escritor – vai na contramão da literatura à lá Truman Capote. Ricardo Piglia, no prefácio, diz que o autor da História do Pranto é uma espécie de escritor em extinção porque valoriza o estilo – um exemplo entre nós seria Machado de Assis e Guimarães Rosa, de fato escritores em extinção. Numa entrevista à Bravo, Alan Pauls conta que o livro é uma resposta ou reação contra aqueles, na Argentina, que exercem uma espécie de monopólio da história e acham que só quem viveu aquele tempo – da ditadura – é que tem o direito de falar dele. Outro aspecto do livro é a tentativa de desmistificar a cultura da vitimização. Pauls é de opinião que os argentinos acreditam que ser vítima é ser intenso. Algo que também permeia o universo do tango.

O livro não exige o uso de dicionários e, portanto não está desqualificado para ser lido na praia, mas exige alguma atenção do leitor que às vezes percorre uma página inteira e não sai de dentro da mesma frase. São as frases-droga, como chama o autor, que tem a função de arrastar o leitor e narcotizá-lo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-1220719178282883000?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/1220719178282883000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/01/historia-do-pranto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1220719178282883000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1220719178282883000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/01/historia-do-pranto.html' title='história do pranto'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-279938804524617520</id><published>2010-01-14T20:43:00.000-08:00</published><updated>2010-01-14T20:44:42.793-08:00</updated><title type='text'>na praia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Em janeiro o negócio é sair de férias e de preferência se mandar para o litoral. Seria uma ótima opção não fosse um inconveniente. É que com você também se mandam os imbecis. Minha idéia de praia é o seguinte: uma cadeira confortável onde a gente pode se sentar e se deitar quando uma onda de preguiça tomar conta do corpo, principalmente depois de alguns goles a mais de cerveja. Pois bem, antes da preguiça e do exagero alcoólico, nosso corpo ainda se mantém sentado e nós seguramos na mão um bom livro. Não precisa ser nada difícil, Euclides da Cunha não é uma boa idéia nem o autor de Balmaceda tampouco; a preocupação com dicionários e lápis com a ponta que precisa ser refeita de vez em quando não combina muito com a tal cadeira e os pés – descalços – metidos na areia. Eu recomendo um livro que dispense a consulta ao dicionário ou anotações no rodapé, um livro que não subestime nossa inteligência, mas que não superestime tampouco. Um livro que o marulho das ondas não atrapalhe sua leitura, no máximo possa servir de música ao fundo que logo esquecemos tão vidrados ficamos. Eu penso num clássico da literatura noir como O Falcão Maltês de Hammett, por exemplo. É, o Falcão é uma ótima idéia. Um desses livros que provoca prazer e que, talvez por isso e por dispensar dicionários, o Fernando Sabino tão injustamente taxou de descartáveis. Você, sua cadeira dobrável e o Falcão. No mais a areia e o mar rugindo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Até que a gente acorda do sonho e se depara com o pesadelo. Há uma infinidade de barracas com um monte de mesinhas distribuídas segundo uma convenção que respeita os direitos territoriais de cada barraqueiro. Em cima da mesa mais uma cerveja enquanto milhares de vasilhames vazios se amontoam por toda parte. Em torno da mesa os tais imbecis. Mais tarde eles vão se vangloriar da enorme quantidade de álcool que conseguiram ingerir. Agora, enquanto pedem mais uma, meditam sobre coisa nenhuma enquanto fitam descarados mais uma bunda. Mas o pior não é isso. Não é a cerveja nem fitar e se deliciar diante de uma bunda. O pior é a música que esses senhores e senhoras não param de ouvir do momento que se sentam até o momento quando vão embora. Eu não preciso dá nome aos porcos – são porcos os cantores e cantoras das tais bandas – de forro, axé e mais o diabo com todos os seus dotes menos o da música. Não é possível conversar, o volume muito alto exige que você grite. No início todo mundo ainda consegue gritar uma vez e outra, mas não é possível fazer isso por horas, mesmo a melhor conversa soçobra, vencida pelo barulho e o cansaço das gargantas que agora, impedidas de falar, prestam-se somente ao consumo de álcool – e deve ser esta a razão por que o barraqueiro investe tanto no som da barraca.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Quem sonha poder nas férias ler o seu Hammett sentado na sua cadeira dobrável tem que fazer como eu: evite as aglomerações, corra de São José e Tamandaré, procure as praias desertas, mesmo que o consumo de gasolina ultrapasse o orçamento. Amanhã eu vou pra Tambaba. É verdade que todos tiram a roupa por lá, e isso pode distrair meu Falcão, mas a moça do centro turístico me garantiu uma coisa, disse que o som – o senhor pode confiar – é proibido nas barracas.      &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-279938804524617520?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/279938804524617520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/01/na-praia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/279938804524617520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/279938804524617520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/01/na-praia.html' title='na praia'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-9125132392214013597</id><published>2010-01-11T23:21:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T23:44:11.731-08:00</updated><title type='text'>Viagem Vertical</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'Times New Roman';font-size:6;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:19px;"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Os romances de Vila-Matas são oportunidades para conversar sobre livros e escritores: O Mal de Montano é assim e Batlerby e companhia também. Ele me lembra Borges, não o escritor – se é que podemos separar as duas figuras –, mas o leitor. Borges disse certa vez que se sentia capaz de passar 24 horas falando sobre literatura. Seus livros atestam isso. Neles o tema mais recorrente é o do mundo representado pela biblioteca. Os contos são ensaios sobre livros. São famosos seus prólogos. Vila-Matas se identifica com Borges, certamente é seu leitor da vida inteira e assim como o escritor argentino ele também se sente atraído pelos livros.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Acabei de ler Viagem Vertical, publicado aqui no Brasil em 2004 pela Cosac Naify. Li depois de todos os outros, dos já mencionados e mais Paris não tem fim e Suicídios Exemplares. Adiei a leitura de Viagem Vertical porque diferente dos outros este não me parecia trazer o tema da literatura, do qual gosto muito, mas uma experiência diferente: o do homem em crise, algo muito próximo, pensei, de dois livros que li no final do ano passado e sobre os quais escrevi aqui no blog: Homem Comum de Philip Roth e A Casa das belas adormecidas de Kawabata – sem o apelo erótico deste último. Livros que tratam da velhice, morte e falta de sentido da vida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;De fato. Até a página 179 – de um total de 252 – o leitor deduz que Viagem Vertical é uma história contada em terceira pessoa que tem como protagonista Mayol – um velho aposentado, dono de uma empresa de seguros que vê a vida vir abaixo no dia em que a mulher lhe faz um estranho pedido. Ele vai desembarcar na Madeira, em Portugal, sem rumo e sem tino, onde encontra por acaso o sobrinho a quem não via fazia anos e que como o tio, também passa por uma crise. Dono de uma solidão que não consegue conter no peito, a personagem ver-se na sua viagem vertical.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Ao que tudo indica Mayol levava uma vida normal, estava aposentado, havia passado a empresa para o comando do primogênito – de quem se orgulhava – e se distraia do fim apostando na convicção de que deixava as coisas em ordem e se sua vida chegava nos últimos momentos, ao menos fez sentido, afinal construiu algo de sólido como a família e a empresa milionária. Em outras palavras, o fim não era encarado com perplexidade, mas com conformismo e parcimônia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Algo, entretanto, acontece que vai tirar o ancião de tempo. O pedido absurdo da mulher é que ele desapareça da vida dela. A esse choque vem juntar-se a decepção com o filho mais velho que se diz cansado da empresa e do casamento e pior que isso; o ressentimento que nutre pelo filho Julián, um pintor excêntrico que se julga o próprio Toulouse-Lautrec vivendo na Paris boêmia dos anos vinte. Esse filho caçula e solteiro de 42 anos é um imbecil da cabeça aos pés apesar de ser homem culto e instruído. Num episódio recente, recordado por Mayol enquanto caminha pelas tumbas de um cemitério, chama o pai de inculto. Ora, o complexo de inferioridade por ter freqüentado a escola só até os catorze anos é uma frustração que Mayol carrega. Recordar-se da declaração do filho no momento de crise desencadeada pela expulsão da mulher só piora as coisas e o faz se sentir como a última das criaturas.    &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Na página 179 nos surpreendemos com o narrador. Não é onisciente, não é Vila-Matas, mas o gerente do hotel onde está hospedado Mayol na Madeira. Esse gerente se interessa pela história do velho e vê nela a oportunidade de escrever seu primeiro romance, apresenta o hospede a uma espécie de clube literário e a história do homem em crise acaba incluindo conversas sobre o livro – mesmo os que Mayol disse que leu sem ter lido – e nós, leitores de Vila-Matas, reencontramos o autor que não consegue separar a vida da literatura.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-9125132392214013597?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/9125132392214013597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/01/viagem-vertical.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/9125132392214013597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/9125132392214013597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/01/viagem-vertical.html' title='Viagem Vertical'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-3840839063527098146</id><published>2010-01-08T07:53:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T23:44:44.741-08:00</updated><title type='text'>Cine Privê</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;M&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;ário, acabei de ler Cine Privê e concordo que se trata de um bom livro, aquilo que me preocupa é quando o Antônio Carlos Viana é apresentado como a melhor expressão do conto no Brasil. Não é bem assim. Os contos são bons, aquilo que ele toma de empréstimo de João Cabral e Graciliano – a prosa enxuta e direta –, conservando ambigüidade e o lance da história que não termina no ponto final são excelentes, mas são recursos utilizados por todo mundo. Todo mundo evita verborragia e quem leu as teses do conto de Piglia sabe que ambigüidade e história secreta são elementos básicos. Tudo bem, imagino que você esteja pensando – como todo mundo, aliás – que a questão não é essa, mas a habilidade do escritor em saber lidar com tais elementos. Concordo, sem dúvida, mas eu posso citar uns dez contistas que fazem isso tão bem e até melhor do que o Viana, quer um exemplo?, o Ronaldo Correia de Brito. Em Viana a prosa enxuta e seca serve para conferir mais efeito nos flagrantes de personagens em situação limite, normalmente advinda da miséria e loucura. Aliás, de miséria e loucura padecem as personagens do Antônio Carlos Viana. Não é uma crítica, todo escritor tem suas obsessões. Não acredito em escritor que não tenha obsessão. A vontade de matar o irmão ou fornicar com a mãe, sofrer na pele e alimentar o despotismo do pai, além da possibilidade de poder recorrer ao suicídio e por isso encontrar lenitivo para continuar vivendo já nos rendeu excelentes obras primas. Mas a força dos contos de Viana parece residir muito mais no choque que nos causa o quanto na merda seus personagens estão afundados do que na realização material da escrita. Ele se orgulha de colocar na fala da personagem o discurso possível daquele personagem, condicionado pelo meio cultural como se isso fosse uma novidade e não uma característica já fartamente utilizada por naturalistas e regionalistas etc. Mas, retomando o que eu falei no início, o cara é bom e tudo mais, apenas não é a melhor expressão da literatura contemporânea. Não pode ser e se for, preocupa-me as veredas estreitas dessas nossas letras nacionais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-3840839063527098146?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/3840839063527098146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/01/cine-prive.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3840839063527098146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3840839063527098146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/01/cine-prive.html' title='Cine Privê'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-6275969911384080875</id><published>2010-01-06T21:31:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T23:45:03.140-08:00</updated><title type='text'>livreiro da província</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O ruim de viver na província é que deixamos de usufruir determinadas coisas que só&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; e&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;ncontramos nos grandes centros como teatro, cinema que não passe apenas as últimas super produções americanas e uma boa livraria. É por isso que o Joaquim se mandou para o Recife.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Todo mundo sabe que brasileiro não lê. Pelo menos não lê como deveria. O número de leitores potenciais de que nos fala Marçal Aquino é de fazer dó, em todo o território brasileiro ele contabilizou 600 ou 500, não me lembro agora. Marçal não estava se referindo aos leitores dos livros que viraram filmes, auto-ajuda ou os pretensos livros psicografados. Esses não contam. Não merecem figurar numa estatística, ou pelo menos não numa estatística que pretendesse medir o bom nível intelectual de leitores.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Na província não há livrarias e quando algum corajoso empresário do ramo inventa de investir no negócio, tem de conviver com todos olhando pra você como se você não fosse outro senão Dom Quixote. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Foi ousadia querer vender as traduções póstumas dos livros do Roberto Bolaño ou o último livro do Enrique Vila-Matas que na Europa e nos Estados Unidos é best seller e aqui no Brasil continua sendo escritor de escritor com uma tiragem ridícula de 3000 exemplares. É difícil vender na capital e você querendo vender na província, faça-me o favor, e ainda tem Coetzee e todo o Osman Lins recentemente reeditado pela Cia das Letras. Meu amigo, você não tem tino para os negócios, você é muito sonhador, quer ganhar dinheiro vendendo livros de poesias. Estou vendo que você já adquiriu &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;As Plantas Crescem Latindo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;. Você não se emenda, tente outro negócio ou devolva esses livros para a editora, desocupe as prateleiras e depois entupa todas elas com os livros que viraram filmes, auto-ajuda, esoterismo barato e mais um monte de porcarias para o deleite dos imbecis.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;E para não mudar de negócio porque o bar será sua última opção de sobrevivência, o livreiro da província que não tem na sua cidade sequer uma parcela mínima dos tais leitores potenciais, acata o conselho prudente, perde todo o amor pelo que fazia e passa a morrer todos os anos de uma ulcera gástrica.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-6275969911384080875?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/6275969911384080875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/01/livreiro-da-provincia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6275969911384080875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6275969911384080875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2010/01/livreiro-da-provincia.html' title='livreiro da província'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-7440019039752577908</id><published>2009-11-26T08:13:00.000-08:00</published><updated>2009-11-26T08:15:24.893-08:00</updated><title type='text'>u-Carbureto</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Terça-feira passada o Helder Herik lançou seu segundo livro de poemas. As Plantas Crescem Latindo foi confeccionado em São Paulo e leva o Selo u-Carbureto. O evento aconteceu no SESC que tem sido um bom parceiro, principalmente depois da criação do seu Laboratório de Literatura, espaço reservado para uma boa conversa se o assunto for literatura. Lá já esteve o Raimundo Carrero fazendo a sua Oficina e há promessas de outros encontros. No lançamento das Plantas tivemos também o lançamento do Selo u-Carbureto que já foi nome de jornal literário e agora é o nome de um projeto ousado que tem como objetivo fazer o papel que as grandes editoras negligenciam em nome dos apelos do mercado. Não é apenas o de publicar autores como Helder que reside longe dos grandes centros – e é bom salientar que grande centro é Rio e São Paulo – mas o de publicar bons trabalhos e mostrar que mesmo longe do eixo “civilizado” há vida literária e, quem sabe, boas surpresas.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-7440019039752577908?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/7440019039752577908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/11/u-carbureto.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/7440019039752577908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/7440019039752577908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/11/u-carbureto.html' title='u-Carbureto'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-347787967623722834</id><published>2009-11-04T05:33:00.000-08:00</published><updated>2009-11-05T04:44:31.017-08:00</updated><title type='text'>2012</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Há numa cena do filme Amadeus um episódio interessante. No final da apresentação de uma das peças de Mozart, não me lembro qual, todos esperam batidas fortes dos instrumentos anunciando o fim, mas diferente disso, as notas lentamente se calam. Sem gran finale ou apoteose. Mozart espera o reconhecimento de sua originalidade, mas ao invés disso, é questionado por aquele final sem graça e sem sentido.

O que isso nos diz? Que as pessoas são assim, elas buscam sentido e ordem em tudo. Aquilo que tem começo precisa ter um fim. É essa, talvez, a razão por que damos tanto crédito aos vaticínios de fim de mundo. O fim do mundo anunciado centenas ou milhares de anos atrás estabelece um nexo de ordem no caos. Outra razão, que tem tudo a ver com a primeira, é uma pretensão que alimentamos em torno do que somos e do que representamos. Creditamos a nós mesmos uma importância de protagonistas do universo. Assim como os judeus, nos sentimos o povo escolhido. Montesquieu traduziu nossa natureza numa passagem do seu Cartas Persas, no livro ele diz que mesmo que a imortalidade da alma fosse um erro, sentiria não crer nela porque o satisfaz a idéia de ser tão imortal quanto Deus. Ele chamava aos ateus de os verdadeiros humildes.

Não creio que o mundo vá acabar em 2012, mesmo sendo isto um vaticínio da ciência e religião juntas. Dizem que um dos calendários Maia acaba na data correspondente ao nosso 21 de dezembro de 2012. tampouco por isso. Mas não sou radical, acho que um dia algum cataclismo vai extinguir da face da terra a aventura humana, mas quando isso acontecer, não vai ser anunciado, vai ser num dia como qualquer outro, um domingo à tarde de sol e boas recomendações meteorológicas. Vai nos pegar a todos desprevenidos e vamos todos, com nossas caras espantadas, perecer como sempre existimos, sem o menor sentido.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-347787967623722834?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/347787967623722834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/11/2012.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/347787967623722834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/347787967623722834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/11/2012.html' title='2012'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-8106066916900704149</id><published>2009-10-10T07:05:00.001-07:00</published><updated>2009-10-12T03:47:39.495-07:00</updated><title type='text'>nobel</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Herta Müller, 56 anos, é o mais novo prêmio Nobel de literatura. A mulher veio dos cafundós do Juda e a melhor coisa que li a respeito de sua produção é que é uma escrita simples. Não sei até que ponto isso pode constituir um elogio. Isso quer dizer que uma escrita complexa não presta? É por isso que Borges nunca ganhou, e olha que ele esperou que só pelo prêmio, morreu com quase noventa anos e eu acho que se não fosse essa espera prolongada, se não fosse a esperança que mantinha incólume, afinal diziam que ele era a maior expressão literária do século XX. Se não fosse esse monte de equívocos, menos o de que era um bom escritor, acho que ele teria morrido antes, em paz consigo mesmo, sem mais desgaste, um bom ateu e pessimista digno.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Mas o critério do prêmio Nobel sempre me pareceu uma coisa cretina. Mas cretina no mais profundo sentido do termo. Tive certeza disso quando eles anunciaram o prêmio a Dario Fo, em 1997. Esse imbecil e completo desconhecido e laureado pelo Nobel que logo logo vai desaparecer quase tão rápido quanto aquele escritor que Drummond chama de gauche e que publicou seu livro de contos por uma gráfica, sem selo nem código de barras. Esse Dario Fo de quem a única coisa boa que sabemos é que é viado, escreve umas peças de teatro e o mérito delas, segundo a justificativa do prêmio, é que defendem a dignidade dos oprimidos do flagelo dos déspotas. Primeiro que oprimido nenhum tem dignidade e mesmo que tivesse isso é lá justificativa para se avaliar as qualidades de um texto? Quer dizer que basta isso, ter boas intenções? Mas não é de boas intenções que o inferno está cheio?  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A verdade é que o prêmio não está interessado no valor do escritor. Entre a grande maioria dos laureados, com exceção de um Thomas Mann, de um Faulkner e outros, o critério sempre está subordinado a questões muito mais de ordem política do que literária. Mesmo o Thomas Mann que eu citei, teve a legitimação do prêmio não pelo valor literário da obra, mas por sua postura de escritor contrária ao Nazismo. E se muitos ganharam o prêmio por suas escolhas políticas porque apoiavam o Comunismo, por exemplo, como uma força de reação ao poder do grande capital e da injustiça social, hoje que a verdade veio à tona e o Regime de Lênin e Stalin se confunde com uma ditadura anacrônica da América do Sul, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Herta Müller é laureada e tem o reconhecimento do prêmio pela sua escrita simples e sua postura ideológica contrária ao Comunismo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-8106066916900704149?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/8106066916900704149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/10/nobel.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8106066916900704149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8106066916900704149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/10/nobel.html' title='nobel'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-337782114602817039</id><published>2009-09-29T12:25:00.000-07:00</published><updated>2009-09-29T12:29:49.219-07:00</updated><title type='text'>Literaturas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Eu gosto de literatura que desafia a inteligência do leitor, afinal sou leitor de Osman Lins e houve um tempo na minha vida que precisei exorcizar o Guimarães Rosa. Também gosto do Samuel Beckett, não o do &lt;i&gt;Como É&lt;/i&gt;, mas de &lt;i&gt;Malone morre&lt;/i&gt; e os outros da trilogia, além das &lt;i&gt;Novelas&lt;/i&gt; (excelentes) e &lt;i&gt;Primeiro Amor&lt;/i&gt; que li e reli na edição da Cosac. Também sou leitor de Borges e Faulkner e por ai – se não vou parecer pedante – você percebe que sou um leitor pelo menos razoável. Mas, de vez em quando me deparo com um desses escritores que a crítica consagrou como monstro e coisa e tal e quando estou lendo começo me sentir culpado e infeliz quando percebo que não estou gostando ou não estou entendendo nada. E o engraçado é que também me sinto culpado e infeliz quando leio um autor que faz o caminho inverso, uma literatura que poderíamos chamar – Rodrigo Lacerda chamou – de conservadora do ponto de vista formal, e percebo que aquele livro, livrinho em que aparentemente não há nenhuma preocupação com estilo e o autor parece apenas preocupado em contar uma boa história, está me dando um enorme prazer. Tudo bem que tem o Philip Roth que pode ser muito bem enquadrado no perfil de escritor conservador, e há também o Cormac McCarthy que não é propriamente um experimentalista, e o Jorge Amado, Rubem Fonseca, Mário Vargas Llosa etc. Então fico me perguntando: por que a crítica se comporta assim, por que medir o valor de um livro concedendo-lhe maior ou menor mérito a partir do grau de parentesco que ele estabelece com Finnegans Wake?  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-337782114602817039?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/337782114602817039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/09/literaturas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/337782114602817039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/337782114602817039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/09/literaturas.html' title='Literaturas'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-3609933608396119277</id><published>2009-09-23T09:53:00.000-07:00</published><updated>2009-09-24T07:28:13.962-07:00</updated><title type='text'>dois contos dA Razão Selvagem</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Em &lt;i&gt;Redes&lt;/i&gt; há um jogo interessante com o termo e suas variantes. É a rede onde a personagem se balança. A rede ou teia da aranha, mais tarde comparada com a clínica, outra rede, onde ele e os outros internos estão presos como insetos. É o monólogo de um louco. Ele está numa clínica, balança-se numa rede e faz comentários a respeito do ambiente além de descrever os volteios de uma aranha que se move carregando sua pata morta. Não fosse a constatação da loucura, eu diria que estamos diante de um personagem saído de um livro de Beckett. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A aranha carrega em si a impossibilidade de caminhar livremente. O obstáculo que se interpõe entre a aranha e seu percurso é essa perna morta, o peso morto, uma suprema dificuldade que a aranha não pode prescindir, assim como a loucura dele que o prende à clínica. A personagem, em primeira pessoa, sofre de esquizofrenia e é a influencia da doença, a lógica do doido, que dá o ritmo do conto. Ele se refere a vozes, teme ser aborrecido por alguém que não conhecemos e menciona a intenção de derrubarem a clínica. Seu único lampejo de lucidez é perceber que é de todos aqueles iguais a ele, o único a não receber visita naquele dia de visitas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Em &lt;i&gt;Apartamentos&lt;/i&gt; um cara depois de atingir certa condição financeira se põe a considerar a possibilidade de investir no ramo imobiliário. Antes disso, porém, resolve viajar e em suas viagens fotografa cidades vazias. Quando retorna monta uma exposição das fotografias e publica um álbum com uma seleção das melhores fotos. Não obtém sucesso nem com a exposição nem com o livro. Arruinado, vende o apartamento onde morava e passa a ocupar um pequeno quarto no apartamento da irmã. Meses depois, parece que num táxi – na verdade não sabe precisar –, surge a obsessão de fotografar apartamentos vazios. A imobiliária não desconfia de seu verdadeiro propósito, fornece-lhe as chaves dos apartamentos e ele passa a visitá-los levando consigo sua &lt;i&gt;Pratika&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Mas os apartamentos, embora fechados, contêm os barulhos da rua e em todas as incursões ele sempre se depara com alguém. Há um pai e uma filha, cada um apresentando o outro como louco. No final resta ao leitor alguma dúvida sobre a quem atribuir menos sanidade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Em outro apartamento, uma mulher bate à porta, talvez alguém interessado pelo imóvel. Eles não se conhecem e em poucos minutos estão entregues aos prazeres do corpo numa situação muito próxima ao animalesco. Mais tarde ele vai se lembrar dela e se masturbar para preencher sua falta. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A busca pelo apartamento vazio se revela mais uma identificação pelos espaços vazios do que mera idiossincrasia de artista. No final, não há um sentido, uma lógica, só há o vazio impossível de preencher.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-3609933608396119277?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/3609933608396119277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/09/dois-contos-da-razao-selvagem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3609933608396119277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3609933608396119277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/09/dois-contos-da-razao-selvagem.html' title='dois contos dA Razão Selvagem'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-8829738718797970538</id><published>2009-09-15T14:05:00.000-07:00</published><updated>2009-09-15T17:52:28.815-07:00</updated><title type='text'>quem já leu Francisco de Morais Mendes?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A primeira vez que ouvi falar de Francisco de Morais Mendes, foi na Livraria Cultura, durante o último festival de literatura do Recife. Fernando Monteiro dividia a mesa com Rogério Pereira, editor do Rascunho, e entre uma coisa e outra aquilo de que mais me lembro foram as reclamações de Fernando sobre o desinteresse das editoras do Brasil em editar literatura de boa qualidade e o nível de ignorância dos leitores. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Quem já leu Francisco de Morais Mendes? No meio das várias pessoas emudecidas lá estava eu. Fiquei curioso e comprei pela internet o livro de contos, segundo Fernando Monteiro, uma das melhores coisas já editadas no Brasil. Mas não foi fácil. Não encontrei no site da Cultura nem em qualquer outra livraria. Não constava no catálogo nem como esgotado. E depois de procurar com a ajuda de Helder, encontrei num sebo de São Paulo. A edição, em bom estado, de 2003, custou-me cinco reais e a razão porque não encontrei nas livrarias eu entendi logo que o livro me foi entregue pelo correio. A editora do livro, ciência do acidente, é pequena, talvez nem exista mais e seu poder de distribuição do livro parece que não ultrapassou os limites da região sudeste.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;a razão selvagem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; é composto de sete contos, sendo dois deles, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;a crítica da razão selvagem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;um diário para SD&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;, os mais volumosos, trinta páginas mais ou menos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Nos sete contos o autor nos apresenta uma galeria de personagens marcadas por uma espécie de auto-exílio. São incapazes de se comunicar. Incapazes de se relacionar e sofrem de alguma compulsão ou obsessão que expressam seu mal estar e deslocamento do mundo. Esse aspecto de paranóia, entretanto, tão comum em alguns escritores americanos como Pynchon, DeLillo e Paul Auster com quem Francisco Mendes certamente dialoga, não foi o que mais me chamou a atenção em &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;a razão selvagem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;, mas a maneira como as histórias se estruturam, partindo de um núcleo central e nos levando não a situações incomuns como faz Cortázar, mas aos desdobramentos de situações comuns. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Aspereza e densidade são dois adjetivos que cabem muito bem para classificar a prosa desse mineiro que faz uma literatura na contramão de livros fáceis e campeões de vendas que tanto agradam aos leitores medianos e irritam o Fernando Monteiro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-8829738718797970538?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/8829738718797970538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/09/razao-selvagem.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8829738718797970538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8829738718797970538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/09/razao-selvagem.html' title='quem já leu Francisco de Morais Mendes?'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-1136107527681892654</id><published>2009-08-31T19:27:00.000-07:00</published><updated>2009-09-01T05:07:51.780-07:00</updated><title type='text'>novos valores</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Parece que duas coisas em Felice foram responsáveis em causar profunda impressão em Kafka. Uma delas de ordem prática. Felice era capaz de fazer tudo numa velocidade inconcebível para Kafka. Coisas como mudar de roupa, por exemplo. A outra, numa ordem também prática, porém com implicações no espírito, era o hábito de ler até as quatro horas da manhã. Se uma tinha o poder de inquietá-lo porque o fazia sentir-se diferente já que não se imaginava capaz de tal prodígio – Kafka, segundo Elias Canetti, fazia tudo partindo de um processo extraordinariamente lento – a outra causava inquietação a medida que lhe revelava uma completa identificação. Ao longo de cinco anos os dois desenvolveram uma correspondência que quando publicada, 43 anos depois da morte de Kafka, rendeu um volume de 750 páginas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;As cartas – que também são a gênese de O Processo, o romance – inspiraram um interessante ensaio de Elias Canetti. Mas não é dele que desejo falar, se o mencionei foi para citar o volume da correspondência. Parece-me que nos dias atuais tal troca de cartas, motivada pelo amor e literatura é talvez incompatível com o estilo de vida que levamos. Não falo só da correria, mas de novos valores que ao longo das décadas incorporamos e que ditam nosso comportamento. A mídia visual e os desdobramentos do Capitalismo talvez sejam os maiores responsáveis. A televisão está quase sempre associada a alienação e emburrecimento – lembram da música do Titãs? – e as novas tecnologias compradas pelo dinheiro instam no homem a necessidade pelo conforto e abrem um leque de possibilidades no campo do entretenimento. O resultado disso é um gosto pelo mediano e uma paixão pelo imediatismo. A maioria dos jovens que conheço vive como se fosse morrer no final da semana. E não estou falando em Epicurismo. Nada a ver com aproveitar ao máximo a experiência que nos proporciona o dia. Parece que nesse novo mundo a obra literária passa por esquisitice do passado. Imagino uma primeira edição de um livro de contos, foi o último publicado depois que os ebooks dominaram o mercado até serem substituídos por jogos sofisticadíssimos de vídeo game. O livro está exposto numa galeria de museu. Há um grupo de pessoas curiosas e todos concordam quando alguém manifesta sua perplexidade: Como é que as pessoas antigamente encontravam tanta paciência?  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Não há mais correspondência. Sobre o que precisamos conversar? Meu vizinho é meu inimigo. O serviço dos correios é muito útil para fazer chegar a nossas casas as compras dos cartões de crédito. Muitos vaticinam o fim das lojas como as conhecemos. Parece que é próximo o dia que não precisaremos mais sair de casa. Afinal é grande a violência lá fora. Já fazemos isso para nos relacionar. Nesse universo, portanto, ler um poema parece algo fora de propósito, uma perda de tempo. Então não lemos. Os mais responsáveis se orgulham de seu pragmatismo e não perdem tempo com nada que não possa ser trocado em dinheiro. Oscar Wilde não causaria frisson nenhum se dissesse hoje que toda arte (literária) é completamente inútil. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-1136107527681892654?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/1136107527681892654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/08/apocalipse.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1136107527681892654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1136107527681892654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/08/apocalipse.html' title='novos valores'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-6106772788236555803</id><published>2009-08-24T18:54:00.000-07:00</published><updated>2009-09-18T18:36:34.571-07:00</updated><title type='text'>fernando monteiro e as editoras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;Acabei de ler o artigo do Fernando Monteiro no Rascunho. Acho que muita gente deve achar que ele é um despeitado já que reclama tanto das editoras que não publicam seus poemas para leitores inteligentes. Mas, apesar de toda antipatia, acho que ele tem alguma razão.

Vamos esquecer o despeito e fazer vista grossa para essa coisa de ficar discutindo o óbvio como se o fato de não existir bons leitores fosse uma novidade. É claro que não há. Ele cita Osman Lins, Saer e Roberto Bolanõs. Já faz muito tempo que escritores como os citados são lidos apenas por escritores.

É claro que a editora tem que se preocupar com dinheiro. Sem dinheiro não há editoras. Por mais que muita gente possa achar que não, mas é de mercado o que estamos falando, e editoras são empresas que visam o lucro, caso contrário, fecham as portas.

Talvez o Fernando seja mais exigente do que eu e por certo é mais erudito etc. Mas na minha ignorância eu estava até otimista. Nos últimos três, quatro anos venho adquirindo bons livros recém editados como os livros da coleção Prosa do Mundo da Cosac Naify. Autores como Beckett, Babel, Elias Canetti e Pavese – inclusive sua poesia. Henry James e Melville estão tendo um tratamento todo especial e foi a Cosac que publicou pela primeira vez no Brasil traduções de dois contistas incríveis; o Julio Ramón Ribeyro e o Felisberto Hernandez, além de Bioy Casares. Também o Faulkner recebeu tratamento especial, suas Palmeiras Selvagens, O Som e a Fúria e Luz em Agosto estão bem editados, com traduções recomendadas. Fui apresentado a Alan Paus e Vila-Matas pela Cosac. Eu poderia continuar falando em Flannery O´Connor e Virgínia Woolf, além de Ferenc Molnar e os seus Meninos da Rua Paulo que li numa edição bem velha, editada nos anos 60, se não me engano, pela Saraiva. Foi uma felicidade encontra-lo reeditado pela Cosac Naify. E isso sem contar os brasileiros como Ronaldo Correia de Brito, Rodrigo Lacerda, Marçal Aquino, Davi Arrigucci Jr e outros escritores, muitos deles inéditos.

Faz uns dez anos que a Globo publicou a obra completa de Borges, e recentemente a CIA das letras vem publicando outras traduções do Borges. A editora 34 também está valorizando boas traduções, principalmente dos escritores russos do século XIX. A Ateliê Editorial editou há pouco tempo Ariosto e Saint John Perse além do Finnegans Wake de Joyce, e recentemente Coleridge. E até Jerusalém Libertada, longo poema de Torquato Tasso que certo Stuart Kelly disse que se perdeu para sempre, foi recentemente editado no Brasil por uma editora de quadrinhos, a Topbooks. Não posso esquecer a Alfaguara e suas edições que valorizam o prazer do leitor. Ela nos tem dado notícias de novos autores e também dos consagrados criadores do século XX.

Alguém pode dizer que são clássicos, mas são clássicos revisitados, com novas traduções e propostas editoriais para atender o mais exigente leitor. Talvez não com a exigência toda do Fernando, mas pelo amor de Deus, não é o fim do mundo, e se a gente concorda com Fernando Monteiro quando diz que o perfil do consumidor de literatura degringolou nos últimos vinte anos, até que as editoras estão apostando alto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-6106772788236555803?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/6106772788236555803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/08/fernando-monteiro-e-as-editoras.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6106772788236555803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6106772788236555803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/08/fernando-monteiro-e-as-editoras.html' title='fernando monteiro e as editoras'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-5680381982604561592</id><published>2009-08-23T16:06:00.000-07:00</published><updated>2009-08-23T18:58:06.252-07:00</updated><title type='text'>a festa acabou</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Dizem que o festival de literatura de Garanhuns não vai acontecer e dizem também que não vai porque a prefeitura se negou a ajudar como fez nos anos anteriores. Agora em setembro seria a quarta edição, aliás, um mês infeliz, propício para desfile das tropas militares e dos alunos das escolas públicas, todos bonitinhos em uniformes e marchando ao mesmo passo.

As rádios anunciaram todos os dias, não sei se porque o fim do festival deixou a todos sensibilizados ou porque – mais crível – os críticos do prefeito estão vendo aí uma boa oportunidade para alardear suas críticas. Talvez a prefeitura tenha se recusado mesmo a ajudar, talvez não tenha dinheiro ou talvez o dinheiro – se havia mesmo uma verba – foi destinado para outro fim. Qual? Não sei. O certo, porém, é que não houve ainda nenhum pronunciamento por parte da secretaria de cultura, o que não é bom, por certo. Mas o fim do festival foi algo anunciado pelo próprio festival; seu formato equivocado e a influencia da Academia de Letras. Não me surpreende e acho mesmo que a prefeitura aparece como bode expiatório, responsabilizada pelo não acontecimento de um festival que já estava esgotado na sua primeira edição.

A não realização do festival é seu atestado de fracasso. Depois de três anos não criou possibilidades para sustentar-se a si mesmo. A prefeitura devia ser apenas uma parceira, só isso, não a responsável. A academia fez questão de registrar o festival em cartório, como quem diz: esse é meu e ninguém tasca. Registrou o evento e não criou condições para sua independência. Independência? Qual nada! Cadê a Academia de Letras de Pernambuco? Por que não ajuda? E a UBE e a Academia de Artes e Letras do Nordeste? Cadê todo mundo? Deixaram o João sozinho. João é o José do poema de Drummond. Sozinho no escuro.

Uma coisa ao menos nisso tudo ficou claro. Pelo menos pra mim. O festival de literatura de Garanhuns não é nem nunca foi um evento promovido pelas academias, e sim pela prefeitura. Todos os equívocos do festival, esses sim, são de inteira responsabilidade das academias, bem como sua morte.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-5680381982604561592?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/5680381982604561592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/08/festa-acabou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5680381982604561592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5680381982604561592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/08/festa-acabou.html' title='a festa acabou'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-477872196200928240</id><published>2009-08-17T19:25:00.000-07:00</published><updated>2009-08-23T19:00:39.156-07:00</updated><title type='text'>Arete</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Cristhiano Aguiar é jovem e também um promissor ficcionista de Recife – embora paraibano – nesse momento ele está numa correria fazendo a curadoria do festival de literatura do Recife, A Letra e a Voz, em sua sétima edição. Também está com um livro novo chamado: Enquanto Caminhei Com. Tive oportunidade de ler um dos contos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Arete tem no tema uma boa sacada. A perturbação de um escritor diante da estranheza de um assassino de crianças que canibaliza suas vítimas ser seu leitor, e pior que isso, um leitor especial, capaz de decorar passagens inteiras de seus livros. O título, Arete, que em grego significa bondade, excelência ou virtude, chama a atenção do leitor para a tal perturbação da personagem e nos conduz no fio que Piglia chama de a história secreta que no caso do conto também é o desenvolvimento de uma discussão sobre a literatura e sua função. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;É comum nas entrevistas ao escritor alguém perguntar se ele concorda com a idéia de que a literatura pode contribuir para um mundo melhor ou se a literatura pode contribuir para melhorar o homem no que ele tem de humano. Elio, o escritor-personagem de Arete vai visitar o leitor-assassino na prisão e se decepciona com o pouco de gente que encontra diante de si. Moreno, bigodudo e careca, parece com ele próprio, podiam ser primos, são feitos da mesma matéria. Chama-o de Molloch, com dois elis. O demônio da tradição cristã e cabalística a quem entregavam as crianças queimando-as em sacrifício, um mito também aproximado do Minotauro que também devorava jovens. Molloch é um demônio e está perdido e o fato de ser seu melhor leitor não mudou em nada sua história de condenado. A literatura que pode muitas coisas, parece que não pôde nada com relação a Molloch.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O conto tem uma construção não linear que força a gente a ler de novo quando terminamos o último parágrafo. A segunda leitura é diferente da primeira, as coisas se encaixam melhor. Elio diz que não tem uma resposta para o que Molloch fez e no último parágrafo ele parece que retoma esse mesmo discurso e diz que o conto continua conosco. A literatura não fornece respostas, só inquietações e nós – leitores – participamos do processo criativo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-477872196200928240?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/477872196200928240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/08/arete.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/477872196200928240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/477872196200928240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/08/arete.html' title='Arete'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-6145133263545185219</id><published>2009-08-09T19:15:00.000-07:00</published><updated>2009-08-09T19:32:59.192-07:00</updated><title type='text'>fórmulas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Numa carta endereçada a um jovem escritor, Tchekhov escreve: “&lt;em&gt;Não retoques, não buriles demais, sê estouvado e audacioso.&lt;/em&gt;” Acho que é isso o que Ronaldo Correia de Brito quer dizer quando fala em sujar o texto ao invés de construir catedrais. Mas Ronaldo é capaz de passar 30 anos escrevendo o mesmo conto e Tchekhov cortava frases longas. No final das contas, tanto um quanto o outro só nos garante uma coisa: não há fórmulas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-6145133263545185219?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/6145133263545185219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/08/formulas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6145133263545185219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6145133263545185219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/08/formulas.html' title='fórmulas'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-6109838060806209726</id><published>2009-07-19T14:15:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T18:56:01.992-07:00</updated><title type='text'>O que veio de longe</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Disse-lhe Pilatos: "O que é a verdade?"
João 18-38&lt;/span&gt;

&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;É o nome do primeiro dos treze contos que compõe Livro dos Homens, de Ronaldo Correia de Brito. A cheia de um rio traz um corpo. Ninguém sabe quem é ou de onde veio, mas sua vestimenta e adornos – jaqueta de veludo, camisa fina com abotoadores de prata, anel com arabescos de ramos e flores entrelaçados – fazem com que a gente simples o tomem por homem importante, de origem nobre.

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O corpo é enterrado debaixo de uma árvore que dá sombra aos vaqueiros e rebanhos. Guardam as relíquias do morto e se inquietam tentando encontrar os nós de sua história. Para o corpo sem rosto – comido pelos peixes – e sem identidade, aquela gente imagina tudo o que lhes falta. Começa a nascer o mito, favorecido por algumas circunstancias como a narrativa da mulher curada de picada de cobra e que na agonia, debaixo da sombra da oiticica, rogou ao bondoso desconhecido, ali enterrado. À narrativa da mulher, sucedem-se outras.

&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O mito se consolida. Viajantes ouvem as histórias, interessam-se e saem pelo mundo espalhando os relatos do santo, suas aventuras, feitos heróicos e generosos. Tudo urdido pelos exilados do Monte Alverne que agora estão convencidos de que devem aguardar o chamado do morto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;Então surge o desmistificador. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;Pedro Miranda ouve o relato quando passava por ali. É uma noite sem lua e o visitante não se intimida, reconhece que o santo na verdade é um assassino covarde, o Domísio Justo, a quem ele deu três tiros, vingando a morte de sua irmã. Alguém o adverte do perigo de suas palavras, há uma mulher desafiadora. Deixem-no falar. Ele conta tudo, é essa a verdade. O que é a verdade, pergunta alguém escondido no escuro. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;A partir daí os ânimos se acalmam e todos são convidados a dormir e descansar. Durante a noite, aqueles que se julgam discípulos do santo vão se reunir e tramar. É preciso defender a “verdade” com métodos mesmo contrários aos princípios. Um dever maior os convida ao sacrifício, mesmo que com aquele ato – o do assassinato – estejam condenando suas almas. Os mentirosos agora acreditam na própria mentira e estão dispostos a tudo para defendê-la. &lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não é uma história folclórica que conserva os registros da vida de uma gente e sua região, mas a história do homem no capítulo religião. Nota-se que o título do livro está justificado. Ronaldo também é dono de uma escrita elegante e precisa. Um texto na melhor tradição de Flaubert, do escritor incansável em procurar a palavra exata. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-6109838060806209726?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/6109838060806209726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/07/o-que-veio-de-longe.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6109838060806209726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6109838060806209726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/07/o-que-veio-de-longe.html' title='O que veio de longe'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-6839126923016600143</id><published>2009-07-15T18:00:00.000-07:00</published><updated>2009-08-23T19:01:25.492-07:00</updated><title type='text'>Conversa com o escritor e leitura de ficção</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Di&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;a 23 deste mês de Festival de Inverno, estamos realizando na Sala Luzinette Laporte de Carvalho, no SESC - Garanhuns, um encontro com a literatura. Todos estão convidados. O encontro acontecerá em dois dias, quinta e sexta-feira. Sempre às 16h30min.

No primeiro dia teremos uma conversa com o escritor. Nesta ocasião, Ronaldo Correia de Brito, o escritor convidado, vai falar de seus projetos literários e outras obsessões.

Tudo vai acontecer como numa conversa de bar. De um lado teremos o escritor e do outro um mediador – por acaso eu – que vai provocar uma conversa do escritor com o público.

Ronaldo é autor de dois excelentes livros de contos, Faca e Livro dos Homens, ambos publicados pela Cosac Naify. Os livros obtiveram uma ótima acolhida da crítica e conferiram visibilidade ao autor que desde então vem aparecendo e se firmando no cenário da literatura contemporânea brasileira. Partindo de Recife – sua província – ganhou o Brasil e o mundo. Nos últimos anos tem sido presença em Congressos e festas literárias como a FLIP, além de ser convidado como escritor residente na universidade de Berkeley, na Califórnia.

Em 2008, pela prestigiadíssima editora Alfaguara, o autor lançou Galiléia, seu primeiro romance que está na final de dois importantes prêmios literários, entre eles o Portugal Telecom. 

Além de escrever muito bem – tem sido apontado pela crítica mais especializada como uma voz original – Ronaldo é aquele tipo de escritor que agradaria a Jorge Luis Borges, alguém capaz de conversar sobre literatura durante horas.

Nosso projeto de vivenciar um pouco literatura, já que a FUNDARPE, em mais um ano de Festival de Inverno (multicultural) negligenciou a Literatura, vai até a sexta-feira, dia 24, quando teremos dois escritores de Garanhuns, Nivaldo Tenório e Mário Rodrigues, fazendo leitura de contos e conversando sobre processo de criação.

Um abraço a todos e até o dia 23, no SESC.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-6839126923016600143?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/6839126923016600143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/07/conversa-com-o-escritor-e-leitura-de.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6839126923016600143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6839126923016600143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/07/conversa-com-o-escritor-e-leitura-de.html' title='Conversa com o escritor e leitura de ficção'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-1512534578280272636</id><published>2009-07-09T08:45:00.000-07:00</published><updated>2009-07-10T07:03:21.195-07:00</updated><title type='text'>Festival de Literatura</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Es&lt;/em&gt;te ano Garanhuns vai realizar sua 4ª edição do festival de literatura. Parece que começaram as conversas e muito ainda está por ser definido. Uma coisa ao menos é dita como certa: quem encabeça o movimento é a Academia de Letras e a prefeitura entra como parceira, fornecendo alguma estrutura. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Nas edições anteriores alguns equívocos do festival praticamente se repetiram. O maior deles é a formalidade. Não há um mediador. Alguém que conheça a obra do escritor e que seja capaz de provocar uma discussão. Ao invés disso a organização do festival teima em compor uma mesa com relator e presidente. Essas duas figuras não têm nenhuma serventia senão o de conferir ao momento certo ar solene, típico das reuniões acadêmicas. São escolhidos aleatoriamente – não demonstram conhecimento nenhum sobre o escritor em questão – e suas falas sempre são carregadas de agradecimentos e outras tolices inúteis. Todas as mesas são iniciadas por um solene mestre de cerimônias que não poupa os ouvidos da gente anunciando as autoridades da província: prefeito, vereador, secretário disso, secretário daquilo, além do chefe de polícia, o chefe dos bombeiros e por aí vai. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;A maioria dos escritores, talvez influenciados pela formalidade, retira dos bolsos um calhamaço de papel ofício A4 e como se fosse a coisa mais natural do mundo, se põe a ler para uma platéia que agoniza. Os aplausos entusiastas são o alívio da agonia que chegou ao fim depois de 30 ou 40 minutos. Parece que ninguém teve ainda a idéia de simplesmente provocar uma conversa interessante e descontraída com o escritor. Isso acontece na festa literária de Parati onde as mesas duram em média duas horas. No ano passado, em Garanhuns, as mesas não passavam de trinta minutos e mesmo assim nos davam a impressão de um estágio no purgatório. Outra coisa absurda foi a falta de intervalo entre as mesas. Enquanto uma se desfaz, o mestre de cerimônia convoca os integrantes da próxima. Há urgência e correria, todos fitam seus relógios – faltam muitas mesas –, e aquilo que deveria seguir um ritmo capaz de conquistar a atenção e participação do público, transforma-se em pura necessidade de cumprir um horário que não pode sob hipótese nenhuma esticar. O resultado disso são pessoas insatisfeitas, a quem foi negado o direito de conversar sem parecer mal educadas, trocar idéias, tomar alguma bebida, comprar um livro ou simplesmente sair para respirar o clima da cidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Ano passado houve uma inovação interessante, algumas mesas deixaram o palco do teatro e foram realizadas numa tenda. O problema é que colocaram no mesmo ambiente feira de artesanato, sebo e livrarias. O resultado foi o mais bem sucedido projeto de reviver a Torre de Babel. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;O festival tem vivido um paradoxo: deve sua realização ao interesse das Academias de Letras e é justamente por isso que não tem funcionado. Ouvi dizer que estão pensando em setembro como data do evento. Não sei se é verdade, mas se for e a formalidade continuar a mesma, pelo menos o mês é propício à pompa e ao desfile.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-1512534578280272636?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/1512534578280272636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/07/festival-de-literatura_4468.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1512534578280272636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1512534578280272636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/07/festival-de-literatura_4468.html' title='Festival de Literatura'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-2127705297106645307</id><published>2009-07-07T11:41:00.000-07:00</published><updated>2009-07-07T12:03:20.918-07:00</updated><title type='text'>Do silêncio de Jesus</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Turguêniev, no leito de morte, faz uma súplica a Tolstoi, pede que ele volte para a literatura. Nesse período Tolstoi havia renegado sua arte e vinha se dedicando à vida espiritual. O moribundo é atendido e o resultado disso é &lt;em&gt;A Morte de Ivan Ilitch&lt;/em&gt;. Flaubert também já tinha feito um comentário sobre o romancista russo. Dizia que o artista perdia muito quando dava lugar ao doutrinador.

Um livro não é moral ou imoral, dizia Oscar Wilde, um livro é bem ou mal escrito. O aforismo de Wilde apresenta uma ótima saída. Um livro não é importante pela sua vindicação ideológica, filosófica ou religiosa.

Não há nada mais passível da ação do tempo do que a postulação ideológica, filosófica ou religiosa. Numa determinada época que hoje nos parece escondida atrás dos séculos, as melhores cabeças preconizavam o comunismo como resposta aos males da sociedade. Depois de toda burocracia, ditaduras e transgressões aos direitos humanos, não conseguimos evitar sentir que fomos enganados. Um novo sistema filosófico é sempre eficaz em apontar as falhas daquele que ficou para trás, e a religião rivaliza com os piores assassinos o número de esqueletos escondidos no armário.

A literatura que se ocupa com tais especulações não raro se perde enredada no próprio torvelinho. As questões fundamentais continuam fundamentais e sem respostas. O problema da existência continua sem solução. Dar de ombro ainda é o melhor a fazer.

Além de se indignar com a descriminação que sofre o judeu e caminhar com ele pelos becos e avenidas que perfazem sua rotina diária. Além de ver televisão com ele e acompanhar as eleições que todos sabem foram fraudadas e experimentar da comida fast food e sentir dor de barriga, não encontramos respostas na literatura, apenas sofisticamos nossas perguntas.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-2127705297106645307?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/2127705297106645307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/07/do-silencio-de-jesus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2127705297106645307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2127705297106645307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/07/do-silencio-de-jesus.html' title='Do silêncio de Jesus'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-6769473649629569040</id><published>2009-07-05T10:54:00.000-07:00</published><updated>2009-07-07T12:45:23.567-07:00</updated><title type='text'>Estratégia do Ilusionista</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A literatura da última metade do século XIX se encarregou de retratar a realidade vendo nela não apenas os meios, mas os fins. Tal subordinação encontrou legitimidade na mais cristã das intenções: a redenção. Mostrava-se o que havia de podre no mundo com a intenção de corrigi-lo para, enfim, salva-lo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Essa bem intencionada literatura que aspirava ao útil produziu obras que se esgotavam com a denúncia de instituições ou da sociedade. Machado de Assis é um dos escritores que acabou se configurando um caso à parte – Capitu não nos deixa mentir. Já os realistas de carteirinha não raro se concentravam num tipo de texto acabado, com começo, meio e fim, não dando ao leitor outro papel senão o da passividade.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;No século passado, ali pelos anos vinte, com o Modernismo e a influencia de autores como Kafka e Joyce, a realidade objetiva entrou em decadência como uma moda que fica para trás. A falência do Racionalismo trouxe de volta a subjetividade e novos mergulhos na alma do homem contavam agora com contribuições de Freud. Os tempos modernos fariam do homem um ser cada vez mais confuso. O racional não atendia mais – se é que algum dia atendeu – às necessidades de uma arte que não queria mais constituir-se apenas em mero veículo para difusão de idéias político-sociais.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Na América do Sul, uma tendência que não chegou a ser Escola, tendo, certamente, Jorge Luis Borges, como seu mais ilustre representante, não apresentaria mais aquele tipo de subordinação à realidade objetiva. Dentro dessa nova visão a ficção não seria mais marcada pelo padrão que incluía começo, meio e fim. Ou pelo menos não necessariamente nessa ordem.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;A literatura de Borges valoriza a participação do leitor ativo. Não estamos mais lidando com um texto de dimensões mensuráveis, mas de um texto que foge ao padrão de coisa exata, medida e que confere ao leitor a sensação de algo inacabado ou mesmo confuso. Tomado de inquietação – não a inquietação de quem vislumbra a verdade. Não há verdade, nunca houve –, o leitor se vê remetido a um labirinto com corredores que se bifurcam.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O truque do espelho e do labirinto, do narrador que conta uma história, não inteirado dos pormenores, e das falsificações históricas – tudo isso responsável em gerar ambigüidade – sem dúvida nenhuma confere uma dimensão maior ao texto e empresta-lhe mais complexidade. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Um texto “inacabado” seria aquele que não nos esclareceu tudo, aquele em que as palavras não elucidam o mistério, mas nos remete ao mistério e tudo o que dali advém. Diante disso não resta outra escolha ao leitor senão a inquietação que não cessa, mesmo quando lê o último parágrafo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-6769473649629569040?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/6769473649629569040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/07/estrategia-do-ilusionista.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6769473649629569040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6769473649629569040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/07/estrategia-do-ilusionista.html' title='Estratégia do Ilusionista'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-6420463175474664914</id><published>2009-06-29T21:21:00.000-07:00</published><updated>2009-06-29T21:27:05.915-07:00</updated><title type='text'>Mito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A notícia da morte de Michael Jackson me foi dada, claro, pela televisão – na verdade na sexta. Quinta-feira foi gasta na biblioteca, onde fiquei enfurnado, lendo um livro de ensaios do Umberto Eco, aliás, melhor narrador do que teórico. Entre os ensaios, um causou-me certo desconforto: Os aforismos de Oscar Wilde.

Então ligo a televisão e me junto aos milhões de telespectadores que se recusam a acreditar que alguma coisa do mundo que conheceram e ao qual se julgam pertencer, desmoronou em parte, teve um capítulo encerrado e o que parecia imutável, imune ao efêmero, revelou-se no final frágil, mortal. Com o anúncio da morte do ídolo, amplamente explorado pela mídia espetaculosa, vídeos caseiros, clips e fotografias tentam compor fragmentariamente a vida que levou o artista – pelo menos aquela parte captada pelas câmeras, talvez menos sujeita aos insultos. As retrospectivas mostram-no ainda menino e negro, muito antes da louca obsessão de permanecer jovem e belo.

Tanto o escritor irlandês quanto o artista pop foram acusados de imoralidade e foi o herói de Wilde, Dorian Gray, assim como M.J., também um obcecado por beleza e juventude.

Li &lt;em&gt;Dorian Gray&lt;/em&gt; mais de uma vez. Na primeira, ainda moço, fascinou-me os aforismos e tanto foi o fascínio que decorei a maior parte deles. Recitava-os sempre que a ocasião e o vinho ajudavam. Nunca escondi a autoria daquelas frases mais preocupadas com a elegância e beleza do que em preconizar verdades. O nome do escritor soava tão sofisticado quanto suas palavras.

Confesso que preciso ler de novo o ensaio de Eco. Primeiro ele diz que Wilde é uma espécie de escritor fátuo e disso entenda-se oco mais do que pretensioso. Mas é o próprio Eco logo depois quem vem em defesa de Wilde afirmando que se o aforismo é fátuo, ele – o romancista – coloca-o na boca de personagem capaz de fatuidade. E, espanto-me eu; se a frase é oca e está sendo dito por personagem que se enquadra na mesma categoria de adjetivo, onde está o erro do romancista?

Depois diz que &lt;em&gt;O Retrato&lt;/em&gt; é uma imitação de certa novela de Balzac e uma ampla cópia de &lt;em&gt;À Rebours de Huysmans&lt;/em&gt; e não pára por aí, acusa-o também de fazer versões de Baudelaire. Em dado momento me senti sofrendo pela morte de dois ídolos. Enquanto pairava a dúvida sobre onde enterrar o corpo de M.J., Umberto Eco desferia punhaladas no fantasma de Oscar Wilde. E não foi o esteta do dandismo que vi diante de mim, mas o condenado a trabalhos forçados na prisão por “cometer atos imorais com diversos rapazes”.

Entre os anúncios de preparação do funeral estava sempre alguém disposto em nos lembrar das acusações de pedofilia imputadas a M.J.

Às vezes me sinto como um homem de fé que acredita que certas verdades não contribuem para nada senão em tornar o mundo mais feio. Nem sempre mitificar é fazer da história um monte de mentiras. No final das contas, que é a verdade, perguntou Pilatos para quem em pouco tempo se tornaria um mito.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-6420463175474664914?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/6420463175474664914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/mito.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6420463175474664914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6420463175474664914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/mito.html' title='Mito'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-9056720866116185053</id><published>2009-06-27T10:31:00.000-07:00</published><updated>2009-06-27T11:00:36.588-07:00</updated><title type='text'>Sábado</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O romance de Machado de Assis é considerado Realista mais por uma questão cronológica do que em razão de sua fidelidade ao estilo de época do século XIX. Sua habilidade de deixar incrédulo o leitor a respeito das reais intenções do narrador deu-lhe fama de escritor que antecipou – no Brasil – o romance moderno. De fato é visível a preocupação do criador de Capitu com o não dito e a ambigüidade. Machado de Assis não é citado por Borges como é Eça de Queirós. Pra mim isso só encontra explicação na pouca familiaridade do escritor argentino com autores de língua portuguesa, mais especificamente do Brasil. Há muito de Machado de Assis na obra de Borges. São autores com preocupações parecidas. Poderia ser de Machado de Assis a recomendação que deve o narrador contar uma história como se não estivesse totalmente inteirado dos fatos. Machado é sem dúvida um escritor que se enquadra perfeitamente na poética da obra aberta de Umberto Eco. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Entre muitos escritores, esse é o caminho para se produzir boa literatura.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Machado de Assis é como aquele atleta que não teve ainda seu recorde quebrado. Ele subverteu o século XIX e antecipou o século XX. Isso, entretanto, não quer dizer que o Bruxo tenha feito algo original. Outros escritores, antes dele, como Laurence Sterne, fizeram o mesmo. Acho que o grande mérito de Machado está no fato de se apoderar de uma técnica e nela por sua marca.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Estou lendo &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Sábado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;, romance de Ian McEwan sobre a piração do povo inglês e americano depois do Onze de Setembro. Ao longo das 330 páginas, acompanhamos um dia – o sábado – na vida de Henry Perowne. Neurocirurgião de um importante hospital de Londres. Ele é casado com Rosalind, uma destacada advogada. Seu sogro é um poeta indicado ao Nobel e seus dois filhos, Daisy e Theo são o máximo em matéria de filhos; ela uma poeta promissora, ele um astro pop. A única mácula na vida cor de rosa de Henry é sua mãe, internada num abrigo para velhos, com algum tipo de degeneração neurológica em estado bem avançado, mas o desconforto que ele sente ao visitar a mãe é coisa passageira, basta dirigir seu carrão pelas ruas de Londres e logo a mãe e tudo aquilo que ela representa de incômodo ficam para trás, no abrigo, sob os cuidados de uma enfermeira que o trata de doutor e por causa de sua condição de médico, merece cuidados especiais extensivos à sua mãe, a paciente.
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A primeira coisa que me chama a atenção no romance é que McEwan, ao contrário de Machado de Assis e seu narrador escorregadio, Borges e o não dito, Umberto Eco e sua ambigüidade – que eu estou convencido de que são elementos fundamentais para uma escritura satisfatória –, é que ele parece ir na contramão. O discurso é na terceira pessoa e o narrador onisciente que tudo sabe e tudo vê não deixa escapar nada e debulha para o leitor o fundo do âmago de Henry e nos revela todos os pormenores de seus pensamentos, medos ou frustrações. Não precisamos supor nada. Tudo está esclarecido, terminamos o romance com a sensação de que conhecemos o personagem há pelo menos trinta anos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Ian McEwan acompanhou a rotina de um neurocirurgião de verdade durante dois anos. Os detalhes que nos fornece sobre a rotina de tal profissional o ajudaram a compor seu personagem e deu-lhe tal verossimilhança capaz de deixar satisfeito qualquer sociólogo. Sobre o médico e sua relação com o hospital – ele descreve o lixeiro onde são depositadas as roupas cirúrgicas descartáveis com riqueza de detalhes –, ficamos familiarizados com tudo, desde a terminologia empregada no trato com doenças, remédios, procedimentos e equipamentos cirúrgicos a hierarquia entre médicos e residentes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Parece que estamos lendo um escritor do século XIX sem as preocupações de Machado de Assis, um Eça de Queirós, capaz de compor um quadro sobre o qual nenhuma suspeita paira. Um grande romance de um realista do século XXI.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-9056720866116185053?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/9056720866116185053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/sabado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/9056720866116185053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/9056720866116185053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/sabado.html' title='Sábado'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-2272456806425648409</id><published>2009-06-22T12:42:00.000-07:00</published><updated>2009-06-23T07:09:47.273-07:00</updated><title type='text'>Junichiro não é Machado</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 24px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Ju&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;nichiro não é Machado de Assis. Não tem a mesma habilidade de fazer com que o leitor se sinta pisando em terreno movediço. No romance &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;A Chave&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; há dois diários, escritos por personagens influenciados pelo mundo dos sentidos. Em dado momento é coerente desconfiar da sanidade dos autores. Mas as desconfianças nascidas da verdadeira autenticidade dos escritos não aparecem senão no final do livro. Aí descobrimos que Ikuko mentia quando afirmava que insuflou ciúmes ao marido para fazê-lo esquecer-se do medo da morte.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Na obra machadiana o leitor é posto à prova. Depende dele aceitar ou não. É sua argúcia que determinará o quanto participará ou não da construção do texto. Isto, entretanto, não quer dizer tudo. O Bruxo nos lança um desafio, como o da esfinge, mas ao contrário de Épido, não matamos a charada e somos devorados. É assim que nos sentimos diante do julgamento do adultério. O processo ao qual nos submetemos como juízes do verdadeiro caráter de Capitu ou a loucura de Bentinho revela-se no final uma difícil probabilidade matemática.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Junichiro não vai tão longe, mas não há como negar a complexidade das personagens. Se a ambigüidade nos acompanha ao longo da narrativa de Machado, em Junichiro ela é só uma silhueta que aos poucos vai tomando forma e só aparece no final. No final o autor nos deixa em dúvida sobre a real natureza do relacionamento de Kimura e Toshiko. Para além da trama de assassinato do marido perpetrado por Ikuko, haveria outra trama, não anunciada, do jovem casal? Por que foi o relacionamento adúltero da mãe facilitado pela filha? Estaria sendo Ikuko vítima da vontade de Toshiko e Kimura que secretamente contribuíram para aquele desfecho? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Nas últimas páginas do livro, Junichiro me lembrou Machado de Assis – por isso a comparação – senti de repente o terreno movediço, uma característica sem dúvida do romance moderno, praticada - e ainda não superada - pelo Machado de Assis nos últimos suspiros do século XIX.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-2272456806425648409?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/2272456806425648409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/junichiro-nao-e-machado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2272456806425648409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2272456806425648409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/junichiro-nao-e-machado.html' title='Junichiro não é Machado'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-2056153483931771998</id><published>2009-06-21T16:55:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T17:01:49.068-07:00</updated><title type='text'>Da tradução</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Segundo Borges, o que fez o Dom Quixote subsistir no tempo não foi o estilo do autor, pois não há nenhum. Mas tão somente seu aspecto psicológico. De fato ninguém precisa fazer uma leitura mais atenta do livro do Cavaleiro da Triste Figura para perceber ali desorganização, capítulos inacabados, parágrafos intermináveis, desencontros etc. A impressão que se tem é que Cervantes jamais releu seu romance.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;Senão toda, mas alguma razão tem o escritor argentino. De fato se é o estilo composto em grande parte pelo manejo com as palavras, possível somente com a utilização da Língua de que se está valendo e que uma tradução, mesmo a melhor de todas, não reproduz o texto original – porque uma língua não encontra correspondência fiel na outra – e que desta forma perdem-se justamente os artifícios verbais do estilista, como explicar que uma obra sobreviva a todo tipo de tradução descuidada? Em seu livro Borges cita o poeta Heine que nunca leu Dom Quixote em espanhol, mas o celebrou para sempre.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;Alguns escritores não acreditam mais no estilo. Raimundo Carrero é um deles, costuma afirmar que é a personagem quem tem estilo. Acho que o conceito de estilo ficou abstrato. O fato é que Borges me deixou mais à vontade com as traduções. Tanto é que leio autores japoneses despreocupado com a correspondência das línguas. É verdade que estou atento para as boas edições, e sei que apesar do conforto que as palavras de Borges representam para quem fala uma só língua, é melhor ler uma boa tradução do que uma tradução qualquer.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-2056153483931771998?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/2056153483931771998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/da-traducao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2056153483931771998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2056153483931771998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/da-traducao.html' title='Da tradução'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-8136518121661417399</id><published>2009-06-17T13:32:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T17:02:42.668-07:00</updated><title type='text'>Do erótico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;T&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;alvez meu comentário anterior sobre A Chave tenha provocado no leitor uma falsa idéia do romance. Que o livro é erótico, não há como negar, mas não o tipo de erotismo que emana das cenas de sexo e sua descrição rica em detalhes. Nesse sentido não há erotismo. O mais perto disso é acompanhar o marido, com a ajuda de uma lâmpada fluorescente, examinando com ímpeto de voyeur, o corpo nu da esposa que finge dormir. Há certas particularidades na anatomia da mulher, como o pé e a pele macia que o recobre, capaz de provocar verdadeiro frenesi no homem segurando a lâmpada. Eu diria que o erotismo do livro emana muito mais do entusiasmo do voyeur em presença do objeto de sua adoração do que da descrição desse objeto. É o entusiasmo dele que nos contamina e nos faz sentir a beleza do objeto de desejo mesmo diante de uma quase ausência de detalhes na sua descrição. Por um instante somos a personagem e partilhamos suas sensações. Isso ocorre sem que nos apercebamos. Inconscientemente.

Tanto no diário dela quanto no dele, as informações que envolvem a ambos são de ordem prosaica. É ela que tem que fazer umas compras, arrumar o escritório ou passar na casa de banhos e depois se encontrar com o amante. Do encontro nada sabemos, apenas imaginamos. Quando o professor &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;envia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; a Kimura os filmes contendo as imagens de sua esposa nua, nós não somos informados sobre como reagiu o rapaz, apenas temos uma vaga idéia quando muitas páginas depois ele é referido por Ikuko ou por seu marido a propósito de uma coisa qualquer, absolutamente fora daquele contexto. É a arte do não dito, que parece ser regra nas grandes obras de ficção, tanto o conto quanto o romance.

Já nas últimas páginas do romance, enquanto o marido, vítima de um derrame, está convalescente no quarto, a mulher, para descrever uma cena de encontro com o amante limita-se a umas poucas palavras: “Às onze horas, ouço passos no jardim...” O resto fica por conta do leitor e sua natureza voyeur.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-8136518121661417399?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/8136518121661417399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/do-erotico.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8136518121661417399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8136518121661417399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/do-erotico.html' title='Do erótico'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-2706560981285743255</id><published>2009-06-15T17:53:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T17:03:07.201-07:00</updated><title type='text'>A Chave</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; Cia das Letras vem desde 2000 publicando as obras traduzidas para o português de Junichiro Tanizaki, provavelmente o escritor mais popular do Japão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Surpreende-me o tratamento que o autor confere às personagens. Dir-se-ia um Marquês de Sade japonês. Eles, os personagens, estão sempre vivendo triângulos amorosos marcados pelo sexo. As personagens têm pudor – algumas mulheres não se mostram nuas para seus maridos – há vergonha e é quase o mesmo o conceito de licenciosidade dos ocidentais, mas não há influência do Cristianismo. O sexo pode ser depravado, licencioso e pode causar vergonha, mas não é pecaminoso e sua prática – mesmo no adultério, por exemplo – não tem o poder de condenar a alma de quem o pratica.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Junichiro Tanizaki foi um desses escritores japoneses do começo do século XX muito influenciado pelo mundo ocidental – embora mais tarde se volte para as tradições e o Japão feudal. Há de se supor, portanto, que tenha lido Freud. Em seus livros o sexo é o tema a partir do qual se inquieta com o humano.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Em A Chave, um homem de 56 anos e sua esposa de 45 escreve – cada um a seu turno – um diário que é compartilhado com o leitor. Espécie de romance epistolar de duas vozes. No diário cada um apresenta suas impressões do casamento. Não precisa dizer que a tônica é o sexo. Nenhum deles, embora corroídos pela suspeita (a chave do título é a chave que abre a gaveta em que fica guardado o diário dele) lê o diário um do outro. Sadismo e jogos sensuais a que se submetem, arriscando a própria saúde e escandalizando a filha, fazem de fato lembrar o Marquês.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O casal recebe em sua casa, reiteradas visitas de Kimura, jovem que nos é apresentado como pretendente de Toshiko, a filha. Tal romance, entretanto, não é consumado e o jovem casal passa apenas por amigos. Os pais da jovem estão casados há 30 anos e entre os dois acumulou-se ao longo dos anos uma lista de desagrados, embora ainda se amem – o marido principalmente. Os encontros são regados a conhaque – que Ikuko, a esposa, bebe até se embriagar. Bêbada ela deixa a sala, desnuda-se e desmaia na banheira, o que é acudida pelo marido, o jovem desconcertado e a filha que tem a mãe na conta de muito virtuosa. Tiram-na da banheira e o jovem ajuda a pai e filha enxugar e vestir a senhora daquela casa. O ritual repete-se e apesar de bêbada, Ikuko finge-se desmaiada. O marido desconfia do desmaio e ao contrário do que se poderia esperar, excita-se com o jogo da esposa. Daí por diante resolve participar efetivamente – não é passivo – seu toque pessoal está no fetiche de fotografar o corpo nu da mulher e entregar os filmes para o embasbacado Kimura revelar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O perigo de estar instigando o adultério da esposa – motivo de dor provocada pelo ciúme – não é suficiente para fazê-lo parar. Para atender ao desejo de Ikuko aplica em si mesmo injeções de quinhentas unidades de hormônio pituitário a cada três ou quatro dias e faz isso contra as recomendações medicas que o alertam para sua pressão altíssima. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Nada mais me atrai a não ser o prazer corporal&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;, são suas palavras num trecho do livro. E pelo prazer está disposto a tudo – ela também – e tudo parece justificado apesar do preço que precisarão pagar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-2706560981285743255?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/2706560981285743255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/chave.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2706560981285743255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2706560981285743255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/chave.html' title='A Chave'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-830962718339459335</id><published>2009-06-11T18:08:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T17:03:30.253-07:00</updated><title type='text'>Ainda Kawabata</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=";font-family:georgia;"&gt;O&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;utro dia um professor explicava na classe que toda literatura é simbolista e que o Simbolismo apenas pretendeu exacerbar tal característica. De fato. No livro “A Casa das Belas Adormecidas” há passagens dignas dessa nota.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O mais interessante, embora óbvio, é que se reconhece um bom escritor pela habilidade com que trata o símbolo. Às vezes a comparação ou metáfora parece forçada. Não seria esse o caso numa das passagens do livro em que o autor compara a jovem nua e adormecida com uma espécie de Buda? Não soaria grosseiro comparar um ícone – da Virgem Maria, por exemplo – com uma jovem nua (uma prostituta que não sacia o desejo da carne do homem, mas que é consciente de seu papel como objeto de sedução) intencionalmente adormecida para servir de “brinquedo” para velhos licenciosos?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Tudo isso seria verdade se não fosse a habilidade do artista. Nesse sentido o melhor exemplo é, talvez, o de Bernini. O Êxtase de Santa Teresa, mesmo para padrecos vivendo em meados dos anos 1600 – ainda a época da Santa Inquisição – não pareceu imoral embora seja indo e vindo o retrato fiel de uma mulher se contorcendo de gozo. Todos tiveram que calar sua hipocrisia diante da manifestação do belo que deve todo seu êxito a habilidade do artista. Em Kawabata a jovem nua podia ser muito bem o Buda diante do qual os velhos se ajoelham e choram “pelo medo da morte que se aproximava ou o lamento pela juventude perdida.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;A jovem nua, como uma santa de gesso por quem os fieis nutrem fé e paixão tem o poder de fazer aqueles homens, embora velhos, mas que são homens de poder e posição, derramar lágrimas e revelarem-se sensíveis e frágeis, destituídos das máscaras que são obrigados a sustentar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-830962718339459335?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/830962718339459335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/do-simbolo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/830962718339459335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/830962718339459335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/do-simbolo.html' title='Ainda Kawabata'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-2681809354645635260</id><published>2009-06-10T09:50:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T17:03:57.439-07:00</updated><title type='text'>Similaridade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O fragmento de texto selecionado abaixo foi extraído por mim de um artigo sobre “Meu nome é Legião” do Antônio Lobo Antunes. Não me lembro o nome do autor do artigo. É sobre o escritor português, mas caracteriza perfeitamente o romance de Raimundo Carrero. Talvez não aqueles que pertencem ou nasceram influenciados pelo Movimento Armorial, mas os de feição urbana, entre os quais merece destaque “Somos pedras que se consomem”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;" (...) o autor fabrica os personagens na agenda informativa do dia, recorta-os das páginas do "Correio da Manhã", decalca-os do violento alinhamento dos noticiários da TVI, descobre-os na batalha que diariamente está travada nos bairros degradados da periferia."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Carrero encontra suas personagens nas páginas de jornal, principalmente nos cadernos policias. Há ali uma verdadeira galeria de tipos, diria ele. Mas talvez o mesmo faça Rubem Fonseca, Marçal Aquino e tantos outros que dão especial enfoque ao viver nos grandes centros urbanos. Reo-realismo? Talvez, mas sem incorrer no anacronismo do estilo de época. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-2681809354645635260?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/2681809354645635260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/similaridade.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2681809354645635260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2681809354645635260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/similaridade.html' title='Similaridade'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-2226066224218378268</id><published>2009-06-09T17:52:00.001-07:00</published><updated>2009-06-21T17:04:25.742-07:00</updated><title type='text'>Elogio da delicadeza</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 27px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;lgo que me chama a atenção em A Casa das Belas Adormecidas, além do já referido por mim na postagem anterior, decerto uma característica da boa literatura do século XX, (a tragédia do homem comum e seus paradigmas que traduzem o insignificante e não o heróico no seu cotidiano) é a escritura do autor. Em Kawabata, chama-me a atenção a suave descrição de ambientes e paisagens, bem como os adjetivos utilizados para dar relevo aos corpos mergulhados no sono das belas adormecidas. É claro que falo da obra traduzida, que é como a conheci.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: normal; font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;“olhando para o teto, viu duas aberturas semelhantes a clarabóias, de onde a luz das lâmpadas elétricas era projetada através da tela de papel Japão. Sem dúvida, uma iluminação como aquela não só era ideal para o veludo carmesim, mas também realçava melhor a tez da garota refletida no vermelho do tecido, dando-lhe a beleza irreal de um espectro.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: normal; font-style: normal;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;(...) os ombros dela se levantaram de leve, realçando a forma arredondada e juvenil de seus seios. E, ao puxar o cobertor sobre os ombros dela, Eguchi envolveu docemente as formas arredondadas com a palma de sua mão. Seus lábios deslizaram do dorso da mão até o braço. O cheiro dos ombros, da nuca da garota, o seduzia. Os ombros, bem como a parte inferior das costas, se contraíram, mas logo se afrouxaram e a pele pareceu colar-se no corpo do velho.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Se de um lado acompanhamos um velho metido em si mesmo, motivado pela situação insólita que se vê representando, deitado ao lado de uma jovem semimorta. Um velho e as sobras de si mesmo, aquilo em que se transformou ou a vida o reduziu, do outro percebemos a suavidade com que o autor, a exemplo de um pintor que escolhe as cores mais delicadas, vai compondo os cenários e descrevendo as jovens – a maioria delas virgens, puras e tão inacessíveis para o velho quanto eram as musas para os poetas românticos. Este contraste – que a meu ver parece intencional, confere tal ênfase à solidão de Eguchi que a sentimos latente dentro de nós.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-2226066224218378268?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/2226066224218378268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/elogio-da-delicadeza.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2226066224218378268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2226066224218378268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/elogio-da-delicadeza.html' title='Elogio da delicadeza'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-3639046406899323736</id><published>2009-06-08T21:55:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T13:19:26.237-07:00</updated><title type='text'>A casa das belas adormecidas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Na cama a menina dorme seu sono letárgico. O velho Eguchi acende um cigarro e sente angustia e vazio. Lembra-se de um poema que ouviu e jamais esqueceu. “&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O que a noite me reserva são os sapos, os cães negros e os corpos afogados&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;.” Os versos que falam da noite, traduzem seu sentimento sobre a velhice.

Yasunari Kawabata escreveu um romance que se passa quase todo dentro de um quarto. O monólogo de um velho diante do corpo nu de uma jovem que ele não conhece, impossibilitado pelas normas da “casa” de nunca com ela se relacionar sob pena de botar tudo a perder e fazer desaparecer todo o mistério que o seduz e causa sofrimento. O tempo narrativo linear é apenas interrompido de vez em quando para dá lugar ao fluxo de consciência da personagem que volta no tempo e relembra os momentos de vida ao lado das filhas, amante e esposa. Nesses momentos a sensualidade cede lugar a sentimentos confusos que o impele a rever a vida que levou. Mas a tônica maior, acho eu, é o desespero em face da impossibilidade, o sentimento da impotência e a dor de envelhecer.

Apesar de não ser ainda um “&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;cliente de total confiança&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;”. Mas um homem com alguma virilidade, embora não muito longe da decadência da velhice, o velho Eguchi sente que “&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;o desespero de envelhecer se tornava insuportável&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;.” Estar diante do mais precioso objeto de desejo potencializa esse sofrimento que é procurado por ele numa insensatez ou ânsia de purgação.

Parece que volto a comentar “O homem comum” de Roth, porque este livro, como o outro, também é o relato de um ser dilacerado, em luta contra os fantasmas e obsessões. O monólogo de Eguchi revela suas fragilidades e o reduz a uma parcela mínima do homem que um dia foi. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-3639046406899323736?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/3639046406899323736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/casa-das-belas-adormecidas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3639046406899323736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3639046406899323736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/casa-das-belas-adormecidas.html' title='A casa das belas adormecidas'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-1941448480051010397</id><published>2009-06-07T19:26:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T17:05:01.632-07:00</updated><title type='text'>O crânio de Yorick</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Q&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;uando o homem comum vai ao cemitério fazer sua última visita ao túmulo judeu de seus pais – embora não saiba que seja a última, encontra o coveiro. Tal encontro me fez lembrar da cena I do Quinto Ato de Hamlet. Nela o perturbado príncipe se encontra com o coveiro e se espanta diante do horror de segurar nas mãos o crânio de Yorick, o bobo da corte de seu pai, que o fazia rir e o carregava nas costas. Que fizeram de teus sarcasmos, de tuas cabriolas e canções, pergunta o príncipe. O coveiro é bem humorado, está cantando quando aparecem Hamlet e Horácio e não reconhece o príncipe. Este lhe faz perguntas. Quanto tempo é coveiro e quanto tempo pode ficar um homem enterrado antes de apodrecer?
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Causa indignação a Hamlet a indiferença ou naturalidade do coveiro diante do horror da morte.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O coveiro da novela de Roth é negro, tem 58 anos, é ainda forte e robusto e há 34 anos – o coveiro de Hamlet há 30 – cava buracos tão lisos no fundo que daria para fazer uma cama ali. Como o da peça este também comenta sobre alguns mortos enterrados por ele, como o cara que lutou na Segunda Guerra Mundial e o garoto de 17 anos, morto num trágico acidente de carro. Fala dessas coisas como se comentasse a previsão meteorológica para domingo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Um dia nublado, com pancadas de chuva à tarde. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Assim como Hamlet, o personagem de Roth não compactua com o coveiro da mesma naturalidade com que este encara a morte. Nele há indignação e revolta e um forte sentimento de inconformismo por saber-se impotente diante do inevitável. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: normal;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Há mais de uma leitura possível no livro, porém aquela que mais me tocou é a história de um homem que sabe que vai morrer, senão hoje, mas um dia, talvez mais cedo do que seria da sua escolha e que não há nada a fazer, senão revoltar-se. Mais do que isso, é a história de um homem que não tem nome porque representa a todos nós, e que apesar de todos os erros e frustrações que acumulou pelo caminho, continua preso à vida de tal modo a considerar a morte um equívoco, o maior dos absurdos, aquilo que atenta contra sua natureza. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-1941448480051010397?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/1941448480051010397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/o-cranio-de-yorick.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1941448480051010397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1941448480051010397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/o-cranio-de-yorick.html' title='O crânio de Yorick'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-184336557252204727</id><published>2009-06-06T11:44:00.000-07:00</published><updated>2009-06-07T19:37:47.947-07:00</updated><title type='text'>Homem Comum</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana; "&gt;É muito triste quando a ilusão perde o poder sobre nós. Quando isso acontece, e um dia acontece, é inexorável, o suicídio passa a nos atrair como coisa razoável, e se não são proporcionais, é porque existe muita gente covarde no mundo. Covarde mesmo quando não há nada a perder. Há um ditado que diz que Deus dá o jeito. Será? Pra mim, que não acredito em Deus, ou pelo menos num Deus que tem para nós um projeto além túmulo, isso não serve de consolo. &lt;/span&gt;
&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Existir é doloroso, diria Sileno. Existir não foi uma escolha. De repente nos descobrimos num mundo que nos acolheu como pôde e nos indicou as alternativas de sobrevivência. Sobrevivemos, ou assim nos parece. Deram-nos obrigações, concederam-nos alguns direitos e assumimos o nosso papel no mundo, bem ou mal. Na verdade nos deixamos arrastar pela onda. E tudo o que fizemos – dentro das alternativas viáveis – teve sobre nós um efeito anestésico. Entre os animais somos os únicos conscientes da morte, e para ter de lidar com isso, criamos estratagemas. Talvez a religião seja o mais famoso deles. Mas chega um momento crucial quando a ilusão perde o poder sobre nós, e nada mais que fazemos para nos “distrair” tem efeito alucinatório. O ópio perde suas propriedades e depois da comédia representada, o teatro está vazio, e restamos nós e o absurdo que encarnamos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;O personagem de O homem Comum, última novela de Philip Roth, e de quem não sabemos o nome, divisa este momento. Além da morte, as coisas que ficaram para trás, aquilo em que gostaríamos de ter uma nova oportunidade – talvez ainda um pouco de ilusão? – para tentar de novo, mas é tarde, o passado é imutável. Só resta lamentar as coisas que poderiam ser e não foram. Todo o esforço que não foi suficiente. A morte – certamente a personagem central da novela – tem o poder de potencializar tais frustrações. No início do livro a personagem está sendo sepultada pelos familiares, quando ocorre o retrocesso no tempo, o autor já tem nos alertado sobre o desfecho: onde tudo vai acabar, e então fazemos a leitura incomodados com a idéia de que somos um projeto fadado ao mais completo fracasso. Os casamentos sucessivos, as mulheres enganadas por ele, o ódio de dois filhos e as internações em decorrência de uma saúde debilitada são os reflexos de uma trajetória para lugar nenhum.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Seu pai ganhava a vida no ramo dos diamantes. Há entre o homem e o diamante uma grande diferença. O diamante não é perecível. O homem sim, nós não somos capazes de escapar da vicissitude da temporalidade. É sobre isso a novela de Roth, mas não apenas o perecer do corpo, mas do mundo ao nosso redor, nossos valores mais caros e nossa esperança. &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-184336557252204727?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/184336557252204727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/homem-comum.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/184336557252204727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/184336557252204727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/homem-comum.html' title='Homem Comum'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-5719983865900100001</id><published>2009-06-02T19:45:00.000-07:00</published><updated>2009-06-07T19:39:05.030-07:00</updated><title type='text'>Simenon</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Na última semana me deu vontade de ler um bom romance policial e aí me decidi pelo Simenon. Comecei com O Caso Saint-Fiacre, e acompanhei Maigret de volta à sua cidade natal. Nela o Comissário reencontra personagens antes inacessíveis, quando ele era garoto pobre, filho do administrador do castelo.
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;A condessa está morta, mas antes disso, ela e o castelo e a nobreza que um dia representou, entraram em franca decadência. Seu filho, o herdeiro de coisa nenhuma, vadio e por aqui de dívidas, é suspeito, bem como o secretário da condessa com quem ela mantinha relações inadequadas – causa de indignação e revolta dos mais pudicos habitantes do vilarejo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O mundo que Maigret conheceu e do qual provavelmente ainda conservava alguma impressão desde quando deixou aqueles cafundós, desaba. Os últimos vestígios sobreviveram até sua vinda, quando deixou seus afazeres em Paris e fez aquela viagem que é também uma viagem sentimental, embora às avessas; desmistificadora.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;É trazido ali motivado pelo trabalho de detetive. Precisa solucionar um crime que ainda não aconteceu. Um crime anunciado. Aliás, algo sem muito sentido, que não fica nem um pouco esclarecido já que o assassino não é um serial killer narcisista e tarado por ibope. Tal excentricidade será sua perdição. Não fosse ela teríamos o crime perfeito em que um assassino sequer suja as mãos, senão de tinta. A vítima cai fulminada por um ataque do coração depois de ler uma notícia prestidigitada, intencionalmente deixada ao seu alcance. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O assombro de Maigret diante de seu mundo de infância que desmoronou é a tônica maior do livro. O caso do assassinato fica em segundo plano – nem é solucionado por ele – Simenon não corrigiu as impropriedades nem ligou importância para um detalhe e outro inverossímil, e nele, assim como em Cervantes, tais “descuidos” não foram capazes de macular o romance que sai incólume, possibilitando-nos mais uma leitura da alma humana. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-5719983865900100001?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/5719983865900100001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/simenon.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5719983865900100001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5719983865900100001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/06/simenon.html' title='Simenon'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-8203816840568426549</id><published>2009-05-27T12:10:00.000-07:00</published><updated>2009-05-27T13:10:15.912-07:00</updated><title type='text'>Conceito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sempre que é publicado um novo livro de escritor brasileiro – conto ou romance – sentimos uma expectativa: Será um novo Guimarães Rosa?

O consenso mais aceito é que nas últimas décadas tivemos de nos contentar com produções razoáveis. Nada de excepcional. Há quem diga que os escritores de hoje chegaram tarde demais. Vieram depois de Shakespeare, Cervantes, Dostoievski, Machado de Assis etc. Ou talvez fomos nós que nos tornamos mais exigentes ou confusos por efeito dos novos tempos – plurais desde as Vanguardas – e que têm nos oferecido um número considerável de obras que não se encaixam num mesmo gênero nem estilo de época.

E o que é ser genial?

Quando o escritor segue os paradigmas é julgado pela sua incapacidade criativa, se envereda pelo experimentalismo corre o risco de parecer tradicional, superficial ou ridículo. A partir de quais critérios podemos julgar se uma obra é experimental? Ou mais ainda. O que é ser experimental depois de Joyce, Beckett, Marcel Duchamp ou Haroldo de Campos?

Há dois bons, justos e criteriosos julgamentos de livros. O primeiro é de Oscar Wilde: Um livro não é moral ou imoral. É bem ou mal escrito, diz ele. O outro julgamento é de Ernesto Sabato: O bom livro não foi feito para entreter, mas para causar perplexidade. Situo o meu ideal de livro levando em consideração esses dois conceitos, principalmente o último. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;
Recentemente li dois livros de autores brasileiros. Em Galiléia do Ronaldo Correia de Brito e O Filho Eterno de Cristóvão Tezza, pude reconhecer que os autores foram felizes em tratar do humano. Não são livros para entreter, mas para causar perplexidade, como queria Sabato e não fazem parte desse monte de porcaria que figura na lista dos dez mais. Não encontramos personagens estereotipadas, marcadas por uma idéia estúpida e romântica de dualismo. Nos personagens reconhecemos nossa banda podre. Não são livros morais ou imorais. Tratam do mais absurdo de todos os animais, o homem e sua viagem para lugar nenhum, tentando desesperadamente dar sentido à sua vida. O homem comum, efêmero, bem distante do Ulisses de Homero. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-8203816840568426549?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/8203816840568426549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/05/conceito.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8203816840568426549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8203816840568426549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/05/conceito.html' title='Conceito'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-3869274440804639805</id><published>2009-05-18T16:43:00.000-07:00</published><updated>2009-05-23T08:50:38.593-07:00</updated><title type='text'>Paradigma</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Outro dia li a entrevista de um escritor brasileiro, recentemente descoberto pelas editoras e pela crítica especializada. Ele dizia que não acredita nessa coisa de “ser brasileiro”.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Não sei o que pensaria José de Alencar se um vidente lhe dissesse que cem anos depois dele um escritor importante e brasileiro faria tal declaração. Depois dele e do projeto de construção da identidade cultural do Brasil – projeto que Alencar, mais do que qualquer outro romântico ambicionou com seu romance que, não obstante o claro das impropriedades tenta traçar a geografia do Brasil. Acho que a mesma reação teria o Mário de Andrade, que ao modo dos artistas de sua geração e seu caráter anárquico, também ambicionou dar continuidade – de um modo diferente, claro, crítico e coisa e tal – ao projeto de identidade cultural. Macunaíma, o herói sem caráter, é o romance tese dessa empreitada. Mas o fato é que o tal escritor da entrevista talvez não esteja enganado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;No século XIX a França era o paradigma cultural do mundo ocidental e foram as vanguardas européias que influenciaram o Modernismo dos Mários. Quase cem anos depois dos gritos e berros que ecoaram no teatro municipal de São Paulo, ainda estamos em formação e a única conclusão que chegamos é que não somos negros nem brancos nem índios.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;As tecnologias nos aproximaram e a globalização – que não é coisa nova e começou com as navegações – tem contribuído para nos fazer sentir cada vez mais um só povo, não obstante os fundamentalistas de plantão. O povo do pequeno ponto perdido no espaço que alguns dizem ser azul e que se chama terra.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Teve um tempo que eu achava estranho o fato de gostar tanto dos romances americanos da década de 20, ambientados na França e que falam de homens e mulheres – de quem uma escritora se referiu como geração perdida – vivendo o entre-guerras e a frustração de ser humano e o quanto isso representa de impotência e fragilidade. Eu achava que isso acontecia em decorrência de minha péssima formação em escolas públicas e minhas leituras mal orientadas. Cheguei a escrever para um amigo, lamentando essa falha em meu caráter. Por que eu me sinto mais identificado com Fitzgerald do que Graciliano, e por que kind of blue me encanta mais do que Samarica Parteira?&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Não estou dizendo que nossos escritores e músicos sejam melhores ou piores. Estou dizendo que um livro ou disco, escrito ou gravado quase cem anos atrás e milhares de quilômetros longe de meu país me encanta e me causa felicidade. E isso tudo também por uma relação narcisista. Porque de algum modo e apesar de todo estranhamento, eu, nascido em Pernambuco, Nordeste do Brasil me encontro ali. Vislumbro meu reflexo.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Não me sinto mais constrangido. Leio e escuto o que me traz felicidade, mesmo que o Ariano me considere um mentecapto. &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-3869274440804639805?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/3869274440804639805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/05/paradigma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3869274440804639805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3869274440804639805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/05/paradigma.html' title='Paradigma'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-5366516888190390170</id><published>2009-05-12T14:03:00.000-07:00</published><updated>2009-05-12T14:12:16.373-07:00</updated><title type='text'>Teimosia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;
&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dizer que um escritor segue a tradição não é afirmar em outras palavras que ele seja cultor de formas anacrônicas ou temas idem; não confundir com neoclassicismo. Também não é acusá-lo de plágio, tampouco fazê-lo herdeiro de uma herança segundo a contingência da legitimidade do sangue; nada a ver com a ética aristocrática, mas com a ética segundo Hesíodo; estamos falando do esforço da labuta, do direito adquirido, por que conquistado. &lt;/span&gt;

O texto acima é o primeiro parágrafo de um artigo que escrevi faz uns dez anos. Na época eu achava que tudo se resumia numa equação elementar: dedicação e labuta. Hoje eu sei que não é tão simples, mas ainda não desisti e consigo extrair consolo de  uma frase de Flaubert: “Não importa, terei algum valor por minha teimosia.”
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-5366516888190390170?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/5366516888190390170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/05/teimosia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5366516888190390170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5366516888190390170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/05/teimosia.html' title='Teimosia'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-2674153388124136602</id><published>2009-04-26T19:58:00.001-07:00</published><updated>2009-04-27T12:49:13.895-07:00</updated><title type='text'>Max Brod</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Num artigo, Harold Bloom, o crítico americano,  vaticinou que o jovem leitor que começar suas leituras pelo Harry Potter não evoluirá para leituras mais sofisticadas, como os clássicos. Na ocasião em que li essa opinião, recordei-me de um jovem que conheci quando morava com os meus pais. Ele devorava os livros de Agatha Christie, e quando leu o último das oitenta e tantas novelas da autora inglesa entrou em crise, somente resolvida quando se decidiu reler os livros. Depois disso eu não acompanhei mais o caso, mas naquela ocasião ler outros  livros que não fossem os de Agatha Christie não fazia o menor sentido para ele.

Também me recordo de um colega de escola que não podia passar um dia sequer sem ler o seu bom e velho faroeste de bolso, livros de qualidade literária duvidosa e pior traduzido. Este eu reencontro depois de muitos anos e não sei se porque o hábito faz o monge ou se por uma grande coincidência, encontro-o com um romance de Elmore Leonard. Ele não evoluiu para outro gênero, apenas melhorou suas escolhas de autor.

O fato é que normalmente um bom livro está associado a desafio. Desafio intelectual. Um bom livro pede nossa participação no processo criativo, e isso não é novo, a bíblia é um desses exemplos. Ler requer esforço, coisa bem diversa do que nos exige a televisão. Mas alguns não entendem isso. Esperam encontrar nos livros, as mesmas formulas fáceis da televisão. É por isso que os livros incluídos nas modas literárias e que passam semanas, às vezes meses, nas listas dos mais vendidos da Veja, são quase sempre livros de qualidade literária inferior e se constituem unicamente em entretenimento. Um objetivo indigno da literatura, diria Ernesto Sabato.

Acho que o bom livro é mais do que isso, transcende essa fronteira do meramente divertido. Mas o problema é que um livro especial pede um leitor especial. Entende-se por especial alguém capaz de um olhar diferente para a tirania da mídia no seu processo de mediocrização do público consumidor. Não alguém que simplesmente segue a onda. Falo de autocrítica e sensibilidade.

Qual é o problema, então?

Sobre a debilitada moda literária, Carlos Fuentes, no seu Geografia do Romance, citando José María Guellbenzu, diz que “a criação literária é elitista; é o acesso a ela que deve ser democrático e isso só se consegue por meio de uma educação para todos que permita erradicar a ignorância.”

Não sei quando isso foi escrito nem em que contexto. Só sei que os bons livros de literatura, aqueles que hoje são o orgulho da nação, que incorporam os maiores paradigmas das línguas que representam, tiveram no ato de sua publicação a pior recepção por parte do público. Não raro da crítica. A lista é enorme, este espaço não me permite enumerar, mas para não ficar muito vago, permito-me citar os romances de Kafka, o Ulisses de Joyce.

Herman Melville foi amado enquanto publicou historias de aventuras no mar, quando ousou ir mais longe com o seu Moby Dick e Bartleby, não vendeu mais nada e quase caiu no esquecimento. Jorge Luis Borges, uma das maiores expressões da literatura do século XX é considerado hoje um escritor lido apenas por escritores.

Osman Lins é conhecido apenas por Lisbela e o Prisioneiro, um exercício de criação literária produzido numa oficina, no começo de sua carreira. Suas obras mais importantes como Avalovara e A Rainha dos Cárceres da Grécia são considerados livros herméticos e somente lidos por escritores. Júlio Cortazar, um dos maiores escritores argentinos disse uma vez que trocaria toda sua obra por Avalovara do escritor brasileiro, de Vitória de Santo Antão, Pernambuco.

Parece-me, às vezes, que os leitores da boa literatura sempre foram raros. Eles não são os membros de uma sociedade secreta prevista para daqui a 50 anos como diz Philip Roth. Eles sempre foram essa sociedade secreta. Sempre foram poucos, espalhados pelo mundo, com sensibilidade como a de Max Brod, primeiro leitor de Kafka.

A educação, aquela referida por Carlos Fuentes, responsável em produzir leitores especiais, não é, certamente, a mesma conseguida nas escolas de hoje, tampouco nas universidades onde se formam médicos, engenheiros ou advogados. Conheço muitos senhores e senhoras que ostentam orgulhosos os canudos que lhes emprestam títulos, honrarias e dinheiro no banco. E entre a grande maioria dessas bestas, não há nenhum Max Brod. A maioria absoluta nunca leu uma obra literária de verdade, e muitos se ressentem do Machado de Assis que foram forçados a ler no segundo grau, sob a ameaça de um equivocado, porém bem intencionado, professor de literatura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-2674153388124136602?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/2674153388124136602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/04/dddddddddddddddddddjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2674153388124136602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/2674153388124136602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/04/dddddddddddddddddddjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj.html' title='Max Brod'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-1730028732028281520</id><published>2009-04-13T04:53:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T04:54:47.713-07:00</updated><title type='text'>Fanatismo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Há um livro delicioso que sempre leio e releio. &lt;i&gt;O escritor e seus fantasmas &lt;/i&gt;de Ernesto Sabato é uma coletânea de pequenos textos, fragmentos de cartas, ensaios e resenhas literárias. Não há uma seqüência linear, embora quase tudo gire em torno do mesmo assunto: literatura. No livro, como sugere o título, nos deparamos com os fantasmas do escritor; suas inquietações e obsessões. Costumo ler em voz alta um trecho do livro, acho que foi o que mais me chamou a atenção em toda aquela babel de pequenos textos. Ando para lá e para cá recitando o trecho, sinto que é uma verdade que devo assimilar, por isso assumo uma atitude solene, alguma coisa parecida com os muçulmanos lendo e relendo o &lt;i&gt;Alcorão&lt;/i&gt; a fim de que ele comece a fazer parte de sua natureza. No trecho o escritor diz que o fanatismo é a condição mais preciosa do criador, e enfatiza: &lt;i&gt;é preciso ter uma obsessão fanática, nada deve antepor-se a sua criação, deve sacrificar qualquer coisa a ela. Sem esse fanatismo nada de importante pode ser feito.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Hoje, lendo as &lt;i&gt;Cartas&lt;/i&gt; de Flaubert, lembrou-me o livro de Sabato. Flaubert também fala, nas cartas, de seus fantasmas, e poucas páginas depois de leitura, percebemos que aquilo que mais&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;preocupou e consumiu sua vida foi a literatura. Dele, podemos dizer, sacrificou tudo em nome da criação. Acho que Fernando Pessoa estava pensando nele quando escreveu seu axioma famoso. Num trecho de uma das cartas, há uma frase que sublinhei: &lt;i&gt;Não se faz nada de grande sem fanatismo&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Provavelmente Ernesto Sabato leu as &lt;i&gt;Cartas&lt;/i&gt; de Flaubert, mas talvez nem pensasse nelas no momento em que escreveu sua interpretação da condição mais preciosa do criador.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-1730028732028281520?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/1730028732028281520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/04/fanatismo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1730028732028281520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/1730028732028281520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/04/fanatismo.html' title='Fanatismo'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-5399730701457673211</id><published>2009-04-06T17:19:00.001-07:00</published><updated>2009-04-06T18:00:31.086-07:00</updated><title type='text'>Da inércia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não sou um entusiasta de minha própria desordem. Sou um crítico, lamento este meu caráter. Mas não é da desordem que provoca o caos, o que eu me refiro, não a desordem que pressupõe ação, movimento, revolução. Mas uma outra desordem, aquela que nasce da inércia, da preguiça. A desordem das coisas fora do lugar porque ninguém as colocou de volta na escrivaninha, na estante, no tinteiro. A desordem provocada pelo absoluto não fazer.

Há um livro de Luís Jardim que tem um péssimo nome “As confissões do meu tio Gonzaga”, mas que foi escrito na melhor tradição de Machado de Assis e do romance psicológico. No livro há uma personagem, o Gonzaga, que não consegue ser feliz porque um sentimento de profunda impotência o impede de dar curso a seus projetos mais simples. Convertido num ser sem vontade própria, vive a ditadura da inércia. Quando li o livro surpreendeu-me como Luís Jardim soube captar o espírito de sua cidade natal – Garanhuns – , uma cidade famosa pelas coisas que já teve e que apresenta em sua imobilidade crônica uma perfeita vocação para província.

A inércia também tem outro nome, chama-se Bartleby. No momento sou Bartleby com sotaque de Gonzaga.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-5399730701457673211?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/5399730701457673211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/04/da-inercia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5399730701457673211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/5399730701457673211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/04/da-inercia.html' title='Da inércia'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-4873212049267937791</id><published>2009-03-31T20:44:00.001-07:00</published><updated>2009-03-31T20:50:41.220-07:00</updated><title type='text'>Da diferença</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Há uma diferença entre escrever bem e escrever literatura. Não há nenhum paradoxo na frase de Autran Dourado. O bom aspirante a escritor sabe disso e utiliza um bom tempo da sua vida buscando a correta forma de escrever literatura. Em alguns escritores nos choca a maneira aparentemente desastrosa com que trata a língua, noutros notamos que o parágrafo nos cansa, ficamos esperando o outro parágrafo que nunca vem. Também há aqueles que superestimam nossa capacidade de decifrar os enigmas de sua escritura. Mas terminamos o livro surpresos de que as asperezas ou excessos não comprometeram a história, que o conto ou romance, apesar do “defeito técnico”, nos encantou ou causou perplexidade. É claro que há aqueles em que tudo parece corroborar para uma criação impecável, mas esses são raros, são os gênios, os monstros sagrados, bem estabelecidos no cânon: Guimarães Rosa, Borges, Osman Lins. Os bons escritores sonham em um dia pertencer ao cânon, e enquanto sonham se agarram à máxima de Flaubert. É isso ou desistir, meter uma bala na cabeça, contratar os serviços do vendedor de seriguelas. Mas a grande merda ou sinuca é que mesmo o escritor mais consciente, aquele que desconfia dos elogios e acha afetada a academia. Que se tranca no porão de Kafka e prefere literatura aos prazeres licenciosos. Mesmo o caladão, introspectivo e excêntrico escritor de livro inédito pode ser como o árbitro: conhece todos os lances de futebol e é um grandessíssimo perna de pau. É por isso que há tantos críticos e resenhistas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-4873212049267937791?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/4873212049267937791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/da-diferenca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/4873212049267937791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/4873212049267937791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/da-diferenca.html' title='Da diferença'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-354575774440967549</id><published>2009-03-26T08:26:00.000-07:00</published><updated>2009-03-26T08:28:39.647-07:00</updated><title type='text'>O povo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No “&lt;em&gt;Elogio da Loucura&lt;/em&gt;” Erasmo de Rotterdam põe na boca de sua personagem aquilo que ele pensava de seu tempo, dos sacerdotes e da igreja, dos teólogos, filósofos e governantes. Você não acredita que está lendo um livro escrito há 500 anos. Na verdade ele esculhamba a todo mundo, inclusive ao povo, a quem chama de grande e estúpida besta. No início do século XX, nos anos tenebrosos do entre guerras, Céline, um escritor que seria considerado mais tarde maldito, pelas suas escolhas ideológicas, referia-se ao povo francês como &lt;em&gt;corja de fodidos, catarrentos, pulguentos, espezinhados &lt;/em&gt;etc, e na Argentina dos anos setenta, Ernesto Sabato, num artigo, diz que entre o povo e a beleza se abriu um grande fosso, fala em vulgaridade e coisificação, e que &lt;em&gt;o povo de hoje não é essa fresca e virginal fonte de toda a sabedoria e de toda a beleza que imaginam certos estetas do populismo.
&lt;/em&gt;
É comum ouvir dos sociólogos de plantão que a coisa degringolou, que um processo desencadeado pelos meios de comunicação, a mídia, tem como objetivo tornar burro o povo. A gente escuta isso toda hora, já foi tema de uma banda de rock. Parece que todos estão certos de que o povo é vítima de inimigos poderosíssimos e secretos que se escondem por trás de fachadas de grandes conglomerados, multinacionais etc. O Capitalismo é também outro vilão, nele, dizem, o povo assume o papel de consumista e para facilitar as coisas, tem de se enquadrar num mesmo padrão de exigência, o da mediocridade. É por isso que os livros, incluídos na lista dos mais vendidos da Veja, não constitui esforço intelectual nem mesmo para um equus asinus.

Será que é isso mesmo, ou tudo não passa de uma outra versão da história secreta dos protocolos, uma farsa?

Às vezes me parece que o povo nunca foi melhor do que hoje. Que nunca existiu isso de áureos tempos. Não para o povo. O povo nunca teve melhor educação nem foi menos alienado. Lembra do imperador romano que dava pão e circo ao povo? Fazia isso e governava numa boa. Talvez um dia, quem sabe, o povo deixe realmente de ser o que sempre foi; esta grande e estúpida besta como dizia Erasmo de Rotterdam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-354575774440967549?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/354575774440967549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/o-povo_26.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/354575774440967549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/354575774440967549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/o-povo_26.html' title='O povo'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-3834174739814436719</id><published>2009-03-24T09:42:00.000-07:00</published><updated>2009-03-24T09:44:56.563-07:00</updated><title type='text'>biblioteca pessoal</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tirando a teologia e a literatura fantástica, poucos duvidariam que os traços centrais de nosso universo são a escassez de sentido e a falta de objetivo palpável.
                                                                                                                     Alberto Manguel
&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;

Há um amigo que me diz que isso de acumular livros é um grande absurdo, e considera o desejo de possuir uma biblioteca a maior de todas as excentricidades. Mas – eu perguntaria ao meu amigo tão cuidadoso das coisas lógicas e compreensíveis – não seria o absurdo e a excentricidade, não obstante toda e qualquer limitação das palavras, aquelas que melhor definem a nós, seres humanos, pateticamente fadados a nunca responder, senão considerando a teologia e o fantástico, as três perguntas fatais: quem sou? De onde vim? Para onde vou?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
A existência é um absurdo doloroso, não raro, e poucos não concordarão, os momentos de infelicidade suplantam os de felicidade, e uma vez nesse barco ao sabor dos ventos – porque a inconstância é a lei que rege a nós todos – nos tornamos partidários de Sileno, “&lt;em&gt;o melhor é não ter nascido, mas já que nascemos, o melhor é morrer o quanto antes&lt;/em&gt;”. Muitos suicidas concordariam com o sátiro e companheiro de bebedeira de Dioniso.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
 Para aqueles que nasceram e preferem viver, o melhor antídoto contra a fórmula de Sileno é a ilusão, e a biblioteca com seus milhares de livros que tentam compor e recompor o universo, é a melhor das ilusões que já experimentei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Outra amiga vem nos últimos anos doando sua biblioteca, seu exemplo não tem nada a ver com o outro, ela sabe que não dispõe de muito tempo, é muito idosa, e como não possui herdeiros, é seu amor pelos livros que a faz escolher a dedo aqueles que ficarão com eles. Sinto como é doloroso para ela se dispor desses livros e talvez por isso o faz com lentidão, aos poucos. Também sou herdeiro dos despojos dessa biblioteca particular, coube a mim “&lt;em&gt;O amor e a Lira&lt;/em&gt;” de Otávio Paz, uma antologia de poemas escolhidos de Robert Frost e uma novela de espionagem do Tchekhov.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Meu amigo é indigno da companhia dos livros. Não adquirindo os livros e formando sua biblioteca pessoal, ele lê os livros que a sorte reserva. Suas razões, por melhor que sejam argumentadas, recaem sempre na questão econômica.&lt;/span&gt;
 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-3834174739814436719?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/3834174739814436719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/biblioteca-pessoal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3834174739814436719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/3834174739814436719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/biblioteca-pessoal.html' title='biblioteca pessoal'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-7998805892313359897</id><published>2009-03-22T16:28:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T17:01:11.451-07:00</updated><title type='text'>Na livraria</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:100%;" &gt;
Na livraria, aquele pingo de gente. Saio por ali gravitando em torno dos livros expostos e dou de cara com a nova tradução, aliás a primeira vertida diretamente do russo, por Boris Schnaiderman, da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Morte de Ivan Ilich&lt;/span&gt;. Peguei o livro e o visor ótico me deu outra boa notícia, não é caro; apenas 24 reais.

A livraria mantém um café no primeiro andar, com o livro debaixo do braço subo os oito degraus e me sento numa mesinha, a mesma de todas as vezes que vou ali. O rapaz já me conhece, também sabe de minhas posses, e de longe me faz um gesto, a mão estendida e dois dedos medindo a insignificância de meu pedido; um expresso, sem grãos selecionados nem os bolinhos de goma.

Quando o café chega eu já tenho lido a primeira página. Uns juízes sabem da morte de um colega e cada um se põe a imaginar o quinhão que lhes cabe. É um livro sobre a vida e sua insignificância, é um tratado da mesquinharia humana. Enquanto tomo meu café me lembro de Milan Kundera, foi ele quem disse que aquilo que melhor nos representa, a nós seres humanos é a insignificância. Acho que isso devia mexer com a fé de Tolstoi.

Numa mesa ao meu lado uma senhora conversa com uma jovem, e a não ser a gente e o rapaz que serve as mesas, o café está quase deserto. &lt;/span&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-7998805892313359897?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/7998805892313359897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/na-livraria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/7998805892313359897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/7998805892313359897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/na-livraria.html' title='Na livraria'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-6519204380290402075</id><published>2009-03-19T10:34:00.000-07:00</published><updated>2009-03-19T10:46:29.858-07:00</updated><title type='text'>Amorte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Esta semana eu participei de uma coisa inacreditável. Um livro de um amigo meu, o Helder, foi submetido a um julgamento, ou inquisição, tanto faz. O acontecido (insólito?) me fez lembrar um livro que li, faz muito tempo, de um desses escritores americanos de sucesso.

O livro foi muito lido na época, e trazia um título curioso: Os Sete Minutos. Encontram um livro erótico no porta-malas do estuprador, e aí, o culpado, pelo estupro, não é mais Jack, mas o livro. O livro e sua influencia perniciosa. Uma coisa bastante crível na sociedade conservadora americana que elegeu o W. B. duas vezes.

Mas o sucedido lá, mesmo que ficcional, encontra paralelo no sucedido aqui. O livro do Helder foi adotado como pára - didático. O engraçado é que o autor do livro, sem querer, acabou colocando em maus lençóis o pastor e as irmãs que certamente não leram o livro pois decerto se enquadram naquela mesma categoria já descrita por Voltaire: “O miserável homem de um livro só”, no caso, a bíblia, muito mal lida e pior interpretada, e que tiveram de se explicar para as mães enfurecidas e preocupadas com a moral e os bons costumes.

Mas é preciso dizer que o Helder jamais poderia imaginar (eu o conheço, é um menino bom, alguém que poderia servir de modelo para o bom selvagem de Rousseau) que seu livro suscitaria polêmica, ainda mais do tipo que questiona valores morais. Algo inimaginável em 2009. Certamente se valeu Helder do axioma de Oscar Wilde, aliás, alguém que ele cita no livro, autor que escandalizou a sociedade vitoriana de seu tempo, o século XIX, e de quem Helder aprendeu que: “um livro não é, de modo algum, moral ou imoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo”.

O livro &lt;em&gt;Amorte&lt;/em&gt; é de poemas. Poemas sem nada de floreios românticos nem fingimentos poéticos do Arcadismo. Poemas contemporâneos que agradariam ao João Cabral de Melo Neto e que arrancou elogios de Marcus Accioly, autor de &lt;em&gt;Érato&lt;/em&gt; e considerado por muitos como um dos mais importantes poetas vivos do Brasil, portanto uma autoridade no assunto.

As mães naquele auditório reunidas e preocupadas com a influencia perniciosa do livro, acusaram-no de agente deformador de seus lindos filhinhos que não assistem ao big brother nem comparecem aos shows de calcinha preta e bonde do tigrão. Entre essas senhoras, certamente bem intencionadas como asseverou um padre, também presente no auditório, e o Marcus Accioly, eu acho que fico com o Marcus.

A literatura está cheia de histórias semelhantes. Em todos os casos – não há exceção – os livros acusados de imoralidade têm na figura de seus acusadores sempre uma laia de hipócritas que se deixam conduzir pelo preconceito e ignorância. O &lt;em&gt;Ateneu&lt;/em&gt;, de Raul Pompéia ainda hoje figura entre os livros proibidos da Igreja. O tema de que trata Raul escandalizou a sociedade de seu tempo. Num colégio católico, meninos são vítimas de padres homossexuais e pedófilos. Mas isso não existe. É coisa de literatura. Na Igreja não há pedófilos, a música que as rádios tocam são de bom gosto e trazem mensagem edificante de amor; amor virtuoso que não se realiza no campo físico, como queriam os poetas românticos no seu enfoque neoplatônico. A televisão só exibe programas educativos e o mundo é cor de rosa onde podemos criar nossos filhos em redomas de cristal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No fundo eu acho que essas senhoras têm razão. O Helder é culpado, sua licenciosidade só encontra paralelo no Marquês de Sade. Ele devia estar preso bem como o Mário e seu auter-ego, o vendedor de seriguelas.
 &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-6519204380290402075?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/6519204380290402075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/amorte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6519204380290402075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/6519204380290402075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/amorte.html' title='Amorte'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-4884443725414149661</id><published>2009-03-16T04:21:00.000-07:00</published><updated>2009-03-16T04:29:10.149-07:00</updated><title type='text'>O Deserto dos Tártaros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;

O Deserto dos Tártros de Dino Buzzati é um desses livros que não foi feito para entreter – um objetivo indigno da arte, diria Ernesto Sabato – mas para causar perplexidade, assombrar. Não sei não, mas se alguém me perguntasse o que achei do livro, eu diria que é uma das mais perfeitas metáforas da vida do homem moderno.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um jovem tenente, depois de formado, é apresentado num forte, uma construção antiqüíssima e desolada. Ali, vivendo o absurdo de uma rotina militar, se vê pouco a pouco amalgamado ao quartel, incorporado às suas paredes, condicionado aos limites de sua geografia. O forte fica na fronteira, depois dele se descortina um grande deserto por onde, diz a lenda ou contam os mais antigos (como numa tela impressionista, a realidade é vaga e imprecisa) os Tártaros atacarão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;
A não ser para alguns – talvez menos infelizes do que outros – que baseados no que chamam de fé ou esgotamento parecem encontrar as respostas fundamentais (Quem sou, de onde vim, para onde vou) a maioria ainda não divisou o fim do túnel. É preciso, portanto, encontrar um sentido para a vida. Esse sentido não é o mesmo para todo mundo, cada um o vê segundo critérios muito pessoais. É aquilo que satisfaz, que anima, seduz ou tornam as coisas especiais. Alguma coisa sobre a qual possamos dizer depois de uma longa espera: valeu a pena. Os militares presos à rotina no forte esperam pelos tártaros, os tártaros e a guerra farão deles heróis, justificarão o sacrifício, a solidão, o frio e o tédio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Esperamos. Alguma coisa de especial nos acontecerá, justificará porque estudamos tanto, porque trabalhamos tanto, porque juntamos dinheiro, porque compramos as coisas, trocamos o carro e ambicionamos ser mais, muito mais do que o nosso vizinho. “Sentimos uma sensação inexprimível de coisas futuras”, apesar do medo, um medo tremendo de que não passemos de “um homem comum, a quem por direito não cabe senão um destino medíocre”. Quando a leitura do livro se apodera da gente não temos escolha e acabamos nos perdendo (num nevoeiro? Dentro de nós mesmos?) e quando a densa nuvem se dissipa e já não podemos ouvir som nenhum, encontramos uma criança, a criança que fomos nós. Ela ri. Está diante de algo maravilhoso, sente-se parte dela. A criança sabe – nós sabíamos – não há ninguém como ela. Sente-se especial e jamais duvidaria de que o mundo só existe em função dela. Não se satisfaz com o comum das especulações, tem mesmo certeza, embora a ninguém confidencie, de que é um ser especial vindo das estrelas ( Super Homem) a quem seus pais adotivos criarão com amor sem nunca revelar o segredo de sua origem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Então acontece um fenômeno sobre o qual não nos haviam alertado. Crescemos e o encanto é quebrado. A certeza de que somos especiais pouco a pouco soçobra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;
Nos anos que se arrastam os militares não mudam de patente – nos mais de trinta anos de serviço, Drogo, o jovem tenente, mal chega a major – uma sensação, mais forte do que o verdadeiro fato nos diz que o tenente é sempre tenente ao longo do correr dos anos, o capitão não aspira a ser major. O major nunca foi outra coisa. O coronel idem, com sua luneta na mão, perscrutando o avanço dos Tártaros impossíveis. Isso, entretanto, está longe de parecer a construção de personagens estereotipadas. Tem a ver com o tempo, reforça a idéia de que ele não nos traz benefício, nada de especial nos acontece (nem uma promoção). Tudo de bom que tivemos ficou para trás. Super Homem é apenas um herói em quadrinhos, e ai ficamos muito próximos de descobrir que o mundo não precisa da gente, que nossa morte não mudará o curso da história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A todo o momento o autor parece nos lembrar o relógio que marca o tempo, o tempo célere, inexorável, sem nos alertar para nenhum tipo de “carpe diem” porque o momento presente não nos convida para o prazer; não há prazer, só insatisfação. Esperamos por algo melhor, o presente não nos basta, ele nos aponta para o homem no qual nos transformamos, o homem de agora, longe de seu sonho, desmistificado, idiotizado, frágil, medíocre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Alguns episódios remontam a radiografia do absurdo militar, um absurdo muito próximo de Kafka, como aquele quando uma sentinela atira e mata o companheiro que se aproxima do posto esquecido da contra-senha. Mas o romance não é sobre a vida na caserna, embora se valha dela para ambientar a história, mas a vida mesma, de todos nós homens e mulheres em nossa transição do nada para o esquecimento esperando por algo especial que nunca vem.
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-4884443725414149661?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/4884443725414149661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/o-deserto-dos-tartaros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/4884443725414149661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/4884443725414149661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/o-deserto-dos-tartaros.html' title='O Deserto dos Tártaros'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-8802162086524139805</id><published>2009-03-04T04:20:00.000-08:00</published><updated>2009-03-07T06:49:07.667-08:00</updated><title type='text'>A cada um o seu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;
&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fui apresentado a Leonardo Sciascia, (ler-se xaxa) por Adolfo Bioy Casares. É sempre assim, um autor nos apresenta outro com quem dialoga e se nos interessou o livro daquele, logo desejamos o deste. Eu já conhecia Borges – todo mundo conhece Borges – e foi ele que me apresentou a Bioy. Mas foi um período relativamente longo entre aquela apresentação e meu primeiro contato com seus livros, somente no ano passado, numa edição da Cosac Naify, conheci “A Invenção de Morel” e há bem pouco tempo, comprei a belíssima edição, também da Cosac, de suas “Histórias Fantásticas”.

Numa entrevista concedida à Roda Viva, por ocasião de seus 80 anos, e exibida em 1994, mas que eu só tive acesso outro dia, acessando o YouTube, o Bioy me surpreendeu. Foi como o Borges, um homem distinto, dizem que mulherengo; Borges parece que menos, e devotou sua vida, como seu companheiro, à literatura. Como o outro, conheceu mais literatura inglesa do que argentina, mas foi sobre escritores de seu país que me surpreenderam suas declarações quando taxou “Sobre Heróis e Tumbas” de Ernesto Sabato como livro regular e quanto ao Ricardo Piglia, hoje um dos escritores mais importantes da Argentina, foi quase deselegante situando suas teorias sobre o conto num campo entre a extravagância e o absurdo.

Mas deixemos essas considerações para outro dia.

Outra coisa que me chamou a atenção na entrevista do Bioy foi o entusiasmo que ele manifestou quando citou um italiano, contemporâneo seu e de Ítalo Calvino, o Leonardo Sciascia. Naquela mesma semana comprei um livro, editado pelo novo selo Alfaguara que traz um título curioso, sugestivo: “A cada um o seu”. O livro é fino, não passa de 135 páginas. Li no mesmo dia. O autor parece no início se valer do formato policial para ambientar uma história que se passa numa cidadezinha da Sicília, pacata e simples onde muito provavelmente nada de interessante ou anormal pode acontecer. Mas acontece, ou pelo menos temos essa impressão logo no início quando ficamos sabendo que a ameaça de um crime, anunciado numa carta anônima e endereçada a um pacato farmacêutico de fato é consumado.

O farmacêutico Manno não acredita na ameaça, considera brincadeira e na manhã seguinte, acompanhado de seu colega sai para caçar e é morto ele e o outro. O crime, claro, choca a todos e deixa a polícia desnorteada. Começam as indagações, seria mesmo o farmacêutico um homem pacato e sério? Não estaria ele envolvido com uma mulher casada ou coisa do gênero? Todo mundo agora tem um motivo para comentar, e a vida sem graça do Vilarejo se enche de inquietação. É interessante o capítulo em que encontramos a senhora Teresa Spanò, viúva do farmacêutico, escolhendo uma foto do falecido que seria reproduzida no túmulo. Diante das especulações sobre o caráter do marido, ver-se consumida pela dúvida.

Entre os circunstantes conhecemos a figura do professor Laurana, solteirão e solitário que se interessa pelo crime e acaba se embrenhando cada vez mais numa trama que pouco a pouco vai revelando seus meandros, e isso acontece não pela habilidade ou artimanha do detetive, não há detetive, só um professor, mas pela confirmação do óbvio. Na metade do livro um leitor atento já estará em condições de matar a charada. Depois disso, seria comum dizer que em se tratando de um livro de trama policial dos mais simples, o interesse do leitor desapareceria, o que não é o caso do livro em questão. O leitor já adivinhou tudo, mas se recusa a aceitar porque admitir isso é perder um pouco a fé no gênero humano, é alimentar seu ceticismo, é encontrar motivo a mais para ser infeliz. O título do livro de Sciascia é interessante, sugere partilha. O que cabe a cada um? Diferente do poema de Drummond, Cota Zero, o autor de “A cada um o seu” não se sai com uma ironia diante do dilema, não há esforço para disfarçar a verdade, ela nos é jogada na cara.

Sciascia faz parte de uma tradição de escritores a quem interessa a figura do homem comum metido no seu dia-a-dia. É esse o herói de seu livro, como um dia foi Aquiles herói de Homero. Se a literatura do passado privilegiou um tipo de herói superior às vicissitudes que atormentam o homem comum, à literatura na qual se filia Sciascia, a mesma literatura de Joyce e Graciliano Ramos, está interessada justamente nesse homem comum, talvez nosso verdadeiro paradigma.

A atmosfera de segredos e mentiras, a figura de um detetive que se orienta apenas pelas circunstancias de pistas deixadas quase ao acaso, uma bela viúva e seu primo importante e a suspeita de que “há algo de podre no reino da Dinamarca” é o mote que Sciascia utiliza para escrever um livro paradoxal porque divertido e fácil de ler ao mesmo tempo em que nos deixa um travo na garganta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-8802162086524139805?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/8802162086524139805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/cada-um-o-seu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8802162086524139805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/8802162086524139805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/cada-um-o-seu.html' title='A cada um o seu'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7036065967368859423.post-7069307043321482443</id><published>2009-03-02T04:33:00.000-08:00</published><updated>2009-06-21T17:40:25.616-07:00</updated><title type='text'>Viagem ao fim da noite</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: verdana;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;Louis-Ferdinand Céline foi colaborador dos nazistas e escreveu três panfletos de conteúdo anti-semita, mas não é disso que eu desejo falar, mas de um de seus livros, publicado em 1932, na época um estrondoso sucesso. Nas mais de 500 páginas de Viagem ao fim da noite nota-se uma nova interpretação da modernidade, um livro, como poucos, arrebatador, um verdadeiro prodígio da criação artística, tão monumental que sobreviveu apesar das escolhas imperdoáveis de seu autor e toda difamação dos hipócritas. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div style="font-family: verdana;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;
&lt;em&gt;Na primeira parte do livro encontramos Ferdinand, o personagem, voz em primeira pessoa, auter-ego de Céline. Ele se alista e vai para a guerra, mas não faz isso movido por ideal, antes o faz por fastio ou curiosidade. Mais tarde encontramo-lo metido em outras situações: numa distante África colonial e depois como estrangeiro vivendo nos Estados Unidos da Recessão, período que se encerra com sua volta à França, onde continua se sentindo estrangeiro apesar de sua ocupação como médico nos subúrbios miseráveis de Paris. Nos sucessivos cenários Ferdinand nos dá conta da desolação. A guerra, o meio do nada na África e a terra estrangeira reproduzem ambientes dignos de pesadelos, ambientes que nos causam gastura, tão deslocados e desconfortáveis nos sentimos. Entre os miseráveis, nos subúrbios, acompanha a escalado do horror representado pela morte iminente em decorrência de moléstias que antes de tirar a vida dos infelizes, tira-lhes o resto de dignidade. Também o encontramos sofrendo de impotência quando sua ciência não lhe dá condições de salvar a vida de um garotinho de sete anos e coadjuvante em outros episódios até quando foge e tem seus serviços requisitados para trabalhar num manicômio. Nesse período reencontra Robinson e Madelon e acompanha até o desfecho trágico o relacionamento doentio dos dois. Em todos esses momentos, vive quase no limite, seja porque acometido pela fome, sede, humilhação ou perplexidade. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: verdana;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;
&lt;em&gt;A viagem ao breu da desesperança não é estratégia que leva Ferdinand à expiação. Não é de Raskólnikov que estamos falando, sofrendo por acreditar-se culpado num mundo racional, habitado por bons e maus. Para Céline não há inocentes nem redenção, o mundo não tem sentido, existir é uma maldição, e Deus, mais uma mentira inventada com a pior das intenções. A viagem não ilumina nem amadurece. As sucessivas provações não têm um propósito, antes conseqüências, e delas, as conseqüências, resulta apenas um espírito embotado e um corpo alquebrado. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: verdana;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;
&lt;em&gt;É preciso dizer que Céline faz parte daquele grupo de escritores malditos, movidos por um forte sentimento de pessimismo com relação ao gênero humano, tudo o que diz soa no primeiro momento sacrílego, um Sade piorado, já que o outro, ao menos, encontrava na libertinagem justificativa e lenitivo para o doloroso existir. Mas esse pessimismo, esse despeito, uma fúria incontrolável por uns e um nojo abjeto por outros, que faz Ferdinand esculhambar a tudo e a todos, e até dirigir-se nesses termos a seu povo, o povo francês, essa “corja de fodidos, catarrentos, pulguentos, espezinhados, que vieram parar aqui perseguidos pela fome, pela peste, pelas doenças e pelo frio, os vencidos dos quatro cantos do mundo.” Essa fúria é, em última análise, a fúria de um homem que se importa. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: verdana;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;
&lt;em&gt;Não é cinismo o que suas palavras traduzem, mas desespero. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: verdana;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;
&lt;em&gt;O desespero de quem se incomoda. Depois de viajar até a página 108, surpreendeu-me suas considerações a respeito de Alcide, um outro perdido a quem Ferdinand encontra em sua jornada pela noite. A princípio um tipinho medíocre, a quem nosso herói devotaria todo seu desprezo não fosse um detalhe. Destacando num posto avançado de uma das colônias francesas da África, Alcide vive toda uma vida miserável, cheia de privações, para garantir a uma menininha, sua sobrinha, deixada lá em Bordeaux, uma educação das melhores, no colégio das irmãs chiques. Também há Molly, a prostituta americana, uma outra Sônia de Crime e Castigo, um corpo que se presta ao comércio da carne e mesmo assim abriga uma alma puríssima, capaz de renúncia e sacrifício. O sacrifício por outro, que ao Marquês* causaria deboche, enche os olhos e a alma de Céline, alguém que defendeu com entusiasmo a morte dos judeus. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:100%;" &gt;
&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:100%;" &gt;Contradição? Sem dúvida. Céline é paradoxal e como os pessimistas, sente uma irresistível paixão por aquilo que condenam, em seu caso, o gênero humano. Assim como Kafka, seu mundo está povoado de pesadelos, e se não há saída, não há esperança, resta o desespero.
&lt;/span&gt;
&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7036065967368859423-7069307043321482443?l=nivaldotenorio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/feeds/7069307043321482443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/viagem-ao-fim-da-noite_02.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/7069307043321482443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7036065967368859423/posts/default/7069307043321482443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nivaldotenorio.blogspot.com/2009/03/viagem-ao-fim-da-noite_02.html' title='Viagem ao fim da noite'/><author><name>Nivaldo Tenório</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04695519887564115664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
